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Safra de inverno em Santa Catarina revela queda no trigo e avanço da aveia e cevada com maior rentabilidade

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A safra de cereais de inverno 2025/26 em Santa Catarina encerra o ciclo com resultados contrastantes entre as principais culturas. O trigo perdeu espaço, pressionado por preços baixos e menor atratividade econômica, enquanto a aveia e a cevada mostraram bom desempenho, consolidando-se como alternativas rentáveis e sustentáveis para o período de inverno.

De acordo com João Rogério Alves, analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, o trigo catarinense apresentou grãos de ótima qualidade, mas a área cultivada sofreu redução significativa. “A produção total deve cair 11,5%, somando cerca de 382 mil toneladas”, destaca Alves.

O analista explica que a pressão sobre o mercado vem da ampla oferta global e das expectativas de supersafra em países vizinhos, como a Argentina, o que deve manter os preços em baixa no curto prazo.

Preços do trigo seguem em queda

Os preços do trigo continuam em movimento de retração. Em novembro, o valor médio pago ao produtor catarinense caiu 2,37%, com a saca de 60 quilos cotada a R$ 62,20. No acumulado anual, a desvalorização chega a 13,44%, acompanhando a tendência internacional.

Conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o aumento da oferta global e o avanço das exportações mantêm as cotações sob pressão. A colheita do cereal já atingiu cerca de 75% da área cultivada no estado.

Para 2025/26, a estimativa é de redução de 14,5% na área plantada, totalizando 105,1 mil hectares. Mesmo com expectativa de ganho de 3,5% na produtividade média, a produção total deve recuar 11,55%.

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Aveia e cevada ganham espaço e rentabilidade

Enquanto o trigo enfrenta um cenário desafiador, a aveia e a cevada se consolidam como importantes alternativas econômicas e agronômicas.

A cevada registrou bom desempenho devido aos contratos antecipados firmados entre produtores, cooperativas e indústrias, que garantiram preços mais previsíveis e menor risco de comercialização. A cultura manteve área reduzida — cerca de 440 hectares —, mas apresentou elevada qualidade industrial e margens positivas em 2025, mesmo com preços inferiores aos do ano anterior.

Já a aveia reforçou seu papel como cultura de diversificação e conservação de solo. Apesar da leve queda de 3,47% na área destinada à produção de grãos (cerca de 34,2 mil hectares), a produtividade foi favorecida por boas condições climáticas, resultando em aumento de 5,84% na produção estadual, que atingiu 52 mil toneladas.

Influência regional e importância agronômica

Embora a participação catarinense na produção nacional de trigo, aveia e cevada seja pequena, essas culturas possuem importância estratégica para o manejo agrícola, a rotação de culturas e a geração de renda no inverno.

O mercado local, no entanto, é fortemente influenciado pelos estados vizinhos, Rio Grande do Sul e Paraná, principais produtores nacionais, que determinam grande parte dos preços pagos aos agricultores catarinenses.

Outras culturas também enfrentam desafios

O Boletim Agropecuário de dezembro da Epagri/Cepa destaca ainda o desempenho de outras cadeias produtivas em Santa Catarina:

  • Arroz: enfrenta excesso de oferta e demanda fraca, com preços 52% abaixo dos níveis de 2024.
  • Feijão: queda de até 2,43% em novembro, reflexo da boa disponibilidade e proximidade da nova safra.
  • Milho: leve recuperação de preços, mas ainda pressionado pela safra recorde no Brasil e nos EUA.
  • Soja: valorização de 1,5% em novembro, sustentada pelas exportações, embora o excesso de oferta global mantenha cotações estáveis.
  • Banana: retração de 13,6% entre outubro e novembro devido ao aumento da oferta e altas temperaturas.
  • Alho: boas expectativas com aumento de 16,7% na produção, impulsionado por maior área plantada e produtividade.
  • Cebola: preços em alta e perspectiva de crescimento de 7,5% na produção.
  • Boi gordo: valorização de 0,4% em dezembro, acompanhando a demanda aquecida e o bom desempenho das exportações de carne.
  • Suínos: exportações em novembro recuaram 19,4% na comparação anual, mas o estado mantém liderança nacional, respondendo por 51% das vendas externas brasileiras.
  • Leite: captação aumentou 15% no trimestre, mas os preços ao produtor continuam em queda, reduzindo a rentabilidade.
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Desempenho do agro catarinense

O levantamento da Epagri/Cepa reforça que, apesar das oscilações de preço e clima, o agronegócio catarinense segue com desempenho sólido, diversificado e com boas perspectivas de produtividade em diversas culturas.

O Boletim Agropecuário é publicado mensalmente pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa), trazendo análises sobre produção, preços, mercado e clima — servindo como referência para produtores, cooperativas e agentes do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro

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Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.

O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.

Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.

A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.

Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.

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O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.

A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.

Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.

Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.

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O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.

Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.

A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.

Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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