AGRONEGOCIOS
Irrigação de precisão impulsiona produtividade e qualidade na fruticultura em Valinhos (SP)
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Investimento em irrigação de precisão revoluciona a Adelpho Frutas
A Adelpho Frutas, localizada em Valinhos (SP), alcançou avanços significativos em produtividade e qualidade ao adotar sistemas de irrigação de precisão e fertirrigação. Superando o receio inicial relacionado aos custos, a empresa, com o suporte da Netafim e da Bolsa Irriga, implementou uma tecnologia que mudou o manejo do cultivo de figo, goiaba e outras frutas.
Sistema eficiente garante segurança hídrica e colheitas regulares
A área irrigada, que cobre 20 hectares e conta com 24 mil plantas, ultrapassou as expectativas da Adelpho em termos de produção e qualidade dos frutos. O sistema oferece frutas fora de época, atende mercados exigentes e promove melhor controle dos custos de produção. A irrigação é feita de forma precisa, acionada somente quando necessário, por meio de ferramentas de monitoramento que otimizam o uso dos recursos, mesmo em terrenos desafiadores.
Produtor destaca superação dos receios iniciais
Luís Carlos Christofoli, sócio-proprietário da Adelpho Frutas, relata:
“A gente não tinha irrigação no momento em que a fruta realmente precisava. Sempre achávamos que era muito caro, muito dinheiro, e que não ia retornar. A Bolsa Irriga nos apresentou um projeto da Netafim, muito acessível na época, e a gente resolveu investir. Hoje a gente vê o quanto isso é bom pra lavoura, principalmente pros custos, para produção e para qualidade da fruta.”
Reservatório e sustentabilidade são diferenciais do sistema
O sistema de irrigação conta com um reservatório central abastecido por poços, garantindo o volume de água necessário para toda a operação. Além de elevar a produtividade, a técnica trouxe ganhos em sustentabilidade, com economia de água e desenvolvimento mais uniforme das plantas.
Benefícios do gotejamento e fertirrigação
“A gente fala: é o gotejo. Quais são os benefícios hoje da fertirrigação e do gotejo? Não faltou água, a fruta se desenvolveu, o pé se desenvolveu, e hoje a gente tem esse resultado maravilhoso, que é o tamanho do figo e a classificação dele que alcançamos”, conclui Luís Carlos, ressaltando a importância da tecnologia para o sucesso da produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor
A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.
O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.
A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.
Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.
O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.
Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.
As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.
A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.
O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.
As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.
Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.
Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.
“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.
O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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