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Brasil e Rússia planejam reforçar parcerias estratégicas em CT&I
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Em um momento de retomada e ampliação do diálogo entre Brasil e Rússia, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou da VIII Comissão de Alto Nível entre os dois países (CAN), nesta quinta-feira (5), no Palácio Itamaraty. Ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e de outras autoridades brasileiras e russas, a ministra levou à mesa de negociações temas estratégicos da ciência e da inovação, reforçando o papel do MCTI na construção de parcerias que transformam conhecimento em desenvolvimento.
Para a ministra Luciana Santos, os países podem cooperar e unir as ciências brasileira e russa em prol da humanidade. “Espero que possamos estreitar ainda mais os laços de cooperação, de forma que a ciência brasileira e a ciência russa, juntas, possam contribuir para um mundo mais sustentável e justo para todos”, disse.
Durante a conversa, os representantes deixaram clara a intenção de reforçar as parcerias estratégicas em diversas áreas, como nano e biotecnologias, astrofísica, estudos nucleares, tecnologias quânticas, ciências e tecnologias espaciais, mudanças climáticas, inteligência artificial e digitalização.
“O governo brasileiro tem adotado uma política consistente de neo-industrialização, baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão. Queremos uma indústria mais verde, mais digital e mais integrada às cadeias globais de valor. Vemos com grande interesse a ampliação de investimentos russos no Brasil, especialmente em setores como química, fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura”, afirmou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
Em maio de 2025, a ministra visitou a capital russa, Moscou, onde se reuniu com o ministro Valerii Falkov. Durante o encontro, foi assinado um memorando de entendimento para a promoção da pesquisa conjunta em diversas áreas, como clima, pesquisa polar, biodiversidade, ciência e tecnologia espacial, tecnologias quânticas e astrofísica.
Durante a tarde, os ministros se reuniram novamente, desta vez na sede do MCTI, onde afirmaram ter intenções de lançar uma chamada pública bilateral para o desenvolvimento de pesquisas com investimento conjunto.
CBPF
Em 3 de fevereiro, representantes dos ministérios e de institutos de pesquisa brasileiros e russos participaram da 13ª Reunião do Grupo de Trabalho Russo-Brasileiro, na sede do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), unidade de pesquisa do MCTI.
Durante o encontro, segundo a ministra Luciana Santos, os ministérios concordaram em continuar a cooperação na área de astrofísica e astropartículas. “Na área de tecnologias quânticas, em especial computação, comunicação e sensoriamento, avançaremos em discussões sobre projetos conjuntos. O compartilhamento de infraestruturas de pesquisas já existentes está sendo debatido pelas partes, bem como o intercâmbio de pesquisadores”, afirmou.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

