MATO GROSSO
Pesquisadores desenvolvem tecnologia de fertilizante com cinza vegetal para agricultura familiar em Rondonópolis
MATO GROSSO
Pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) desenvolveram uma nova tecnologia para a produção de fertilizantes a partir da cinza vegetal, resíduo gerado pela queima de madeira em indústrias da região. A proposta visa atender especialmente as necessidades da agricultura familiar, reduzindo custos com insumos e oferecendo uma alternativa sustentável para o aproveitamento de resíduos agroindustriais.
O projeto promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), por meio do Edital nº 005/2021 – Mulheres e Meninas na Computação, Engenharias e Ciências Exatas e da Terra, e coordenado pela professora doutora Edna Bonfim da Silva, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), da área de Ciências Agrárias, manejo e conservação do solo.
A pesquisa foi conduzida em parceria entre os cursos de Engenharia Agrícola e Ambiental e Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR). O objetivo principal é construir e ajustar um granulador de disco rotativo para a produção de fertilizantes organominerais, resultado da combinação de materiais orgânicos com adubos minerais. Esse tipo de fertilizante pode ser formulado e granulado diretamente na propriedade rural, o que favorece a economia no campo e reduz a dependência de produtos externos.
O granulador desenvolvido é de fácil montagem e manutenção, e foi ajustado para operar com diferentes ângulos de inclinação e velocidades de rotação. O equipamento permite o uso da cinza vegetal como matéria-prima no processo de granulação, que transforma os fertilizantes em pequenos grânulos com tamanho e forma adequados para a aplicação agrícola. Um dos desafios técnicos é garantir que esses grânulos atendam aos padrões de qualidade exigidos por normas nacionais, com o mínimo de perda de material no processo.
A pesquisa foi realizada em três etapas. Na primeira, o equipamento foi construído e testado em laboratório. A segunda etapa foi dedicada ao desenvolvimento e análise da composição química do fertilizante organomineral. Por fim, o produto foi aplicado na cultura do feijão-caupi, tanto em casa de vegetação quanto em campo, com o objetivo de avaliar sua eficiência em relação aos fertilizantes convencionais.
Durante os testes, foram analisadas características do solo e da planta, como produtividade, nutrição, desenvolvimento da raiz e uso eficiente da água. A tecnologia também foi apresentada em módulos didáticos voltados à extensão rural, com participação de estudantes e produtores.
Além da redução de custos para agricultores, espera-se que a tecnologia contribua para a valorização de resíduos industriais e para a sustentabilidade da produção agrícola. Com a transformação da cinza vegetal em insumo agrícola, o projeto busca evitar o descarte inadequado desse resíduo, dando-lhe uma nova função dentro da cadeia produtiva.
O pedido de patente ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) está em formulação, será um para o equipamento e outro para o processo de formulação e produção do fertilizante granulado. A pesquisa também promove a formação de novos pesquisadores, com foco na inclusão de mulheres na ciência e na Engenharia.
“A iniciativa representa um avanço nas práticas de manejo agrícola em pequenas propriedades e reforça o papel da pesquisa científica como aliada do desenvolvimento regional e da sustentabilidade no campo”, pontuou a professora Edna Bonfim.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Estatuto da Criança e do Adolescente completa 36 anos e magistrados destacam importância da lei
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos de vigência no Brasil. Sancionado em 13 de julho de 1990, por meio da Lei nº 8.069, ele apresenta à sociedade o ideal de proteção integral a essa parcela da população.
Mesmo sendo alvo de debates e críticas desde sua criação, quem trabalha na aplicação da lei defende que ela veio para proteger os direitos fundamentais daqueles que estão nessa fase de desenvolvimento.
“Aqueles que acabam criticando o ECA não trabalham no dia a dia da infância e juventude. Se a gente pode apontar mazelas, elas não podem ser atribuídas à lei, mas à execução dela. Nós ainda precisamos estruturar os CREAS, os CRAS, os agentes da infância e juventude, os conselhos tutelares, enfim, essa rede de apoio que poderia obter melhores resultados. Porém, a lei em si é muito precisa e trouxe avanços significativos”, afirma o juiz titular da Vara Especializada da Infância e Juventude de Várzea Grande, Tiago Abreu.
Juíza auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), Anna Paula Gomes de Freitas destaca que “o ECA não foi criado para proteger quem pratica atos infracionais, mas para garantir o desenvolvimento integral de todas as crianças e adolescentes, reconhecendo-os como sujeitos de direitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento”.
A magistrada defende que, ao mesmo tempo em que assegura direitos fundamentais, o Estatuto também prevê medidas de responsabilização para adolescentes autores de atos infracionais, com enfoque socioeducativo. “Garantir direitos não significa impunidade; significa investir em uma sociedade mais justa, segura e com mais oportunidades”.
Para o juiz responsável pela Coordenadoria da Infância Juventude (CIJ) do TJMT, Túlio Duailibi Alves de Souza, mesmo após décadas de sua vigência, o ECA ainda carece de compreensão por grande parte da população brasileira.
“Essa compreensão passa, necessariamente, pelo entendimento de que é preciso respeitar a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento e, em razão disso, garantir o real alcance das políticas públicas formuladas para assegurar o princípio da proteção integral, estabelecido na Constituição Federal”, afirma o juiz, complementando que para concretizar esse princípio constitucional é preciso respeitar também o princípio da prioridade absoluta dessa parcela da população.
Vanguarda para o mundo
Ao classificar o ECA como um marco para a proteção de crianças e adolescentes no Brasil, o juiz Tiago Abreu ressalta que poucos países possuem uma legislação voltada especificamente para a proteção de crianças e adolescentes. “Pouquíssimos países no mundo têm uma legislação tão específica e tão detalhada como é o ECA”, afirma.
A juíza Anna Paula Gomes de Freitas enfatiza que essa escolha feita pelo Estado brasileiro está alicerçada na Constituição Federal de 1988 e classifica a Lei nº 8.069/1990 como “um importante avanço civilizatório” ao reconhecer que crianças e adolescentes possuem necessidades próprias e merecem proteção integral e prioridade absoluta. “Em comparação com diversos países, o Brasil possui um marco legal amplo e sistematizado, que fortalece as políticas públicas e orienta a atuação integrada da rede de proteção. Ao Judiciário cabe aplicar essa legislação, assegurando que esses direitos sejam efetivamente concretizados”, assevera.
Atuação do Judiciário de Mato Grosso
Ao apontar a responsabilidade do Poder Judiciário em aplicar a lei, a juíza Anna Paula Gomes de Freitas elenca diversas ações executadas pela Justiça mato-grossense, como o aperfeiçoamento dos fluxos de tramitação dos processos envolvendo crianças e adolescentes, o incentivo ao cumprimento das metas nacionais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o fortalecimento das audiências concentradas para reavaliação da situação de crianças acolhidas institucionalmente e o acompanhamento permanente dos processos de adoção e acolhimento familiar.
A juíza auxiliar da CGJ destaca ainda a atuação integrada com os demais órgãos da rede de proteção, buscando reduzir a revitimização, conferir maior efetividade às decisões judiciais e garantir respostas mais rápidas às situações de vulnerabilidade, além do investimento contínuo na capacitação de magistrados e servidores, na padronização de procedimentos e na utilização de ferramentas tecnológicas para qualificar a prestação jurisdicional e ampliar a proteção de crianças e adolescentes.
“A Justiça de Mato Grosso tem desenvolvido um trabalho consistente de fortalecimento da política judiciária voltada à infância e juventude, especialmente por meio da atuação das unidades de Primeiro Grau. Embora os desafios permaneçam, observa-se um avanço significativo na construção de uma atuação cada vez mais humanizada, eficiente e comprometida com a efetivação dos direitos previstos no Estatuto”, comenta a juíza Anna Paula.
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Autor: Celly Silva
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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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