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Soja fecha semana com alta moderada e mercado interno aquecido no Sul e Centro-Oeste
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Mercado internacional encerra em leve baixa, mas semana é positiva
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram a sexta-feira (13) em leve queda, após uma sequência de valorização ao longo da semana. O movimento foi atribuído a ajustes técnicos e à realização de lucros por parte dos investidores, segundo análise da TF Agroeconômica.
O contrato de março recuou 0,29%, encerrando a 1.134,00 cents por bushel, enquanto o vencimento de maio caiu 0,24%, a 1.149,50 cents por bushel. Entre os derivados, o farelo de soja avançou 0,42%, a 309,2 dólares por tonelada curta, e o óleo de soja teve queda de 0,80%, cotado a 57,1 cents por libra-peso.
Apesar do fechamento negativo no dia, o saldo semanal foi favorável. A soja acumulou alta de 1,68%, o farelo subiu 1,84%, e o óleo encerrou a semana com ganho de 3,16%.
Avanço da colheita brasileira e boas projeções impactam o mercado
A queda de sexta-feira refletiu também o avanço da colheita no Brasil. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) indicam que 51,01% da área cultivada no Mato Grosso já foi colhida, confirmando o ritmo acelerado da safra 2025/26.
As projeções privadas estimam a produção brasileira em 181 milhões de toneladas, reforçando a expectativa de ampla oferta global. No país vizinho, Bolsa de Cereales de Buenos Aires (BCBA) apontou melhora nas previsões de chuva na Argentina, embora apenas 32% das lavouras ainda estejam em boas condições.
Rio Grande do Sul tem fortalecimento cooperativista e preços firmes
No Rio Grande do Sul, o sistema cooperativista segue fortalecendo o poder de negociação dos produtores, garantindo melhores preços e reduzindo as desigualdades no mercado.
Os valores médios registrados foram:
- Ijuí, Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa: R$ 122,36/saca (variação entre +2,12% e +3,69%)
- Porto de Rio Grande: R$ 129,00/saca (estável)
A organização dos produtores tem permitido ao estado capturar mais valor na cadeia produtiva, mesmo diante das oscilações internacionais.
Demanda interna de Santa Catarina impulsiona preços regionais
Em Santa Catarina, a indústria de proteína animal mantém uma demanda interna agressiva. O mercado segue firme, com cotações estáveis e bom diferencial em relação aos portos:
- Rio do Sul: R$ 117,00/saca (estável)
- Palma Sola: R$ 118,00/saca
- Porto de São Francisco: R$ 128,00/saca (sem variação)
O diferencial de até R$ 13,50 entre o interior e o porto reforça o impacto positivo das cooperativas do oeste catarinense.
Paraná mantém preços estáveis com referência no Porto de Paranaguá
O Paraná apresenta uma estrutura de comercialização dinâmica, com o Porto de Paranaguá balizando os preços a R$ 128,00/saca.
As principais praças registraram:
- Castro: R$ 122,50
- Maringá: R$ 120,72 (-0,23%)
- Cascavel: R$ 120,72 (+0,60%)
- Ponta Grossa: R$ 121,97 (+0,39%)
- Pato Branco: R$ 118,00 (+0,85%)
- Marechal Rondon e Ubiratã: R$ 113,00
Mato Grosso do Sul se beneficia da logística com o Paraná
No Mato Grosso do Sul, o mercado reflete uma pressão moderada, mas a proximidade logística com o Paraná tem favorecido as cotações:
- Eldorado: R$ 111,50
- Dourados: R$ 118,00 (+1,72%)
- Campo Grande: R$ 115,00 (+0,88%)
- Maracaju e Chapadão do Sul: R$ 117,00 (+1,74%)
- Sidrolândia: R$ 116,00 (+1,75%)
Mato Grosso lidera produção, mas enfrenta preços mais baixos
O Mato Grosso, maior produtor de soja do país, enfrenta os menores preços nacionais, com o indicador IMEA marcando R$ 101,15/saca (-0,03%). A produção estimada em 44,04 milhões de toneladas (+12,78%) pressiona a estrutura de armazenagem local.
As principais cotações foram:
- Campo Verde: R$ 112,00 (+5,06%)
- Lucas do Rio Verde e Nova Mutum: R$ 103,70 (+1,67% a +2,37%)
- Primavera do Leste: R$ 107,12 (+0,11%)
- Rondonópolis: R$ 109,00 (+0,37%)
- Sorriso: R$ 101,60 (+0,10%)
Resumo da semana
Apesar das oscilações pontuais, o mercado global e doméstico da soja encerra a semana em tom otimista. No Brasil, os estados do Sul se destacam pela força cooperativista e demanda interna robusta, enquanto o Centro-Oeste mantém volumes recordes de produção e preços ajustados à realidade logística.
No cenário internacional, mesmo com a queda pontual em Chicago, os fundamentos de oferta e demanda sustentam um ambiente de recuperação gradual para o grão e seus derivados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


