TECNOLOGIA
Grupo técnico debate aprimoramentos para estimar emissões do Setor Resíduos
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A atualização de dados nacionais sobre resíduos sólidos e efluentes estão entre as principais necessidades de informações para o aprimoramento das estimativas do Setor Resíduos do Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (GEE). As lacunas e oportunidades de melhoria e cooperação foram apresentadas pela equipe técnica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do projeto Ciência&Clima, nesta segunda-feira (19), para o Grupo Técnico sobre o Inventário Nacional de GEE do Subcomitê-Executivo do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM).
As reuniões buscam coletar contribuições e engajar os setores envolvidos para implementar aprimoramentos para os cinco setores do Inventário Nacional. Ao final desse processo, espera-se ter um plano de ação com a priorização dos pontos de aprimoramento e a indicação dos responsáveis e prazos.
“Essas reuniões têm sido valiosas para esclarecer como o Inventário Nacional de GEE é elaborado e o esforço perene de aprimoramento”, afirmou o coordenador-geral de Ciência do Clima do MCTI, Márcio Rojas. “Estamos cientes que está ganhando relevância. Começou para atender compromissos internacionais e agora será uma ferramenta para monitoramento e revisão das políticas domésticas”, explicou.
Para o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, o grupo de trabalho está permitindo que os técnicos dos ministérios envolvidos compreendam melhor o Inventário Nacional e identifiquem caminhos para aprimorá-lo, de modo a colaborar com a agenda climática nacional. “Esse trabalho é fundamental para aumentar a aderência ao esforço nacional de mitigação”, afirmou sobre a conexão com o Plano Clima.
O Setor Resíduos está dividido em quatro subsetores que contabilizam as emissões de GEE associadas à disposição de resíduos sólidos em aterros sanitários e lixões, compostagem, incineração e queima de resíduos a céu aberto, e efluentes domésticos e industriais. De acordo com os resultados de 2022, o Setor contribuiu com 4,5% das emissões totais nacionais de CO2 equivalente. A principal categoria é a de “Disposição de resíduos sólidos”, que responde por 2,6% das emissões nacionais. É onde são estimadas as emissões de lixões e aterros sanitários.
“É o setor menos representativo para o Brasil em termos de CO2 equivalente, mas são representativas as emissões de metano”, explicou o supervisor do Inventário Nacional, Régis Rathmann. O Setor foi responsável pela emissão de 14,9% das emissões totais nacionais de metano, gás que tem potencial de aquecimento 28 vezes maior comparado ao do CO2. O monitoramento das emissões do gás é importante. Em 2021, o Brasil aderiu ao Compromisso Global de Metano, que prevê a redução de 30% das emissões do gás até 2030.
No âmbito doméstico, o país também tem o compromisso de encerrar os lixões, assumido por meio da Política de Resíduos Sólidos de 2010. Os aterros sanitários emitem mais metano por tonelada de lixo, em razão das condições controladas que favorecem a decomposição anaeróbia. Contudo, os sistemas apresentam vantagens ambientais, econômicas e sociais, além do potencial de recuperação de biogás, emitido durante o processo de decomposição. “O aterro sanitário deve ser pensado dotando recuperação energética do biogás”, explicou Rathmann.
Lacunas e aprimoramentos – De acordo com a especialista do Setor Resíduos do Inventário Nacional, Tamar Bakman, as categorias que mais emitem (categorias-chave) do setor utilizam nível metodológico com maior detalhamento (Tier 2) e os aprimoramentos passam pela atualização de dados de atividade. As lacunas identificadas, que também estão detalhadas no Relatório Nacional de Inventário (NIR), apontam para a necessidade de atualização de dados primários, como a caracterização dos locais de destinação final de resíduos sólidos, reciclagem, composição gravimétrica (características físicas) dos resíduos, além de dados sobre sistemas de tratamento de águas residuárias utilizadas e tratamento de efluentes industriais.
A discussão contou com a participação do especialista e revisor habilitado pela Convenção do Clima para avaliar o Setor Resíduos de Inventários Nacionais, Gustavo Mozzer, que destacou que os pontos de aprimoramento apresentados pela equipe técnica são coerentes e objeto de discussões e análise dos revisores internacionais, que consideram completude, comparabilidade e a série histórica, ao avaliar o setor. Mozzer destacou que as contribuições realizadas durante a Revisão Técnica Internacional pela qual o Brasil passou recentemente serão um “balizador importante” e enfatizou a necessidade de cooperação com outros órgãos para prover dados primários. “Há necessidade de firmar parcerias e entendimentos entre ministérios responsáveis por políticas de resíduos sólidos e efluentes para assegurar as informações. É uma questão estratégica”, explicou.
GT Inventário Nacional – Essa foi a quinta reunião do grupo técnico. A primeira foi realizada em novembro de 2024, quando foi definido o cronograma de trabalho. Em fevereiro deste ano, discutiu o Setor Agropecuária, em março o Setor Uso da Terra (LULUCF), e em abril foram debatidos os setores Energia e Processos Industriais e Uso de Produtos (IPPU).
Uma oficina intersetorial está prevista para agosto com o objetivo de estabelecer um plano de ação, indicando prioridades e responsáveis.
Entre as metas do GT está a elaboração de um plano de ação com tarefas, prazos e responsáveis, contemplando as sugestões de aprimoramento apresentadas, discutidas, validadas e com análise de viabilidade de implementação. Os aprimoramentos coletados no grupo de trabalho para o Inventário Nacional visam propor subsídios para o monitoramento do Plano Clima Mitigação e da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, ou seja, uma ferramenta para a gestão da política climática no âmbito nacional.
Acesse o Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil e o Relatório do Inventário Nacional, que reúne o detalhamento metodológico. Acesse a cartilha Entenda o Inventário Nacional de GEE.
TECNOLOGIA
MCTI inaugura novas linhas de luz do Sirius e amplia capacidade de pesquisas em áreas estratégicas
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) inauguraram, nesta segunda-feira (18), em Campinas (SP), quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, maior infraestrutura científica do país. O evento, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, é mais um marco do protagonismo brasileiro nessa área. As novas linhas irão ampliar a capacidade brasileira de pesquisa em temas estratégicos, como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.
A ministra Luciana Santos acompanhou, ainda, o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, desenvolvido com o objetivo de fortalecer a soberania tecnológica nacional em saúde. A iniciativa visa ampliar o desenvolvimento nacional de tecnologias estratégicas voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos. A programação em Campinas reforçou, portanto, os investimentos do Governo do Brasil em infraestrutura científica de alta complexidade, inovação tecnológica e soberania nacional.
Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Sirius demonstra a capacidade do Brasil de produzir ciência de ponta e usá-la em benefício do país e de seu povo. “O que estamos vendo aqui é a prova de que o Brasil pode produzir ciência de classe mundial. Investir em estruturas como o Sirius é investir na formação de pesquisadores, na soberania nacional e na capacidade do país de transformar conhecimento em desenvolvimento para o Brasil”, afirmou o presidente.
De acordo com a ministra, o Sirius transforma o potencial científico brasileiro ao permitir que pesquisas estratégicas passem a ser realizadas no país. “O Brasil passou a integrar o grupo de nações que dominam a tecnologia de luz síncrotron de quarta geração. O Sirius colocou o país em outro patamar científico e tecnológico, ampliando pesquisas em medicamentos, vacinas, semicondutores, baterias e minerais estratégicos”, destacou.
LUZ SÍNCROTRON
A luz síncrotron é um tipo de radiação eletromagnética extremamente brilhante que se estende por um amplo espectro, isto é, ela é composta por diversos tipos de luz, desde o infravermelho, passando pela luz visível e pela radiação ultravioleta e chegando aos raios X. Com o uso dessa luz especial, é possível penetrar a matéria e revelar características de sua estrutura molecular e atômica para a investigação de todo tipo de material.
O seu amplo espectro permite realizar diferentes tipos de análise com as diversas radiações que a compõem. Já seu alto brilho possibilita experimentos extremamente rápidos e a investigação de detalhes dos materiais na escala de nanômetros. Com a luz síncrotron, é também possível acompanhar a evolução no tempo de processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem em frações de segundo.
SIRIUS
O acelerador de partículas Sirius, com 68 mil metros quadrados, funciona como um “supermicroscópio”. Diferentemente da câmera que capta paisagens e pessoas, essa imensa máquina é capaz de analisar estruturas em escala atômica, ou seja, consegue revelar detalhes das estruturas dos átomos e apoiar pesquisas avançadas em diferentes áreas do conhecimento. Com o equipamento, considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo, o país integra o grupo restrito de nações com fonte de luz síncrotron de quarta geração.
Para o diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Antonio José Roque da Silva, o Sirius fortalece a capacidade brasileira de transformar ciência em inovação. “Aqui, pesquisadores desenvolvem soluções em áreas como saúde, energia, novos materiais e biocombustíveis. Poucos países reúnem, em um mesmo ambiente, tanta capacidade científica e tecnológica”, destacou.
DESENVOLVIMENTO NO BRASIL
O Sirius atende a pesquisadores do Brasil e do exterior em estudos sobre saúde, energia, agricultura, meio ambiente, novos materiais, entre outras. Entre 85% e 90% dos componentes do Sirius foram produzidos ou desenvolvidos no Brasil, fortalecendo cadeias industriais de alta precisão e a engenharia nacional.
Conheça as quatro linhas de luz síncrotron inauguradas:
LINHA DE LUZ TATU – A linha de luz Tatu é a primeira a ser inaugurada no contexto da segunda fase do projeto Sirius. Financiada pelo Novo PAC, com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, será a primeira, em uma fonte de luz de quarta geração, a operar na faixa dos terahertz. A linha permitirá investigar fenômenos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, capazes de analisar estruturas em escala nanométrica. As pesquisas desenvolvidas na Tatu poderão contribuir para avanços em áreas como telecomunicações, computação e processamento de dados baseado em luz, além de ampliar as possibilidades de investigação em ciência de materiais e sistemas biológicos.
LINHA SAPUCAIA – A linha Sapucaia é voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias, além de pesquisas no contexto da parceria científica entre Brasil e China.
LINHA QUATI – A linha Quati permitirá investigações avançadas em materiais para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.
LINHA SAPÊ – As pesquisas realizadas na linha de luz Sapê terão impactos no desenvolvimento de materiais avançados, com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, bem como em materiais supercondutores e semicondutores, estes últimos importantes para o desenvolvimento de novos chips para a indústria eletrônica.
INOVAÇÃO EM SAÚDE
Em parceria com o Ministério da Saúde, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) será o primeiro centro-âncora do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, reunindo competências em biotecnologia, inteligência artificial, genômica, biofabricação e desenvolvimento de dispositivos médicos e diagnósticos avançados. O CNPEM reunirá capacidades avançadas em pesquisa e inovação para impulsionar o desenvolvimento nacional de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos, diagnósticos disruptivos e outras tecnologias estratégicas para a saúde pública brasileira.
Também acompanharam as atividades em Campinas, nesta segunda-feira (18), o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda; o diretor-geral da CNPEM, Antonio José Roque da Silva; e a presidenta do Conselho de Administração do CNPEM e da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Marcela Chami Gentil Flores; entre outras autoridades.
A iniciativa prevê também a construção de um novo prédio que deve integrar competências em biotecnologia, genômica, inteligência artificial, plataformas microfluídicas e tecnologias avançadas de imageamento e biologia estrutural, consolidando um ambiente voltado à aceleração da inovação em saúde, por meio da conexão e da integração de diferentes atores envolvidos no processo de inovação radical.
O Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde contribuirá para reduzir a dependência de tecnologias importadas e fortalecer a capacidade nacional de desenvolver soluções em saúde alinhadas às necessidades do SUS e da população brasileira. A iniciativa favorece a articulação entre ciência, inovação, setor produtivo e políticas públicas, ampliando a capacidade do país de responder a desafios sanitários, estimular o desenvolvimento econômico e tecnológico e acelerar a chegada de novas soluções ao sistema público de saúde.
ORION
O presidente Lula também recebeu informações sobre o andamento das obras do Orion, um complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, financiado pelo Novo PAC, que compreenderá instalações de máxima contenção biológica (NB-4) inéditas na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron, no caso, o Sirius.
O projeto permitirá ao Brasil estudar patógenos com infraestrutura inédita na América Latina. O Orion vai fortalecer a capacidade nacional no desenvolvimento de diagnósticos, vacinas, tratamentos e estratégias epidemiológicas, além de ampliar a soberania brasileira no enfrentamento de futuras crises sanitárias.
O CNPEM
O CNPEM, responsável pelo Sirius e por desenvolver o Orion, abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo MCTI, é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade.
Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no país, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação.
As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).
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