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Agronegócio questiona metas do Plano Clima e governo admite necessidade de ajustes

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O Plano Setorial de Agricultura e Pecuária, componente da Política Nacional sobre Mudança do Clima, o chamado “Plano Clima”, voltou a gerar debates acalorados entre representantes do agronegócio e do governo. O principal ponto de tensão está na forma como o plano contabiliza as emissões e remoções de carbono, que, segundo o setor, não refletem com precisão a dinâmica das propriedades brasileiras. As metas de mitigação, que estabelecem compromissos do Brasil entre 2024 e 2035 no âmbito do Acordo de Paris, estão no centro das críticas.

Na semana passada, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) classificou o plano como “autossabotagem” e apontou que os números oficiais ignoram o efeito positivo de práticas como recuperação de pastagens, reflorestamento e preservação de vegetação nativa.

A reação do setor motivou integrantes do governo a admitir, pela primeira vez, que há falhas na metodologia do inventário nacional de emissões e que o plano pode passar por revisão. Por isso, foi criado um grupo técnico dentro do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima para estudar ajustes nos cálculos, embora ainda não exista prazo para a conclusão do trabalho.

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Produtores rurais alertam que o plano atribui ao setor responsabilidades sobre emissões que não estão sob seu controle, incluindo o desmatamento legal e ilegal, que representa cerca de 70% das emissões de Uso da Terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas (LULUCF). Segundo o setor, essa metodologia transfere para os agricultores funções que cabem a órgãos públicos, como autorização e fiscalização de áreas de desmatamento.

O texto do governo prevê também o fim do desmatamento legal até 2030 e sugere mecanismos para remunerar quem mantém áreas preservadas. Entre as medidas em análise estão a regulamentação do mercado de carbono, fundos para recuperação de áreas degradadas, linhas de crédito com juros reduzidos e incentivos financeiros para propriedades que mantêm vegetação nativa.

O governo reforça que a inclusão das emissões do setor agropecuário no cálculo total tem caráter de monitoramento de políticas públicas e não constitui obrigação legal vinculante. Mesmo assim, produtores alertam que a atual metodologia pode impactar a imagem do agronegócio brasileiro no exterior, especialmente em mercados que acompanham de perto as questões ambientais do país.

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Fonte: Pensar Agro

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Custo oculto do trator pode consumir parte da renda da safra

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Com as máquinas no campo para o plantio da safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chama a atenção para um custo que nem sempre aparece nas contas da propriedade. Além do diesel, o cálculo da hora trabalhada pelo trator deve incluir depreciação, manutenção, seguro, mão de obra e o capital investido no equipamento.

A metodologia da Conab e estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) consideram despesas fixas e variáveis para determinar o custo da hora-máquina. Quando parte desses gastos é ignorada, o trator pode parecer econômico mesmo reduzindo a margem da atividade.

O impacto é maior quando o equipamento trabalha poucas horas por ano. Depreciação, seguro e capital imobilizado continuam pesando sobre a propriedade, mas passam a ser divididos por um período menor de utilização. A conta ajuda a decidir entre manter ou trocar a máquina, compartilhá-la com vizinhos ou contratar o serviço.

A depreciação corresponde à perda de valor durante a vida útil. Em uma simulação, um trator comprado por R$ 200 mil e vendido dez anos depois por R$ 80 mil terá perdido R$ 120 mil, o equivalente a R$ 12 mil por ano.

Com 500 horas anuais de trabalho, a depreciação será de R$ 24 por hora. Se o uso cair para 250 horas, o valor subirá para R$ 48 por hora. A diferença mostra por que a ociosidade pode tornar uma máquina cara mesmo sem aumentar o consumo de combustível.

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O diesel é calculado pela multiplicação do consumo horário pelo preço do litro. Um trator que utiliza oito litros por hora, com combustível a R$ 6, terá uma despesa de R$ 48 por hora.

Na simulação, ao acrescentar R$ 28 referentes à manutenção e ao operador, os custos variáveis chegam a R$ 76 por hora. Somados aos R$ 24 da depreciação, o resultado é de R$ 100. O cálculo simplificado ainda não inclui seguro, juros, lubrificantes e o custo do capital próprio.

Cada produtor deve substituir os valores do exemplo pelos números da propriedade. Preço de compra, possível valor de revenda, vida útil, horas trabalhadas, consumo de combustível e histórico de manutenção alteram o resultado.

O horímetro do painel é a referência mais segura para medir o uso. A marcação pode ser registrada antes e depois de cada operação ou no fechamento do mês. Notas fiscais e ordens de serviço também ajudam a calcular os gastos reais com peças, pneus e oficina.

Com o custo apurado, é possível compará-lo com o preço cobrado por prestadores da região. A terceirização tende a ser mais vantajosa quando o trator permanece parado durante grande parte do ano, desde que o serviço esteja disponível dentro da janela adequada. Um atraso no plantio, na pulverização ou na colheita pode gerar perda superior à economia obtida.

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Compartilhar a máquina ou prestar serviços a propriedades vizinhas também pode aumentar o número de horas trabalhadas e diluir os custos fixos. Já a compra de um equipamento novo só se justifica quando a economia operacional e o ganho de capacidade compensam o investimento.

Regulagem e condução completam a conta. Pressão inadequada dos pneus, excesso de lastro e incompatibilidade entre trator e implemento aumentam a patinagem, o consumo e o desgaste. A manutenção preventiva, por sua vez, reduz o risco de paralisações nos períodos mais importantes da safra.

O cálculo deve ser atualizado quando houver mudanças relevantes no preço do diesel, nos juros, nos salários ou nas despesas de manutenção. A calculadora oferece uma estimativa para orientar a decisão, mas o resultado mais confiável depende dos registros financeiros e operacionais da própria fazenda.

Serviço

A metodologia utilizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com os critérios para o cálculo dos custos de máquinas agrícolas, pode ser consultada clicando aqui.

Fonte: Pensar Agro

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