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Mato Grosso do Sul amplia produção de etanol e recebe maior planta de biometano do mundo
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A produção de etanol e açúcar em Mato Grosso do Sul deve atingir patamares recordes no ciclo 2025/2026. As projeções do setor indicam um volume de 4,7 bilhões de litros de etanol, um crescimento de 11% em relação à safra anterior, e 2,6 milhões de toneladas de açúcar, um avanço de 30%. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (26), durante a Expocanas, o maior evento do setor bioenergético no Estado.
O anúncio ocorreu diante de autoridades, prefeitos, lideranças do setor e do governador Eduardo Riedel, que também acompanhou a apresentação do investimento de R$ 350 milhões da Atvos na instalação da maior planta de biometano do mundo com origem em vinhaça. A unidade será construída em Nova Alvorada do Sul, município que sedia a Expocanas.
A nova planta faz parte da estratégia estadual de descarbonização, que visa expandir o uso de energias limpas e consolidar Mato Grosso do Sul como referência nacional no setor. Durante o evento, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, entregou a licença de instalação ao CEO da Atvos, Bruno Serapião.
Com 22 usinas em operação e cerca de 50 fornecedores de cana, Mato Grosso do Sul se destaca entre os principais produtores de energia renovável do Brasil. O setor emprega mais de 30 mil trabalhadores diretamente e está presente em 42 municípios. Atualmente, a bioenergia responde por 17% do PIB industrial estadual, com aproximadamente 800 mil hectares dedicados ao cultivo de cana-de-açúcar.
A Atvos, que opera em três municípios sul-mato-grossenses, reforça seu compromisso com a transição energética e o desenvolvimento regional por meio do novo projeto de biometano. “O Estado tem papel fundamental na construção de um futuro sustentável”, afirmou Bruno Serapião.
O governador Eduardo Riedel destacou que o investimento reflete a confiança no ambiente de negócios do Estado. “Criamos condições que estimulam a iniciativa privada. Quando uma empresa desse porte decide investir aqui, é porque acredita em nosso projeto de desenvolvimento”, declarou.
Produção histórica e perspectivas para 2026
Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul registrou uma produção recorde de 4,2 bilhões de litros de etanol, mantendo-se como o quarto maior produtor do país. Um dos destaques foi a participação crescente do etanol de milho, que representou 37% do total produzido.
Já a produção de açúcar alcançou 2 milhões de toneladas, com um leve aumento de 0,1%. Para o presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de MS), Amaury Pekelman, as perspectivas para a próxima safra são ainda mais promissoras. Ele ressaltou o papel estratégico do milho na matriz energética estadual e a resiliência do setor diante das adversidades climáticas. “O avanço tecnológico e o esforço conjunto das usinas permitiram que, mesmo com a redução na moagem de cana, os resultados fossem positivos”, avaliou. Entre os desafios futuros, ele mencionou a possível ampliação da mistura de etanol na gasolina para 30%.
Expocanas 2025: inovação e negócios para o setor bioenergético
Organizada pela Sulcanas, com apoio da Biosul e do Governo do Estado, a Expocanas 2025 reúne mais de 120 expositores em Nova Alvorada do Sul, polo nacional da cana-de-açúcar, com mais de 100 mil hectares destinados à cultura. O evento ocorre em uma área de 180 mil m², oferecendo campos demonstrativos, exposição de máquinas agrícolas e painéis voltados para inovação, sustentabilidade e manejo.
Com expectativa de atrair mais de 8 mil visitantes por dia, a feira deve superar os R$ 70 milhões em negócios registrados na edição anterior. A programação segue até esta quinta-feira (27).
Para Márcio Verrunes, presidente da Sulcanas, a união entre indústria e campo é essencial para o fortalecimento do setor. “A Expocanas mostra como inovação e investimento caminham juntos na produção de energia limpa e sustentável”, destacou.
Todas as usinas de bioenergia em operação no Estado são certificadas pelo RenovaBio, o maior programa de descarbonização da América Latina. Entre 2020 e 2024, a produção de etanol evitou a emissão de 13,7 milhões de toneladas de CO₂, o equivalente ao plantio de 89 milhões de árvores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro


