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Chico Rodrigues vê ‘oportunidade’ em crise diplomática com os EUA

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Em pronunciamento nesta segunda-feira (4), o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) alertou para a gravidade da atual crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, provocada por barreiras comerciais impostas de forma unilateral pelo governo norte-americano. O parlamentar criticou as tarifas de até 50% aplicadas sobre produtos brasileiros — como café, carne, pescado e frutas — e também defendeu uma nova agenda para o país, com foco no desenvolvimento sustentável e na valorização de recursos estratégicos nacionais.

Segundo o senador, embora negociações tenham servido para isentar grande parte da pauta de exportações brasileiras das tarifas, a maior parte dos produtos de alto valor agregado continua penalizada. Para ele, a política externa dos EUA trata o Brasil como um “fornecedor periférico”, em contraste com a postura adotada nas negociações com países como a China, com quem Washington mantém diálogo mesmo em meio a embargos.

— O Brasil, que [tem] uma relação diplomática há mais de 200 anos com os Estados Unidos, precisa que o governo americano tenha a compreensão de que o Brasil é um parceiro estratégico. A postura americana nas negociações com a China nos ensina que, na geopolítica dos recursos, quem não reconhece o valor de suas riquezas e não as transforma em trunfo acaba sendo refém de imposições.

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Rodrigues avaliou que a crise revela uma oportunidade para o Brasil: a exploração de seus minerais críticos. O senador lembrou que o Brasil possui boas reservas de minerais como terras-raras, nióbio e lítio, usados em tecnologias de ponta, mas não está inserido na produção global.

— O Brasil é uma potência mineral adormecida. O potencial de novas descobertas em solo brasileiro é muito grande. Quem detém o controle [desses minerais] detém também a capacidade de moldar o futuro tecnológico do mundo — afirmou.

Rodrigues defendeu a criação de um novo marco legal para o setor mineral estratégico, que una proteção ambiental, segurança jurídica e visão de futuro. Para contribuir com esse avanço, ele destacou o projeto de sua autoria que cria a Política Nacional de Fomento ao Desenvolvimento Tecnológico da Cadeia Produtiva dos Minerais Componentes dos Elementos Terras-Raras (PL 2.210/2021). O projeto está em discussão na Comissão de Meio-Ambiente (CMA).

Camily Oliveira, sob supervisão de Rodrigo Baptista.

 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Comissão aprova projeto com programa de emprego e formação para jovens indígenas

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A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou proposta que cria programa de emprego e formação para jovens indígenas.

O programa prevê incentivos à contratação, qualificação profissional e acesso a políticas públicas de desenvolvimento socioeconômico para indígenas entre 18 e 29 anos.

A identificação dos beneficiários será feita por autodeclaração e reconhecimento pela própria comunidade, respeitando o princípio da autodeterminação dos povos indígenas.

Objetivos principais
O programa tem quatro objetivos centrais:

  • estimular a contratação de jovens indígenas por órgãos públicos federais e empresas privadas;
  • fomentar a qualificação técnica e profissional por meio de cursos gratuitos em parceria com entidades públicas e serviços sociais autônomos;
  • contribuir para a autonomia econômica das comunidades indígenas, com respeito à identidade cultural; e
  • ampliar o acesso a políticas de empregabilidade em regiões com alta concentração de população indígena.

Incentivos às empresas
As empresas privadas que aderirem ao programa e comprovarem a contratação de jovens indígenas terão direito a:

  • redução de 50% da contribuição patronal à Previdência Social sobre o salário do jovem contratado, por até 36 meses;
  • prioridade na participação em programas e editais federais de inovação e desenvolvimento regional;
  • preferência de contratação em licitações públicas, como critério de desempate (quando as propostas forem iguais ou até 10% superiores à mais bem classificada);
  • isenção de taxas federais para registro e regularização trabalhista do jovem contratado.
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O benefício fiscal de redução da contribuição patronal depende de prévia estimativa de impacto orçamentário e de medidas de compensação, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os editais de licitação para contratação de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra também poderão prever o emprego de jovens indígenas.

Inclusão produtiva
O texto aprovado é um substitutivo da Comissão de Trabalho ao Projeto de Lei 3940/25, do deputado Defensor Stélio Dener (União-RR).

A relatora, deputada Dandara (PT-MG), afirmou que o Censo 2022 apontou uma sub-representação da população indígena ocupada e com rendimentos do trabalho. Além disso, o rendimento médio dos indígenas ocupados é menor que os demais grupos étnico-raciais. “O projeto reconhece a situação dos jovens indígenas e propõe instrumentos concretos de inclusão produtiva, sem desconsiderar a diversidade cultural e os modos próprios de vida dessas comunidades”, disse.

Parcerias e regulamentação
A execução do programa contará com parcerias com institutos federais, universidades públicas, serviços sociais autônomos, organizações indígenas registradas e órgãos estaduais e municipais de emprego e desenvolvimento.

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O Poder Executivo será responsável por regulamentar o programa, definindo critérios de adesão das empresas, parâmetros de comprovação da identidade indígena e metas regionais conforme a concentração populacional e a taxa de desemprego entre jovens indígenas.

O texto aprovado determina que o tratamento de dados pessoais dos beneficiários – incluindo informações sensíveis sobre origem étnica e cultural – seguirá as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei 13.709/18).

Acesso à informação
O projeto também garante aos trabalhadores indígenas o acesso a informações claras sobre seus direitos trabalhistas, respeitando suas especificidades culturais e linguísticas.

Sempre que possível, as ações de orientação serão feitas em cooperação com lideranças e organizações indígenas, com uso de materiais bilíngues adaptados às realidades locais.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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