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Algodão encerra 2025 com preços em queda, mas exportações mantêm Brasil entre líderes globais

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Produção recorde e consumo fraco marcam o ano do algodão

O ano de 2025 foi desafiador para o setor algodoeiro brasileiro. A produção histórica, aliada ao baixo consumo interno e à desvalorização no mercado internacional, provocou uma queda prolongada nos preços domésticos.

Apesar disso, as exportações desempenharam papel crucial para equilibrar o mercado, ajudando a escoar o excedente e a manter o Brasil entre os principais fornecedores globais da fibra.

Primeiro semestre teve valorização apoiada por vendedores e mercado externo

Nos cinco primeiros meses de 2025, os preços do algodão no mercado interno registraram movimento de alta. Em maio, a cotação atingiu a maior média mensal real desde março de 2024, de acordo com o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de novembro de 2025.

Essa sustentação foi impulsionada pela postura firme dos vendedores durante a entressafra e pela valorização do algodão no mercado internacional.

Queda acentuada a partir de junho

A partir de junho, entretanto, o cenário mudou. Os preços da pluma passaram a cair com mais intensidade, pressionados pela desvalorização externa, pela queda do dólar e pelo aumento das vendas de estoques da safra 2023/24.

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Além disso, a proximidade da colheita recorde de 2024/25 ampliou a percepção de excesso de oferta. Diante desse quadro, compradores adotaram uma postura mais cautelosa, aguardando condições mais favoráveis para negociar.

Mercado interno perde competitividade frente à exportação

Com a oferta elevada e uma demanda interna moderada, a recuperação dos preços foi limitada. A instabilidade geopolítica e o câmbio menos favorável também contribuíram para esse cenário.

A partir de outubro, o mercado doméstico passou a operar abaixo da paridade de exportação, situação que não ocorria desde o final de 2024. Em novembro, embora os embarques continuassem intensos, as médias mensais dos preços caíram para o menor patamar real desde setembro de 2009.

Exportações recordes sustentam protagonismo do Brasil

Mesmo com a desvalorização interna, o Brasil reforçou seu papel de destaque no mercado global de algodão. As exportações da safra 2024/25 alcançaram volume recorde de 2,835 milhões de toneladas entre agosto de 2024 e julho de 2025, um aumento de 6% em relação à safra anterior, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

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Para o início de 2026, agentes já intensificam novas programações de embarques e contratos futuros, consolidando o mercado a termo como a principal estratégia de gestão comercial do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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