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Entre a seca do Centro-Oeste e a chuva do Sul, safra 2025/26 avança acima da média

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O início da safra 2025/26 no Brasil reflete, mais uma vez, as diferenças climáticas que marcam o país e desafiam o planejamento do agronegócio. Enquanto produtores do Paraná e de Santa Catarina aproveitam o retorno das chuvas para acelerar o plantio da soja e do milho de verão, agricultores do Centro-Oeste e do Nordeste ainda aguardam a regularização do regime hídrico para colocar as máquinas no campo.

Segundo boletim divulgado nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cerca de 8,2% da área de soja prevista no país já foi semeada, avanço levemente superior ao registrado no mesmo período da safra passada.

O Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria da Agricultura do Paraná, informou que o estado lidera o plantio nacional, com 30% da área de soja já cultivada. O retorno das chuvas desde o fim de setembro ajudou a acelerar a semeadura e a garantir boa germinação.

No entanto, o excesso de precipitação em algumas regiões começa a preocupar, sobretudo onde o plantio foi mais adiantado. Em Santa Catarina, segundo o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), o avanço também é expressivo, com produtores adiantando o calendário para aproveitar a umidade do solo.

No Mato Grosso, principal produtor brasileiro, dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que 21,2% da área de soja já foi semeada até o dia 10 de outubro, percentual acima da média histórica e influenciado pelo retorno antecipado das chuvas em parte do estado.

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No Mato Grosso do Sul, porém, o ritmo é mais lento. Segundo o Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga-MS), administrado pela Aprosoja-MS, apenas 3,9% da área prevista havia sido plantada até esta semana. A irregularidade das chuvas, especialmente no sul do estado, levou produtores a adiar o início da semeadura.

Em Goiás e no Triângulo Mineiro, técnicos da Conab e consultores regionais apontam que o plantio começou de forma pontual, mas deve ganhar força na segunda quinzena de outubro, quando as frentes frias vindas do Sul devem estabilizar o regime de precipitações. No Matopiba, região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o cenário é de seca. Segundo informações da Embrapa Territorial, a ausência de chuvas consistentes impede o avanço do plantio, e o solo seco aumenta o risco de replantio nas áreas que tentaram antecipar o calendário.

Apesar das diferenças regionais, o setor mantém otimismo. Levantamento da consultoria 3Tentos, divulgado no início de outubro, estima que o Brasil possa colher até 180 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, o que superaria o recorde anterior. A Conab também projeta aumento de 3% na área plantada em relação à temporada anterior, sustentado pela retomada dos preços internacionais e pelo câmbio favorável às exportações.

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Meteorologistas, no entanto, alertam que o enfraquecimento do El Niño e a possível formação de um La Niña de intensidade leve podem trazer instabilidade ao regime de chuvas. O fenômeno tende a gerar precipitações irregulares no Centro-Oeste e estiagem prolongada no Nordeste, ao mesmo tempo em que pode provocar excesso de umidade no Sul, combinação que exige atenção redobrada no manejo e na aplicação de insumos.

O milho de primeira safra, cultivado paralelamente à soja, avança em ritmo mais forte. Segundo a consultoria AgRural, cerca de 40% da área prevista no Centro-Sul já foi plantada, com destaque para Paraná e Santa Catarina. Ainda assim, o cereal vem perdendo espaço para a oleaginosa, já que muitos produtores priorizam a soja e deixam o milho para a safrinha, que depende das chuvas do início de 2026.

Mesmo com custos de produção pressionados pela alta do dólar e juros elevados no crédito rural, o sentimento no campo ainda é de confiança. Se as chuvas se normalizarem nas próximas semanas, o Brasil pode repetir ou até superar o desempenho recorde da última temporada. Por enquanto, o clima dita o ritmo da safra: chove no Sul, seca no Nordeste, e o agronegócio avança no compasso da meteorologia.

Fonte: Pensar Agro

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Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne

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O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.

O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.

Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil

Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.

De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.

“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.

A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.

“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.

MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.

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A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.

No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.

Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate

Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.

As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.

Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.

“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.

Competitividade da carne brasileira pode ser impactada

O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.

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No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.

Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.

Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta

O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.

A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.

Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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