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Previsão mais favorável para safra brasileira pressiona preços do café nas bolsas internacionais
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Os preços do café iniciaram esta quinta-feira (15) em baixa nas principais bolsas internacionais, impactados por previsões mais otimistas para a safra brasileira de 2025 e por incertezas em relação à demanda global. O café robusta chegou a recuar mais de 2% na Bolsa de Londres.
Safra brasileira de 2025 traz alívio parcial, mas estoques seguem baixos
Segundo boletim do Escritório Carvalhaes, mesmo com as perspectivas positivas para a próxima safra brasileira, o mercado continuará enfrentando um cenário apertado. Os estoques de passagem serão historicamente baixos e, apesar da previsão de aumento na produção, a safra de 2025 deve ter um volume semelhante ao da atual.
“O equilíbrio precário entre produção e consumo global vai continuar no ano-safra 2025/2026”, aponta o boletim.
Demanda global segue em foco e tarifas preocupam importadores
De acordo com informações do Barchart, grandes compradores de commodities como Starbucks, Hershey e Mondelez International expressaram preocupação com a tarifa de 10% dos Estados Unidos sobre importações, que pode elevar custos e reduzir volumes de vendas. A incerteza sobre o consumo global segue sendo um fator de atenção para o mercado.
Café arábica recua em Nova York
Às 9h20 (horário de Brasília), os contratos futuros do café arábica operavam em queda na Bolsa de Nova York:
- Maio/25: baixa de 1.090 pontos, a 373,95 cents/lbp
- Julho/25: queda de 85 pontos, a 363,95 cents/lbp
- Setembro/25: recuo de 105 pontos, a 360,75 cents/lbp
- Dezembro/25: desvalorização de 80 pontos, a 356,65 cents/lbp
Café robusta cai mais de 2% em Londres
Na Bolsa de Londres, o café robusta também registrava perdas expressivas:
- Maio/25: queda de US$ 138, cotado a US$ 4.961/tonelada
- Julho/25: recuo de US$ 103, a US$ 4.907/tonelada
- Setembro/25: baixa de US$ 92, a US$ 4.895/tonelada
- Novembro/25: desvalorização de US$ 90, negociado a US$ 4.852/tonelada
A tendência de baixa nos preços reflete o otimismo com a próxima safra brasileira, mas o mercado segue atento aos estoques limitados e às incertezas na demanda global, que continuam a influenciar o equilíbrio entre oferta e consumo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor
A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.
O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.
A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.
Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.
O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.
Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.
As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.
A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.
O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.
As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.
Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.
Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.
“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.
O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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