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Ministro Fávaro participa da inauguração do primeiro escritório da ApexBrasil na Índia

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Durante a missão presidencial à Índia, nesta sexta-feira (20), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou, ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, da inauguração do novo escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Nova Délhi. Trata-se do primeiro escritório da Agência no país e do 11º posto internacional da ApexBrasil. A iniciativa representa um avanço estratégico no fortalecimento das relações comerciais bilaterais entre Brasil e Índia.

Na solenidade, o ministro Carlos Fávaro destacou o momento positivo da economia brasileira, marcado por níveis recordes de investimentos e pela ampliação das oportunidades comerciais. “Nos últimos três anos, apenas os produtos da agropecuária brasileira alcançaram mais de 537 novos mercados. Isso significa mais oportunidades, crescimento, segurança e previsibilidade para os empresários brasileiros. A Apex teve papel fundamental nesse processo”, afirmou.

O ministro acrescentou que a atuação da Agência foi decisiva para reposicionar o Brasil no cenário internacional. “Vocês foram essenciais para que o país voltasse a apresentar suas oportunidades ao mundo. Quem colhe os frutos são os parceiros comerciais e os empresários brasileiros. A instalação de um escritório da Apex aqui, na Índia, é a garantia de que esse fluxo comercial e as oportunidades de negócios crescerão de forma exponencial”, ressaltou.

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A inauguração foi conduzida pelo presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, que destacou o ambiente favorável aos negócios no Brasil e o elevado potencial de crescimento do fluxo comercial entre Brasil e Índia. Segundo ele, a relação bilateral reúne condições para se tornar uma das mais dinâmicas da política comercial brasileira.

“O ministro Carlos Fávaro tem desempenhado um papel decisivo para que o Brasil ocupe espaços cada vez maiores no cenário internacional. Foram abertos mais de 530 mercados, resultado de um esforço do governo do presidente Lula, que contou com o envolvimento pessoal e permanente do ministro. A Apex também tem colaborado intensamente nesse processo, e nos sentimos honrados em celebrar este momento, que pode marcar o início de uma nova etapa da presença brasileira na Índia. O potencial do nosso fluxo de comércio com o país – o mais populoso do mundo – pode chegar a US$ 100 bilhões. Há uma sinergia muito grande entre as duas economias, e é esse propósito que vamos perseguir”, afirmou Viana.

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COMÉRCIO E INVESTIMENTOS: ÍNDIA

A abertura do escritório da ApexBrasil em Nova Délhi consolida uma presença permanente do Brasil em um mercado estratégico, ampliando o apoio às empresas nacionais interessadas em exportar, atrair investimentos e acompanhar, de forma mais próxima, as oportunidades geradas pelo dinamismo da economia indiana.

De acordo com o perfil de comércio e investimentos da Índia elaborado pela ApexBrasil, foram identificadas cerca de 378 oportunidades de exportação para o Brasil em setores como minerais, máquinas, alimentos, tecnologias em saúde e energias renováveis. Em 2025, as exportações brasileiras para a Índia atingiram um recorde histórico, somando US$ 6,9 bilhões, o maior valor registrado nos últimos vinte anos.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor

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A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.

O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.

Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.

A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.

Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e  obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.

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O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.

Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.

As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.

A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.

O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.

As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.

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Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.

Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.

“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.

O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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