AGRONEGOCIOS
StoneX reduz estimativa de produção de açúcar e projeta recorde histórico para o etanol na safra 2026/27
AGRONEGOCIOS
Setor sucroenergético ajusta foco: queda no açúcar e alta no etanol
A consultoria StoneX revisou suas projeções para a safra 2026/27 no centro-sul do Brasil, principal região produtora de cana-de-açúcar do mundo. Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (30), a produção de açúcar foi reduzida para 40,7 milhões de toneladas, representando uma queda de 800 mil toneladas em relação à estimativa anterior.
O movimento reflete o novo cenário de mercado, em que os preços mais atrativos do etanol têm incentivado as usinas a direcionar maior volume de cana para a produção do biocombustível.
Produção de etanol deve atingir recorde histórico
Em contrapartida, a produção total de etanol no centro-sul foi projetada para 36,5 bilhões de litros, volume recorde e acima dos 36,1 bilhões previstos anteriormente. O avanço é puxado tanto pelo aumento na fabricação a partir da cana-de-açúcar quanto, principalmente, pelo etanol de milho, que vem ganhando espaço na matriz energética do país.
“A forte queda nos preços do açúcar ao longo de 2025, somada à alta do etanol no final de 2025 e início de 2026, cria um ambiente favorável à produção alcooleira”, destacou o relatório da StoneX.
Moagem de cana se mantém estável, mas deve crescer em relação à safra anterior
A moagem de cana-de-açúcar no centro-sul foi estimada em 620,5 milhões de toneladas, número estável frente à projeção anterior. Apesar disso, o volume representa um aumento de 2% sobre a safra 2025/26.
A StoneX aponta que, considerando esse cenário, a produção de açúcar ainda deve crescer 0,7% no comparativo anual. A nova safra deve ter início oficial em abril de 2026, embora algumas usinas comecem a operação já em março.
Etanol de milho ganha protagonismo
A expectativa é que a produção total de etanol registre alta de 7,9% frente ao ciclo anterior. O crescimento será impulsionado especialmente pelo etanol de milho, cuja produção deve subir 17%, alcançando 11 bilhões de litros. Já o etanol de cana deve aumentar 4,4%, chegando a 25,5 bilhões de litros em 2026/27.
Impacto global: mercado de açúcar segue confortável
Apesar do corte na projeção brasileira, a StoneX avalia que o mercado global de açúcar deve permanecer superavitário. O analista Marcelo Di Bonifacio Filho explicou que o ajuste nas estimativas do Brasil, tanto no centro-sul quanto no Norte-Nordeste, reduz o saldo, mas ainda garante tranquilidade na oferta internacional.
O superávit global foi estimado em 2,9 milhões de toneladas, revertendo o déficit de 3,14 milhões registrado na safra anterior. Já os estoques mundiais devem crescer 4%, atingindo 76,7 milhões de toneladas em valor bruto. A relação estoque/uso foi calculada em 39,6%, ligeiramente acima da média dos últimos cinco anos (39%).
Chuvas no Brasil e safras asiáticas serão decisivas
A StoneX ressalta que as condições climáticas até março serão determinantes para a oferta de cana no centro-sul. Chuvas abaixo da média podem limitar o potencial produtivo.
Além disso, as atualizações de safra na Tailândia, China e Índia, previstas para o primeiro trimestre, também devem influenciar o equilíbrio global da oferta de açúcar.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Títulos privados do agro movimentam R$ 580,78 bilhões em CPR no início da safra 2026/27
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou as finanças privadas do agro. Em julho de 2026, os estoques de Cédula de Produto Rural (CPR) totalizaram R$ 580,78 bilhões, distribuídos em 372 mil cédulas, com ticket médio de R$ 1,56 milhão. Considerando apenas os títulos emitidos em julho, primeiro mês da safra 2026/27, foram registrados R$ 37,53 bilhões em novas CPR.
Os estoques de Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) somaram R$ 560,37 bilhões. Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% desse valor, equivalente a R$ 336,22 bilhões, precisa ser reaplicado no financiamento do setor agropecuário. Desse montante, pelo menos 45%, ou R$ 151,30 bilhões, precisa ser direcionado ao crédito rural oficial. Os valores consideram recursos destinados à safra atual e contratos ainda em aberto de safras anteriores.
Em julho, os estoques de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e de Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) foram de R$ 174,20 bilhões e R$ 30,21 bilhões, respectivamente.
No caso dos Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagro), considerando os dados de junho de 2026, o patrimônio líquido totalizou R$ 64,13 bilhões, distribuídos em 285 fundos.
Os dados são do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário da Secretaria de Política Agrícola do Mapa.
Informações à imprensa
[email protected]



