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25ª Conferência Internacional DATAGRO reúne setor sucroenergético e celebra 50 anos do Proálcool

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A 25ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol será realizada nos dias 20 e 21 de outubro, no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo. O encontro, promovido pela consultoria agrícola DATAGRO — presente em mais de 50 países — reunirá autoridades, empresários, pesquisadores e especialistas para discutir os rumos do setor sucroenergético e celebrar os 50 anos do Programa Nacional do Álcool (Proálcool).

Consolidado como o principal evento da cadeia de açúcar e etanol brasileira, o encontro terá como foco a análise da safra 2025/26 e o debate sobre oportunidades em meio a transformações econômicas, regulatórias e tecnológicas. Outro tema central será a transição energética, destacando o papel estratégico do Brasil na oferta de biocombustíveis de baixa intensidade de carbono.

Proálcool e legado do setor

Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO, ressalta a importância histórica e futura da conferência:

“Chegar a 25 edições consecutivas demonstra a vitalidade do debate e a relevância do setor para o país. Ao celebrarmos os 50 anos do Proálcool, olhamos para frente, avaliando como a experiência acumulada pode orientar políticas e consolidar mercados de baixo carbono.”

A programação contará com 12 painéis distribuídos ao longo dos dois dias. O primeiro dia será dedicado à história do setor, políticas públicas, evolução tecnológica e rotas de diversificação que incluem bioeletricidade, biogás, etanol de segunda geração, integração cana-milho, captura de carbono e combustível sustentável para aviação.

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Perspectivas do mercado e desafios globais

No segundo dia, os debates abordarão a safra brasileira, o mercado mundial, o papel do etanol na estabilização do açúcar, além de painéis sobre trading, inovação agrícola e novas soluções de financiamento. Participarão presidentes das principais companhias do setor, oferecendo insights sobre estratégias de produção, comercialização e sustentabilidade.

Segundo Nastari:

“Os próximos anos serão decisivos para o setor. A volatilidade dos preços, a dinâmica do comércio internacional e a busca por liquidez nos contratos futuros exigem maior integração entre produtores, indústria e mercado financeiro. A agenda de descarbonização coloca o Brasil em posição estratégica, conectando a experiência com biocombustíveis a soluções globais de mobilidade e energia.”

Formato híbrido e público esperado

A edição deste ano terá formato híbrido, permitindo a participação presencial e virtual. Em 2024, o evento reuniu mais de 1,3 mil inscritos de governos, empresas e instituições financeiras de mais de 20 países, consolidando a conferência como referência internacional no setor sucroenergético.

Ingressos

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor

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A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.

O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.

Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.

A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.

Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e  obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.

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O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.

Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.

As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.

A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.

O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.

As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.

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Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.

Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.

“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.

O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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