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Governo garante Plano Safra recorde em 2025/26, mesmo com nova tributação sobre títulos do agro
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Plano Safra 2025/26 será robusto e baterá recorde, afirma governo
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (18) que o Plano Safra 2025/2026 manterá sua robustez e continuará em crescimento, mesmo diante da nova tributação de 5% sobre títulos vinculados ao financiamento do agronegócio. Segundo ele, a medida não comprometerá o volume de recursos destinados ao setor.
Tributação sobre LCAs e CRAs será menor que outras aplicações
Durigan explicou, em entrevista à CNN, que os títulos anteriormente isentos de Imposto de Renda, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), continuam sendo considerados investimentos incentivados. A nova taxação, que entra em vigor a partir do próximo ano, será inferior à aplicada sobre outras aplicações financeiras, garantindo a atratividade desses instrumentos.
Impacto será maior para instituições financeiras, diz secretário
Segundo o secretário, o impacto da medida será sentido principalmente por instituições financeiras e investidores, que antes se beneficiavam da isenção fiscal. No entanto, ele garantiu que o direcionamento dos recursos ao agronegócio permanece intacto. “O Plano Safra de 2025 e 2026 vai seguir crescendo, batendo seus recordes, sem ter prejuízo para o setor do agro”, reforçou.
Mudanças no IOF e medidas de controle fiscal geram reações
Em maio, o governo editou um decreto que elevou alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Diante da repercussão negativa, parte das medidas foi recalibrada e substituída por uma nova Medida Provisória, que também incluiu a tributação sobre títulos incentivados e ações de contenção de gastos. As alterações seguem enfrentando resistência de setores do Congresso Nacional.
Responsabilidade fiscal como prioridade
Durigan afirmou que o governo mantém o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e que a prioridade não é aumentar a arrecadação, mas sim eliminar o déficit fiscal. Ele também defendeu como legítimas as cobranças por uma revisão de gastos do governo federal.
Crescimento do BPC preocupa e governo busca critérios mais rígidos
Durante a entrevista, o secretário destacou o crescimento acelerado do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência. De acordo com ele, entre 25% e 30% das concessões atuais ocorrem por decisão judicial, o que exige um controle mais rigoroso.
Durigan afirmou que a Advocacia-Geral da União está dialogando com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para estabelecer uma padronização mínima nas concessões do BPC. “Critérios como a comprovação de renda per capita e a condição de incapacidade devem ser observados conforme determina a lei”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


