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Evolução, conquistas e desafios do Plano ABC+ pautaram evento internacional da Trilha da COP 30
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Nos dias 4 e 5 de junho, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em coordenação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Department for Environment, Food & Rural Affairs (DEFRA) do Reino Unido, realiza o Seminário “Políticas de Agricultura de Baixo Carbono (ABC): Um Caminho para a Resiliência Sustentável no Brasil (Debates Pré-COP)”. O encontro, que integra a agenda da eventos da Trilha da COP 30, pretende contribuir com o fortalecimento e a cooperação entre entes federativos e parceiros internacionais na promoção de tecnologias de baixo carbono no agro brasileiro.
O evento reúne gestores públicos, formuladores de políticas, especialistas e representantes do setor produtivo para compartilhar experiências e lições aprendidas na implementação do [LINK]Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (ABC+) e debater quais os principais desafios para conciliar produtividade, conservação ambiental e inclusão social.
Nos dois dias de evento estão sendo debatidos temas relevantes para a agropecuária nacional e mundial, como: O Plano ABC e o ABC+ – Evolução, Conquistas e Desafios; a Agricultura de Baixo Carbono – Aspectos Técnicos e Ganhos de Produtividade; a Mobilização para implantação do ABC no Território – Políticas Locais e Assistência Técnica; e o Programa Caminho Verde – Perspectivas e Desafios.
“Trazemos aqui resultados importantes das políticas públicas (ABC+ e Projetos Rural Sustentável) que vêm contribuindo com a efetiva transformação do agro brasileiro. Ações abrangentes, descentralizadas e inclusivas, que promovem o engajamento ativo do setor e da sociedade, integrando produtividade, adaptação e mitigação efetiva ao cenário da agropecuária brasileira”, afirmou o secretário adjunto de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Mapa, João Crescêncio.
Segundo Crescêncio, o Brasil está ciente da sua responsabilidade na produção de alimentos para o mundo. “Para além do Plano ABC+, o governo brasileiro amplia a ambição climática no contexto da agropecuária, por meio do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas, agora denominado Programa Caminho Verde Brasil, que tem como objetivo recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas em 10 anos, ampliando as áreas dedicadas exclusivamente à agricultura sustentável”, disse.
Dentre os resultados apresentados que utilizam tecnologias do Plano ABC+ estiveram os Projetos Rural Sustentável (PRS) – Cerrado e Amazônia, realizados pelo Mapa em parceria com o BID e o governo britânico e executado pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS). Nesses seis anos de projeto, já foram beneficiadas mais de 31 mil famílias nos dois biomas, com investimentos da ordem de R$ 51milhões em benefícios coletivos, assistência técnica e pesquisas/estudos.
De acordo com a representante do BID no Brasil, Annette Kilmer, o evento traz, entre outros temas, os resultados obtidos e as perspectivas futuras da parceria do Mapa com o BID e o Reino Unido, no apoio ao fomento de uma agropecuária de baixo carbono e com melhor aproveitamento de oportunidades em negócios verdes. “Estamos felizes com o trabalho já desenvolvido. Nosso objetivo e seguir cooperando com a promoção de uma transformação ecológica, resiliente e sustentável do setor, mas sem perder o foco na produtividade, competitividade e na contribuição para o bem-estar social e econômico do produtor”.
Segundo o vice-embaixador do Reino Unido, Tony Kay, esses encontros que antecedem a COP 30 são muito importantes, pois permitem ajustar os projetos e propor entregas mais eficazes para uma agricultura ainda mais sustentável, que resulte na produção de alimentos de qualidade para as pessoas no Brasil e no mundo.
Sobre o Projetos Rural Sustentável, Kay agradeceu a parceria com o Mapa e o BID, dizendo ser um privilégio do governo britânico promover e executar uma ação inovadora e tão bem-sucedida.
TRILHA DA COP 30
A Trilha da COP 30 é uma agenda de eventos nacionais e internacionais realizados ao longo deste ano pelo Mapa em coordenação com as instituições parceiras. As atividades têm por objetivo promover debates, apresentar estudos e levantamentos que venham subsidiar, na Conferência, a proposição de ações mais eficazes e o uso de tecnologias inovadoras que provam o desenvolvimento sustentável da agropecuária em todo o mundo.
PLANO ABC+
O Plano ABC+ é uma política pública única em seu escopo, abrangência e alcance, que promove o engajamento ativo do setor produtivo e da sociedade, integrando produtividade, adaptação e mitigação efetiva, ao cenário da agropecuária brasileira.
Informações à imprensa
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


