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Demanda firme, oferta curta e exportações mais competitivas animam produtores

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O mercado de milho encerrou novembro em trajetória de alta no Brasil, sustentado por demanda doméstica mais ativa e por uma oferta que se mantém limitada às vésperas do fim do ano. A combinação de compradores mais presentes, produtores retraídos e atenção crescente às condições climáticas formou o pano de fundo para o movimento altista observado nas principais praças acompanhadas por consultorias privadas.

O avanço dos preços ocorre em um momento de expectativa elevada em relação à entrada da safra 2025/26 no mercado internacional. As novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que a produção americana pode alcançar cerca de 425 milhões de toneladas, resultado de incremento de área e de um cenário de produtividade mais favorável. A revisão também contemplou exportações ajustadas para 78,1 milhões de toneladas e um aumento próximo de 40% nos estoques finais em relação ao ciclo anterior.

Essa combinação tende a manter os preços internacionais contidos. A forte produção chinesa e a menor necessidade de importações por parte da China adicionam pressão baixista, reduzindo o espaço para movimentos mais expressivos em Chicago. No curto prazo, portanto, o que sustenta o mercado brasileiro é o equilíbrio interno — e não o ambiente externo.

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O desenvolvimento da safra de soja cria o horizonte para a segunda safra de milho, e as diferenças regionais começam a se tornar evidentes. O Paraná mantém bom ritmo de plantio, assim como áreas do Mato Grosso. Goiás e Minas Gerais, porém, ainda buscam recuperar atrasos, enquanto Tocantins e Maranhão convivem com chuvas irregulares que tornam o planejamento mais complexo.

A relação de troca entre milho e fertilizantes melhorou ao longo de novembro, favorecida pela queda dos insumos, e reforça a disposição de produtores para ampliar áreas de safrinha — sobretudo onde o plantio da soja está adiantado. Nas regiões com atraso, o cenário deve ficar mais cauteloso: área potencialmente reduzida, menor intensidade tecnológica e investimentos mais seletivos. Mesmo assim, o milho continua sendo a alternativa mais sólida pela liquidez e pela previsibilidade de demanda.

No mercado físico, grandes consumidores indicam estoques suficientes para atravessar os primeiros meses de 2026, mas compradores de menor porte seguem ativos buscando volumes adicionais. A postura mais defensiva dos produtores limita a disponibilidade e mantém a curva de preços ascendente.

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A paridade de exportação do milho brasileiro teve leve melhora ao longo de novembro, movimentação favorecida por um câmbio que oscilou entre R$ 5,30 e R$ 5,40. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país exportou 3,939 milhões de toneladas até meados do mês, com preço médio de US$ 214,80 por tonelada. O valor embarcado somou R$ 4,568 bilhões, o que representa crescimento de 17% no valor médio diário frente a novembro de 2024. O volume médio diário subiu 13,1%, e o preço médio teve avanço de 3,4%.

O desempenho confirma a boa competitividade do milho brasileiro, mesmo diante de um mercado internacional moderado.

A média nacional da saca foi de R$ 65,91 no dia 28 de novembro, alta de 3,23% na comparação com outubro. O Sudeste e parte do Sul concentraram as maiores altas, reflexo de um consumo industrial consistente. A tendência de curto prazo permanece dependente do ritmo de plantio da soja e do comportamento climático nas próximas semanas, fatores que irão definir, com mais clareza, o tamanho e a competitividade da safrinha do próximo ano.

Fonte: Pensar Agro

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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