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Ceará articula criação do Conseleite com apoio do Sistema FAEP

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O Ceará avançou na articulação para implantar um Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite (Conseleite), modelo de referência de preços que já funciona em outros Estados e tem servido como parâmetro para reduzir conflitos entre elos da cadeia. O Sistema FAEP atua na mobilização e no diálogo com produtores e indústrias locais para adaptar a experiência bem-sucedida do Paraná à realidade cearense.

Conseleite Ceará: objetivo e benefícios para a cadeia do leite

A proposta de criação do Conseleite no Ceará tem como objetivo central estabelecer um canal permanente de negociação entre produtores e indústrias e oferecer uma referência de preço transparente para o leite como matéria-prima. Segundo líderes do setor, o mecanismo facilita o entendimento mútuo entre as partes e contribui para reduzir tensões relativas à formação de preço.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP, ressalta o papel do órgão no processo: “É uma ferramenta que está auxiliando todos os elos da cadeia produtiva do leite no Paraná há mais de 20 anos. Nosso foco, conforme demanda de outros Estados, é ajudar para que indústrias e produtores entendam a essência dessa ferramenta. É aí que entra nossa ajuda.”

Mobilização e expertise técnica do Sistema FAEP

O apoio do Sistema FAEP ao Ceará segue o mesmo roteiro usado em Estados que já implantaram o modelo — Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Minas Gerais. Ronei Volpi, consultor da diretoria do Sistema FAEP e fundador do Conseleite Paraná, destaca que a existência de um canal de diálogo efetivo entre produtores e indústrias é essencial para o equilíbrio do setor: “Isso é fundamental, pois sempre um irá depender do outro. Então, se existe um canal de diálogo, fica bom para ambos os lados.”

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Para a Federação da Agricultura do Ceará (Sistema Faec), representada por Francisco Almir Severo, a iniciativa é estratégica. Ele observa que, apesar de gerar muitos empregos no meio rural, o setor leiteiro enfrenta dificuldades históricas, sobretudo no que se refere à precificação. A mobilização via Sistema Faec levou produtores a solicitar formalmente o apoio técnico e operacional para a criação do Conseleite Ceará.

Como funciona o modelo do Conseleite Paraná (referência)

Criado em 2002, o Conseleite Paraná nasceu de um esforço conjunto do setor produtivo e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para enfrentar conflitos provocados por baixos preços pagos aos produtores. A metodologia — consolidada ao longo de mais de duas décadas — calcula preços de referência para o leite com base em uma cesta de produtos lácteos comercializados pelas indústrias.

O processo técnico envolve levantamento de dados comerciais no atacado realizado pelo Departamento de Economia Rural e Extensão (DERE/UFPR). A partir desses dados, que são tratados de forma sigilosa, calcula-se uma média ponderada dos itens monitorados (no Paraná, o cálculo considera 14 produtos; o número pode variar em outros estados). Essa média serve de base para o preço final de referência do leite como matéria-prima.

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Transparência e integridade do processo de cálculo

Um ponto-chave do modelo é a confidencialidade das informações. Os dados coletados pela UFPR não ficam acessíveis aos membros do Conselho, garantindo que o cálculo dos preços de referência ocorra com rigor técnico e isenção. Esse mecanismo busca assegurar credibilidade e reduzir questionamentos sobre manipulação ou favorecimento.

Próximos passos e expectativa do setor

Com o pedido formal dos produtores cearenses e o suporte do Sistema FAEP, o caminho agora é a mobilização local, realização de reuniões técnicas e o estabelecimento de um formato de conselho que atenda às particularidades do Estado. A expectativa é que o Conseleite Ceará possa, ao longo do tempo, oferecer uma referência de preço que melhore as negociações e reduza conflitos, beneficiando toda a cadeia produtiva e a população atendida pelo setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Bezerro exige 9,7 arrobas e impõe pior troca ao pecuarista desde 2021

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A compra de um bezerro passou a consumir o equivalente a 9,7 arrobas de boi gordo em setembro, reduzindo o poder de compra do pecuarista que precisa repor os animais destinados à engorda. É a relação de troca mais desfavorável desde outubro de 2021, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq-USP).

O cálculo considera a média dos indicadores até 22 de setembro. De um lado está o boi gordo negociado em São Paulo, com preço médio de R$ 350,30 por arroba. Do outro, o bezerro nelore de oito a 12 meses comercializado em Mato Grosso do Sul, cotado em R$ 3.399,04 por cabeça.

Os dois mercados se valorizaram no último ano, mas em velocidades diferentes. O preço real do boi gordo subiu 11,3% em relação a setembro de 2025, enquanto o bezerro avançou 13,6%. Os valores foram corrigidos pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de agosto.

Essa diferença tornou a reposição mais cara mesmo com a recuperação da arroba. Em setembro do ano passado, a compra de um bezerro exigia 9,51 arrobas de boi gordo. Em setembro de 2024, eram necessárias 8,21 arrobas.

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O patamar atual só fica abaixo do registrado em outubro de 2021, quando o pecuarista precisava destinar 10,27 arrobas para adquirir um animal de reposição. A média de 2026 está em 9,62 arrobas, também acima da média histórica de 7,90 arrobas registrada na série do Cepea iniciada em fevereiro de 2000.

A relação de troca mostra quanto da receita obtida com a venda do gado terminado precisa ser comprometida na compra do animal jovem. Quanto maior a quantidade de arrobas exigida, menor é a parcela que permanece disponível para cobrir alimentação, sanidade, mão de obra, transporte, financiamento e os demais custos da engorda.

A pressão recai principalmente sobre o pecuarista que não produz os próprios bezerros e depende do mercado para formar novos lotes. Nesse sistema, a reposição representa uma das principais despesas e pode definir a rentabilidade da operação meses antes da venda do boi terminado.

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Desde janeiro, a arroba paulista acumula valorização real de 7,2%. O bezerro sul-mato-grossense subiu 8,3% no mesmo intervalo. A oferta restrita de bovinos prontos para o abate sustentou o boi gordo, mas a menor disponibilidade de animais jovens e a demanda pela reposição deram mais força às cotações da cria.

A valorização do bezerro favorece o criador que comercializa animais jovens, mas aumenta o capital necessário para recriadores e terminadores recomporem o rebanho. O resultado econômico dependerá da capacidade de ganho de peso, do custo da alimentação e do preço obtido pelo boi gordo ao final do ciclo.

Com a reposição no nível mais caro em quase cinco anos, a alta da arroba já não garante, isoladamente, melhora de margem. Para o terminador, o resultado passa a depender cada vez mais da eficiência da engorda e do momento escolhido para comprar e vender os animais.

Os valores são parciais e ainda podem mudar até o fechamento de setembro.

Fonte: Pensar Agro

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