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Cecafé se posiciona contra taxação de 50% dos EUA sobre cafés brasileiros e busca negociação para isenção

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Taxação confirmada pelo governo dos EUA

Com a assinatura da ordem executiva pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 30 de julho, foi oficializada a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos norte-americanos, incluindo o café.

Diante desse cenário, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) anunciou que continuará as negociações com seus parceiros nos EUA, como a National Coffee Association (NCA), visando a inclusão do café brasileiro na lista de exceções da tarifa norte-americana.

Relevância comercial entre Brasil e Estados Unidos

A relação comercial de café entre Brasil e EUA é estratégica para ambos os países. Os cafés brasileiros representam mais de 30% do mercado de café nos Estados Unidos, configurando-se como o principal fornecedor da bebida ao país.

Por sua vez, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de café, respondendo por 16% do total.

Importância do café para a economia americana

O café é uma bebida de grande relevância para o consumo e a economia dos EUA:

  • 76% da população norte-americana consome café;
  • O gasto anual com café e produtos relacionados ultrapassa US$ 110 bilhões (média de US$ 301 milhões por dia);
  • O setor de café representa mais de 8% do valor da indústria de serviços alimentícios no país, segundo estudo da Technomic encomendado pela NCA em 2022;
  • A indústria cafeeira gera mais de 2,2 milhões de empregos, com salários que somam mais de US$ 101 bilhões, beneficiando diversas regiões e comunidades locais;
  • A cada US$ 1 importado em café, outros US$ 43 são movimentados na economia americana, totalizando US$ 343 bilhões anuais, o que equivale a 1,2% do PIB dos EUA.
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Impactos da taxação para consumidores e setor

O Cecafé alerta que a taxação de 50% provocará um aumento expressivo nos preços do café nos Estados Unidos, gerando pressão inflacionária que será repassada ao consumidor final no momento da compra.

Por essa razão, a entidade reafirma seu compromisso em intensificar o diálogo com autoridades e parceiros norte-americanos para reverter ou, ao menos, conseguir a exclusão do café brasileiro da lista de produtos tributados.

Posicionamento oficial do Cecafé

Em nota assinada por Márcio C. Ferreira, presidente do Conselho Deliberativo, e Marcos A. Matos, diretor-geral do Cecafé, a entidade reforça a importância do café para ambas as nações e destaca a necessidade da revisão da decisão:

“Diante da relevância do café aos consumidores e à economia norte-americana, entendemos que se faz necessária a revisão da decisão de taxar os cafés do Brasil – ato que implicará elevação desmedida de preços e inflação, uma vez que esses tributos serão repassados à população americana no ato da compra –, medida pela qual seguiremos trabalhando junto a nossos parceiros nos Estados Unidos, de maneira que consigamos lograr êxito no sentido de, ao menos, o café ser incluído entre os produtos que fiquem isentos da tributação de 50%.”

O Cecafé permanece ativo nas negociações com o governo dos Estados Unidos, buscando garantir que o café brasileiro mantenha sua competitividade no maior mercado consumidor mundial e evite prejuízos econômicos e inflacionários para produtores e consumidores.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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