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PIB da cadeia da soja e do biodiesel cresce mais de 10% em 2025 e impulsiona empregos, renda e exportações

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PIB da cadeia da soja e do biodiesel deve crescer 10,91% em 2025

Segundo estudos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia da soja e do biodiesel deve registrar um crescimento expressivo de 10,91% em 2025. O setor deve representar 21,7% do PIB do agronegócio nacional e 6,4% do PIB total brasileiro, alcançando R$ 820,9 bilhões.

A expansão é puxada por uma safra recorde de soja, estimada pela Abiove em 169,7 milhões de toneladas, e por um aumento no processamento da oleaginosa, especialmente após a aprovação da mistura B15 de biodiesel ao diesel.

Segmentos em destaque: soja, biodiesel e agrosserviços

O crescimento do PIB está dividido da seguinte forma:

  • Soja (dentro da porteira): alta de 24,11%
  • Agrosserviços: crescimento de 8,24%
  • Agroindústria: expansão de 3,21%
  • Insumos: aumento de 3,17%

Na agroindústria, o maior destaque é o biodiesel, com alta de 5,76%, seguido por rações (2,96%) e esmagamento/refino (2,87%). A aprovação da mistura B15 para agosto de 2025 estimulou uma perspectiva positiva para o setor.

Renda do setor cresce após três anos de queda

Apesar da queda de preços ao longo do primeiro trimestre, os valores ainda ficaram acima dos registrados no mesmo período de 2024. O resultado disso foi uma elevação de 18,24% na renda da cadeia produtiva em 2025, revertendo um ciclo de três anos consecutivos de retração.

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A soja em grão teve impulso de produção e preço, enquanto o biodiesel foi beneficiado tanto pelo aumento de produção quanto pela valorização em relação ao óleo de soja, seu principal insumo.

Processar soja gera 4,4 vezes mais PIB do que exportar in natura

O estudo Cepea/Abiove revela que o processamento da soja dentro do país gera um PIB quatro vezes maior que a exportação direta do grão. Para cada tonelada de soja:

  • PIB gerado na produção/exportação direta: R$ 2.160
  • PIB gerado com processamento na agroindústria: R$ 7.269
  • Multiplicador total: 4,36 vezes mais valor agregado
Emprego: mais de 2,44 milhões de pessoas ocupadas

A cadeia da soja e do biodiesel empregou 2,44 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2025, crescimento de 7,46% em relação ao mesmo período de 2024. O número representa 10,4% da população ocupada no agronegócio e 2,38% da ocupação total no país.

Destaques por segmento:

  • Agrosserviços: +142 mil vagas
  • Soja (produção): +23 mil
  • Insumos: +6 mil
  • Rações: +4,8 mil
  • Biodiesel: +270
  • Agroindústria (esmagamento): queda de 7,3 mil
  • Processamento também gera mais empregos: 4,3 vezes mais

Além do valor agregado, o processamento da soja gera significativamente mais empregos. Para cada mil toneladas:

  • Produção agrícola gera: 6,4 empregos
  • Processamento industrial gera: 21 empregos
  • Multiplicador de empregos: 4,27 vezes mais com industrialização
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Rendimento médio se mantém estável

O rendimento médio real dos trabalhadores da cadeia da soja e do biodiesel permaneceu praticamente estável (+0,04%), atingindo R$ 3.544 no primeiro trimestre de 2025. No entanto, houve variações entre os segmentos:

  • Alta nos salários: soja (+1,88%) e esmagamento (+5,39%)
  • Queda: biodiesel (-15,18%), agroindústria geral (-6,03%) e insumos (-4,02%)
  • Estabilidade: agrosserviços (+0,08%)
Exportações crescem em volume, mas recuam em valor

As exportações da cadeia somaram 27,91 milhões de toneladas no 1º trimestre de 2025, um crescimento de 1,15% em volume. Porém, o valor total caiu 11,46%, fechando em US$ 11 bilhões, devido à queda nos preços internacionais.

Preço médio por tonelada exportada:

  • Soja em grão: US$ 392,03 (-11,12%)
  • Farelo de soja: US$ 351,79 (-24,85%)
  • Óleo de soja: US$ 1.026,65 (+6,93%)
Principais destinos das exportações brasileiras
  • Soja em grão: China, com aumento de 6,7% no volume importado
  • Farelo de soja: União Europeia e Sudeste Asiático impulsionaram os embarques
  • Óleo de soja: Índia respondeu por 67,74% das compras brasileiras

A cadeia da soja e do biodiesel se consolida como um dos pilares do agronegócio brasileiro em 2025. Com forte expansão de produção, mais valor agregado com o processamento e aumento do emprego, o setor também amplia sua relevância no cenário internacional — mesmo em um ambiente de preços pressionados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Queda no preço das terras em Goiás expõe desafios financeiros e novo cenário do agronegócio brasileiro

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O agronegócio de Goiás, um dos mais relevantes polos de produção agropecuária do Brasil, enfrenta um momento de transformação marcado pela desvalorização das terras rurais, aumento do endividamento e pressão crescente sobre a rentabilidade do produtor. O cenário revela um novo equilíbrio no campo, em que escala produtiva já não garante estabilidade financeira.

A avaliação é de Fernando Liani, sócio da KPMG e líder do escritório da empresa em Goiânia. Segundo ele, a recente queda nos preços das propriedades rurais evidencia fragilidades estruturais que vêm ganhando força no setor agropecuário goiano.

“Mesmo operando com eficiência técnica, parte relevante dos produtores enfrenta margens comprimidas, acesso limitado a financiamento e crescente instabilidade financeira”, analisa Fernando Liani ao abordar o atual momento do agro em Goiás.

Goiás consolidou protagonismo no agronegócio brasileiro

Nas últimas décadas, Goiás ampliou sua relevância nas cadeias de:

  • grãos;
  • carnes;
  • leite;
  • algodão.

O crescimento foi impulsionado principalmente pela combinação entre:

  • expansão da escala produtiva;
  • adoção tecnológica;
  • ganhos de produtividade;
  • evolução dos sistemas de rastreabilidade.

Esse avanço consolidou o estado como um importante fornecedor tanto para o mercado interno quanto para o comércio internacional, especialmente nas exportações de commodities agrícolas.

Segundo Fernando Liani, a forte demanda externa, principalmente da China, ajudou a sustentar o crescimento do agro goiano nos últimos anos.

Desvalorização das terras rurais acende alerta no setor

Apesar do desempenho produtivo, o setor enfrenta uma deterioração financeira crescente.

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De acordo com a análise de Fernando Liani, propriedades rurais em Goiás vêm sendo negociadas por valores significativamente abaixo dos registrados em ciclos anteriores. Em alguns casos, os preços atuais se aproximam da metade dos valores históricos observados no mercado de terras agrícolas.

O movimento está relacionado a fatores como:

  • aumento do endividamento rural;
  • juros elevados;
  • restrição ao crédito;
  • crescimento das recuperações judiciais no campo;
  • pressão sobre margens operacionais.

A queda no valor das terras, tradicionalmente consideradas um dos principais ativos do produtor rural, reforça a preocupação com a sustentabilidade econômica da atividade agropecuária.

Dependência de commodities amplia vulnerabilidade do agro

Fernando Liani destaca que a elevada dependência de grandes compradores internacionais e de produtos com menor valor agregado aumenta a exposição do setor aos riscos globais.

Segundo ele, questões comerciais, sanitárias e regulatórias podem impactar diretamente a estabilidade financeira do agro brasileiro.

Nesse contexto, mercados mais exigentes, como a União Europeia, surgem como oportunidade de diversificação e agregação de valor, embora imponham exigências rigorosas relacionadas a:

  • sustentabilidade;
  • rastreabilidade;
  • origem da produção;
  • conformidade ambiental.
Tecnologia e rastreabilidade ganham papel estratégico

O especialista avalia que Goiás avançou significativamente em soluções de controle e monitoramento da produção agropecuária.

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Entre os destaques estão:

  • integração lavoura-pecuária;
  • sistemas digitais de monitoramento;
  • protocolos sanitários;
  • rastreabilidade bovina;
  • adequação a programas como o SISBOV e o protocolo “Boi China”.

Segundo Fernando Liani, ferramentas como:

  • blockchain;
  • inteligência artificial;
  • plataformas avançadas de rastreabilidade;
  • podem se tornar fundamentais para ampliar competitividade, reduzir custos e facilitar acesso a mercados premium.

Essas tecnologias também podem contribuir para uma distribuição mais equilibrada de valor ao longo da cadeia produtiva.

Equidade de valor será decisiva para futuro do agro

Na avaliação do sócio da KPMG, um dos principais desafios do agro brasileiro está na fragmentação da cadeia produtiva, que dificulta uma divisão mais equilibrada dos ganhos entre produtores, indústria e exportadores.

Para Fernando Liani, o futuro do agronegócio goiano dependerá menos da capacidade de produzir em larga escala e mais da habilidade de adaptação às novas exigências do mercado global.

“A estabilidade dependerá de uma diversificação comercial mais inteligente, enquanto a sustentabilidade econômica passa, inevitavelmente, pela equidade de valor”, afirma Fernando Liani.

O especialista conclui que o atual cenário representa um ponto de inflexão para o agro brasileiro, exigindo maior coordenação entre os elos da cadeia, inovação tecnológica e capacidade de resposta rápida diante das mudanças regulatórias e econômicas globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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