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Polícia Civil prende dois investigados por crimes contra mulheres em Rondonópolis em menos de 24 horas

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A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Rondonópolis (220 km de Cuiabá), realizou, nessa quinta e sexta-feira (7 e 8.8), duas prisões, em menos de 24 horas, de homens envolvidos em crimes contra mulheres em Rondonópolis. As prisões são parte das ações da Operação Shamar 2025, que intensifica o combate à violência contra a mulher em todo o país.

A primeira prisão ocorreu na tarde dessa quinta-feira (7), em apoio à Delegacia de Sorriso. Um homem, de 32 anos, foragido da Justiça, foi localizado e preso em Rondonópolis. Ele teve a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara Criminal de Sorriso pelos crimes de sequestro, cárcere privado e tortura contra sua companheira, de 36 anos.

Os crimes ocorreram em fevereiro deste ano. A vítima procurou a Delegacia de Sorriso relatando que havia sido brutalmente agredida com socos e chutes, especialmente na região da cabeça, enforcada e impedida de sair de casa.

Ela afirmou ainda que o agressor também empurrou o filho do casal, de apenas 4 anos. Segundo a vítima, as agressões e ameaças se prolongaram durante toda a noite, e, no dia seguinte, ela precisou fugir com o filho pulando a janela da residência.

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Ao buscar ajuda em um comércio vizinho, foi perseguida pelo agressor, que tentou invadir o local e só foi contido pelos funcionários do estabelecimento, que acionaram a polícia.

Violência sexual

Já na manhã desta sexta-feira (8), os policiais da DEDM cumpriram um segundo mandado de prisão preventiva, desta vez contra um homem de 44 anos.

A ordem judicial foi expedida pela Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Rondonópolis. O preso é acusado de estupros ocorridos em 2009.

À época, a vítima tinha 15 anos e a mãe denunciou à polícia que o agressor, então com 28 anos e casado com a tia da jovem, tentou abusar sexualmente da adolescente em pelo menos três ocasiões.

A mais grave teria ocorrido em um matagal próximo ao Estádio Municipal Luthero Lopes, onde o suspeito simulou estar passando mal, tirou a roupa e tentou estuprar a vítima, que conseguiu escapar.

As outras duas tentativas ocorreram em residências de familiares, onde o suspeito usou de artifícios para atrair e forçar contato físico com a adolescente.

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De acordo com a denúncia, o homem era de confiança da família e, inclusive, a levava à escola como mototaxista. Após os abusos, a vítima recusou-se a manter qualquer contato com ele.

As prisões fazem parte das ações da Operação Shamar 2025, uma mobilização nacional das forças de segurança em alusão aos 19 anos da promulgação da Lei Maria da Penha. A campanha, promovida no mês de agosto, conhecido como “Agosto Lilás”, visa reforçar medidas de prevenção, repressão e acolhimento às vítimas de violência doméstica e sexual.

“A Polícia Civil reforça o compromisso de atuar com rigor em casos de violência contra a mulher, assegurando a responsabilização dos agressores e proteção das vítimas”, disse o delegado Fernando Fleury.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá

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A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.

Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.

A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.

“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela

Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.

“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.

Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.

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“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.

Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola

A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.

“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.

Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.

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O que diz a lei e o papel da escola

O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.

De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).

Prevenção como projeto de Estado

Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.

Serviço

Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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