MATO GROSSO
Agentes de saúde são capacitados para atuar no enfrentamento à violência doméstica em Colíder
MATO GROSSO
Agentes comunitários de saúde participaram, na tarde de quarta-feira (13 de agosto), no Fórum da Comarca de Colíder, de uma capacitação voltada para aprimorar o atendimento e a identificação de casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. A iniciativa integra a campanha Agosto Lilás e contou com o apoio da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica de Colíder e de Nova Canaã do Norte.
A ação foi articulada pela juíza Paula Tahiana Pinheiro, diretora do Foro de Colíder e coordenadora das redes de enfrentamento das duas comarcas. “A ação de hoje está diretamente ligada à campanha ‘Agosto Lilás’. Fico muito feliz com o apoio oferecido pela Rede e pela Diretoria de Foro de Colíder para a capacitação das agentes de saúde de Nova Canaã do Norte. Nossa gratidão à Polícia Civil, Polícia Militar e à psicóloga do juízo, Ângela Manica, que prontamente aceitaram contribuir. Esperamos que as mulheres saibam que não estão sozinhas e que estamos trabalhando juntos em busca de um melhor atendimento”, afirmou.
Durante a capacitação, foram abordados temas como notificação compulsória, segurança e preservação da pessoa denunciante, acolhimento humanizado e protocolos de atendimento às vítimas.
A psicóloga Ângela Cielo Manica destacou a importância de qualificar os profissionais para identificar sinais e agir com segurança. “Trabalhei o perfil da vítima e do agressor, o ciclo da violência, os tipos previstos na Lei Maria da Penha e as consequências dessa realidade. Formações como esta fortalecem a capacidade técnica e humana dos profissionais, garantindo que a vítima seja amparada e protegida em todas as etapas do atendimento.”
A sargento da Polícia Militar, Cléia Costa Monteiro, ressaltou a relevância da integração entre diferentes áreas no combate à violência doméstica. “É fundamental conhecermos os protocolos de atendimento, orientar, acolher e, principalmente, incentivar as mulheres a quebrarem o ciclo da violência. Parabenizo toda a Rede de Enfrentamento e a magistrada Dra. Paula, pela realização dessa capacitação.”
O delegado titular de Colíder, Adam Marx Ximenes Coelho, enfatizou o papel da Polícia Judiciária não apenas na repressão, mas também na prevenção. “Temos o dever de conscientizar os agentes públicos, neste caso, os agentes de saúde, sobre a importância da notificação como instrumento fundamental para a proteção da mulher.”
“Agradecemos imensamente à Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar de Nova Canaã do Norte pela valiosa capacitação promovida durante a campanha Agosto Lilás, voltada às Agentes Comunitárias de Saúde. Essa iniciativa reforça o compromisso coletivo com a proteção das mulheres, o enfrentamento à violência e a construção de uma rede de apoio cada vez mais forte e preparada para acolher, orientar e agir”, agradeceu a servidora da Secretaria Municipal de Saúde, Lucimara Fidelis.
A capacitação integra as ações do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher, reforçando a rede de proteção e o compromisso das instituições com o acolhimento e a segurança das vítimas.
MATO GROSSO
Com apoio da Fapemat, pesquisadores desenvolvem fertilizante sustentável a partir de cinza vegetal em Rondonópolis
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
Benefícios ambientais e econômicos
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
Fonte: Governo MT – MT
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