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Café abre sexta-feira em baixa nas bolsas internacionais; mercado global segue volátil com expectativa de maior oferta

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Bolsas internacionais iniciam o dia em queda

O mercado futuro do café começou a sessão desta sexta-feira (13) em queda nas principais bolsas internacionais, refletindo ajustes técnicos e expectativas sobre a oferta global do grão. O movimento é observado tanto para o café arábica, negociado em Nova York, quanto para o robusta, negociado em Londres.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato maio/26 do arábica é negociado a 289,25 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 265 pontos. Já na Bolsa de Londres (ICE Europe), o café robusta para o mesmo vencimento registra US$ 3.550 por tonelada, baixa de 75 pontos.

Produção brasileira pressiona preços

O mercado enfrenta um cenário de forte volatilidade, impulsionado por fatores fundamentalistas e macroeconômicos. Entre os principais elementos de pressão está a expectativa de recuperação da produção mundial, especialmente no Brasil, maior produtor global.

Estimativas indicam que a safra brasileira de café 2026 pode variar entre 66 e 70 milhões de sacas, dependendo das condições climáticas. Esse aumento de oferta pode levar a um superávit global de 7 a 10 milhões de sacas, limitando altas consistentes nos contratos internacionais.

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Riscos climáticos e logísticos ainda preocupam o mercado

Apesar da perspectiva de oferta maior, o mercado permanece atento a eventos climáticos extremos em regiões produtoras, como Minas Gerais, que podem impactar a produtividade e a sanidade das lavouras.

Além disso, o fluxo de exportações influencia diretamente os preços. Em fevereiro, os embarques brasileiros registraram queda anual de 17,4%, sinalizando oferta mais curta no curto prazo, o que sustentou temporariamente os valores.

Papel de outros produtores globais

Países como Vietnã, maior produtor de robusta do mundo, e Colômbia, segunda maior produtora de arábica, seguem determinantes para o equilíbrio entre oferta e demanda global, contribuindo para a instabilidade de preços nas bolsas.

Analistas afirmam que o mercado continuará sensível a novas informações climáticas, logísticas ou de produção, mantendo a volatilidade.

Bolsa de Nova York fecha em alta na véspera

Na quinta-feira, o café arábica registrou valorização na Bolsa de Nova York, impulsionado por ganhos em outros mercados e preocupações com o fluxo global de oferta, diante da guerra no Irã e do fechamento parcial do Estreito de Ormuz.

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O fechamento da hidrovia elevou custos de frete e seguros, impactando importadores e torrefadores. Apesar do suporte técnico, os contratos não superaram resistências, evidenciando fragilidade de alta.

Expectativa de safra brasileira 2026/27

Segundo estimativa da trading Comexim, a safra brasileira 2026/27 deve alcançar 71,1 milhões de sacas, ante 63,2 milhões no ciclo anterior:

  • Arábica: 46,6 milhões de sacas (+24%)
  • Canéfora (robusta e conilon): 24,5 milhões de sacas (-4%)

As exportações projetadas somam 46,2 milhões de sacas (julho/2026 a junho/2027), aumento de 19% em relação ao ciclo 2025/26.

Preços dos contratos futuros

Os contratos de café arábica maio/2026 fecharam a quinta-feira a 291,90 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,6%, enquanto julho/2026 encerrou a 286,45 centavos, valorização de 1,5%.

Para os produtores brasileiros, a recomendação segue sendo acompanhar contratos futuros, avanço da safra, câmbio e ritmo das exportações, fatores determinantes para os preços no mercado físico.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Frigoríficos no Cerrado falham no controle do desmatamento e 96% têm baixo compromisso socioambiental, aponta Radar Verde

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Um novo levantamento do Radar Verde acendeu um alerta sobre a cadeia da carne bovina no Cerrado. Segundo o estudo, 96% dos frigoríficos avaliados apresentam grau muito baixo de compromisso no controle do desmatamento, evidenciando fragilidades estruturais na rastreabilidade socioambiental do setor.

A análise avaliou 225 empresas frigoríficas, responsáveis por 262 plantas industriais no bioma, e identificou um cenário de baixa transparência e limitada capacidade de monitoramento da origem do gado ao longo da cadeia produtiva.

Apenas 4% das empresas analisadas ficaram na faixa de baixo compromisso, enquanto nenhuma atingiu níveis intermediários, altos ou muito altos de conformidade ambiental.

Grandes frigoríficos lideram ranking, mas maioria não comprova controle efetivo

Entre as empresas com melhor desempenho no ranking do Radar Verde, aparecem nomes de grande relevância no setor, como Marfrig, Masterboi, Minerva, JBS, Cooperfrigu, Carnes Boi Branco, Plena Alimentos, Agra Agroindustrial de Alimentos S.A. e Frigorífico Pantanal LTDA.

Apesar disso, o estudo destaca que a maior parte do setor ainda não demonstra mecanismos robustos de controle ambiental, especialmente no que diz respeito ao rastreamento completo da cadeia de fornecimento.

De acordo com o relatório, apenas cerca de 3% das empresas avaliadas apresentaram algum nível de controle sobre fornecedores diretos. Já em relação aos fornecedores indiretos — etapa que inclui cria e recria dos animais — não foram identificadas evidências consistentes de monitoramento efetivo.

Essa lacuna é considerada crítica, já que os fornecedores indiretos representam grande parte do ciclo de vida do animal e podem estar associados a áreas com histórico de desmatamento ou irregularidades ambientais.

Baixa transparência agrava cenário e nenhuma empresa respondeu ao levantamento

Outro ponto destacado pelo estudo é a ausência de transparência ativa por parte do setor. Nenhuma das empresas avaliadas respondeu ao questionário enviado pelo Radar Verde para detalhar práticas de monitoramento e controle da cadeia de fornecimento.

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Segundo o relatório, a falta de resposta não implica, por si só, irregularidades ambientais, mas reforça a dificuldade de verificação pública das práticas adotadas pelo setor frigorífico no Cerrado.

Diante disso, a avaliação foi baseada exclusivamente em fontes públicas, como políticas ambientais divulgadas, auditorias independentes, documentos oficiais e bases de dados abertas.

Cerrado opera fora do sistema robusto de controle da carne bovina

O estudo aponta que os principais mecanismos de controle socioambiental da pecuária brasileira foram historicamente desenvolvidos com foco na Amazônia, especialmente por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs da Carne) e protocolos de auditoria.

No Cerrado, entretanto, não existe um acordo equivalente com força regulatória semelhante. O Protocolo de Monitoramento Voluntário de Fornecedores de Gado no Cerrado, lançado em 2024, é citado como avanço, mas ainda sem mecanismos de punição ou obrigatoriedade.

Essa diferença estrutural faz com que grande parte da cadeia produtiva da carne no bioma opere com menor nível de fiscalização e rastreabilidade em comparação à Amazônia.

Mais de 70% das fazendas do Cerrado estão fora do alcance dos sistemas de controle

A análise também evidencia uma limitação territorial significativa dos sistemas atuais de monitoramento.

O Cerrado possui 973.705 propriedades rurais com pelo menos um hectare de pastagem. Desse total, apenas 209.481 fazendas (22%) estão dentro da Amazônia Legal, onde historicamente se concentram os sistemas de rastreabilidade mais consolidados.

As outras 764.224 propriedades, equivalentes a 78% do total, estão fora dessa área e, segundo o relatório, permanecem com baixa cobertura de monitoramento efetivo por parte da indústria frigorífica.

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O problema se intensifica no caso dos fornecedores indiretos, que em muitos casos não são acompanhados de forma estruturada pelos sistemas de controle existentes.

Cerrado concentra dinâmica própria de desmatamento e pressão agropecuária

O estudo também destaca que o desmatamento no Cerrado possui características distintas em relação à Amazônia. Enquanto na região amazônica o problema está frequentemente ligado a áreas públicas e conflitos fundiários, no Cerrado a conversão ocorre majoritariamente em propriedades privadas.

Outro fator relevante é o enquadramento legal da supressão de vegetação. No bioma, o Código Florestal permite a preservação de apenas 20% a 35% da vegetação nativa, dependendo da região, enquanto na Amazônia esse percentual pode chegar a 80%, o que amplia a complexidade da análise ambiental.

Segundo o levantamento, essa diferença torna insuficiente a avaliação baseada apenas em desmatamento ilegal para medir o impacto socioambiental das cadeias produtivas.

Cerrado já perdeu metade da vegetação nativa e lidera desmatamento no país

O Cerrado ocupa 23,3% do território brasileiro e já perdeu cerca de 93 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a quase metade de sua cobertura original.

Desse total, 51% foram convertidos em pastagens, 28% em áreas agrícolas e 17% em mosaicos agropecuários.

Em 2024, o bioma registrou 652.197 hectares desmatados, representando 52,5% de todo o desmatamento ocorrido no Brasil no período, consolidando-se como o principal foco de perda de vegetação nativa do país pelo segundo ano consecutivo.

O cenário reforça a pressão crescente sobre o setor pecuário e frigorífico, que passa a ser cada vez mais cobrado por rastreabilidade completa, transparência e comprovação de origem sustentável da carne bovina produzida no bioma.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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