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Congresso Brasileiro de Soja 2025 reunirá especialistas para debater futuro da cadeia produtiva no Brasil e no Mercosul
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Evento técnico reunirá líderes da cadeia da soja em Campinas (SP)
A 10ª edição do Congresso Brasileiro de Soja (CBSoja) e do Mercosoja 2025 será realizada entre os dias 21 e 24 de julho de 2025, no Centro de Exposições e Convenções Expo Dom Pedro, em Campinas (SP). Organizado pela Embrapa Soja, o evento celebrará os 100 anos da cultura da soja no Brasil e os 50 anos da unidade de pesquisa, reunindo cerca de 2 mil participantes de diferentes elos do setor produtivo, científico e industrial.
O tema central desta edição será “100 anos de soja no Brasil: pilares para o amanhã”, destacando os avanços e perspectivas da cultura que se consolidou como uma das principais bases do agronegócio nacional.
Temas estratégicos e debates com especialistas de renome
Ao longo dos quatro dias, a programação técnica contará com quatro conferências principais e 15 painéis temáticos, totalizando mais de 50 palestras de especialistas nacionais e internacionais. Entre os assuntos em destaque estão:
- Implantação de lavouras e sistemas de produção irrigados
- Nutrição e fitossanidade das plantas
- Uso de bioinsumos
- Soja em áreas de reforma de canaviais
- Inovações biotecnológicas
- Agricultura digital
- Desafios logísticos
- Papel da soja na segurança alimentar e produção de biocombustíveis
- Relações comerciais internacionais
Conferências principais abordarão história, geopolítica e sustentabilidade
A conferência de abertura, no dia 21 de julho, às 19h, terá como tema “A soja no Mercosul há um século”, e contará com a presença de nomes importantes como o pesquisador Romeu Afonso de Souza Kiihl (MGS), o professor Tuneo Sediyama (Soygene), Rodolfo Luis Rossi (ACSoja/Argentina) e Gerardo Bartolomé (Grupo Dom Mário), sob mediação do jornalista Giovani Ferreira.
Na manhã de 22 de julho, às 8h30, será realizada a conferência sobre a geopolítica da cultura da soja, conduzida por Guilherme Bastos (Fundação Getúlio Vargas), abordando como produção e comércio impactam as relações do Brasil com outros países.
No dia 23 de julho, às 8h30, o professor Edvaldo Velini (Unesp Botucatu) apresentará uma conferência sobre sustentabilidade com base em dados, evidenciando como a pesquisa confere maior previsibilidade e segurança à cadeia produtiva.
Já no dia 24 de julho, às 9h, o foco será a relação do Brasil com a China na agricultura, tema abordado por Letícia Frazão Alexandre Leme (Ministério das Relações Exteriores) e Larissa Wachholz (Vallya Agro), especialistas nas relações comerciais com o principal parceiro da soja brasileira.
Espaços interativos e debates práticos: Mãos à Obra e Soybean2035
Entre as inovações da programação, destaca-se o espaço “Mãos à Obra”, voltado para discussões práticas sobre cinco grandes temas:
- Fertilidade do solo e adubação
- Manejo de nematoides
- Controle de plantas daninhas
- Uso de bioinsumos
- Barreiras ao desenvolvimento radicular
Outro destaque é o workshop internacional Soybean2035: A decadal vision for soybean biotechnology, com participação de especialistas da China, Estados Unidos, Canadá e Brasil. O objetivo é discutir o futuro da biotecnologia aplicada à soja para os próximos dez anos.
Arena de Inovação e exposição técnica completam programação
A Arena de Inovação será um espaço dedicado a lançamentos, apresentação de soluções de mercado e trabalhos técnicos de destaque. O evento contará com mais de 50 expositores, integrando empresas, instituições e startups voltadas à inovação na cadeia da soja.
Além disso, a comissão organizadora aprovou 328 trabalhos técnico-científicos, que serão apresentados em formato de pôster ao longo do evento, promovendo a disseminação de conhecimento e a troca de experiências entre pesquisadores e o setor produtivo.
O CBSoja e o Mercosoja 2025 se consolidam, assim, como o maior fórum técnico-científico sobre soja da América do Sul, promovendo debates fundamentais para o presente e o futuro da produção, da pesquisa e do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


