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I Festival do Pescado Artesanal apresenta sabores da culinária tradicional pesqueira

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Com a finalidade de compreender o entendimento da comunidade acadêmica sobre o projeto ““RU: na hora do pescado artesanal”, foi realizado o I Festival do Pescado Artesanal, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no dia 30 de setembro. A iniciativa é fruto das ações do Programa Povos da Pesca Artesanal do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em parceria com a UFRPE, através do Departamento de Pesca e Aquicultura (DEPAq).

No Festival, foi instaurado um espaço de degustação de caldeirada de mariscos e sururu, preparados com produtos oriundos da pesca artesanal, a partir de técnicas tradicionais e saberes da comunidade pesqueira local. Os presentes também preencheram um formulário de pesquisa relacionado à relevância da inserção do pescado artesanal no cardápio do restaurante universitário da UFRPE, elaborado pela equipe do projeto.

A professora do curso de Engenharia de Pesca da UFRPE e coordenadora acadêmica do projeto, Ilka Branco, destaca que o projeto tem o objetivo de desenvolver ações de extensão pesqueira com recorte interdisciplinar para os integrantes das colônias de pesca e seus associados em Pernambuco. “As ações incluem qualificações, oficinas e assistência técnica sistemática, com foco na adequação às exigências sanitárias vigentes, visando a introdução dos produtos da pesca artesanal no mercado formal, inclusive nos restaurantes universitários da UFRPE e da UFPE”, destaca.

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“Essa iniciativa permitirá refeições de elevado nível nutricional para a comunidade universitária das duas instituições, ao mesmo tempo em que fortalece a cadeia produtiva do pescado artesanal. Os próximos passos do projeto envolvem a realização de ações conjuntas com a UFPE, diretamente nas colônias de pesca, além de uma robusta articulação institucional voltada à valorização cultural das comunidades pesqueiras por meio da compra direta para os Restaurantes Universitários de Pernambuco”, apresenta.

Segundo o diretor do Departamento de Inclusão Produtiva e Inovações do MPA, Diogo Nunes, o grande desafio é tornar esses projetos pilotos em política pública. “Está nas metas a ampliação do projeto para outras regiões, através do Acordo de Cooperação Técnica assinado com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS, buscando inclusive trazer inovação para os processos relacionados à complexa cadeia produtiva da pesca artesanal”. Ele ressalta ainda que o projeto na UFRPE conta com a participação e controle social, através de um Comitê de Acompanhamento no âmbito da Universidade.

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Sabores e saberes

O Festival do Pescado Artesanal representa mais que uma atividade gastronômica: é um movimento institucional que conecta saberes tradicionais a práticas de extensão pesqueira, promovendo inclusão, segurança alimentar e o fortalecimento da economia local.

O projeto “RU na hora do Pescado Artesanal”, realizado pela Secretaria Nacional da Pesca Artesanal do MPA, tem o objetivo de levar peixes e mariscos para os cardápios dos restaurantes universitários de todo o Brasil, incentivando o consumo do pescado artesanal e a geração de renda para muitas famílias tradicionais. Além disso, a proposta visa o fortalecimento cultural material e imaterial das comunidades ao valorizar as comidas tradicionais locais. A meta do projeto é atender, nos próximos anos, cerca de 10 mil pescadores e pescadoras e 100 mil estudantes de baixa renda das Universidades Federais.

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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