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Degradação de pastagens no Brasil revela desafio social e exige políticas agrícolas mais integradas
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O estudo amplia a aplicação do IDR-CAR (Índice de Desenvolvimento Rural para o Cadastro Ambiental Rural), ferramenta desenvolvida pela própria consultoria, para avaliar não apenas a qualidade das pastagens, mas também as condições socioeconômicas dos produtores. A análise teve como foco os estados de Mato Grosso e Pará.
Pequenos imóveis rurais têm papel estratégico no combate à degradação
Embora ocupem áreas menores, os imóveis rurais de pequeno porte concentram uma parcela relevante das pastagens degradadas no país. Segundo o levantamento, esses produtores enfrentam riscos ambientais, econômicos e sociais maiores, o que demanda atenção especial das políticas públicas.
A análise foi conduzida pelos pesquisadores Leila Harfuch, Lauro Vicari e Gustavo Lobo, que destacam que a nova aplicação do IDR-CAR permite uma leitura territorial mais aprofundada da realidade rural.
A ferramenta integra diferentes camadas de informação, combinando dados ambientais e socioeconômicos. Com isso, o diagnóstico sobre a degradação das pastagens passa a considerar fatores como renda, educação e infraestrutura das famílias rurais.
“Quando a análise inclui apenas o solo, ela mostra o tamanho do problema. Quando incorpora renda, educação e infraestrutura, começa a revelar possíveis causas. Isso muda a forma de olhar para a degradação”, afirma Leila Harfuch.
Mato Grosso e Pará concentram grandes áreas de pastagens degradadas
Nos dois estados analisados, a presença de pastagens degradadas é significativa, especialmente entre pequenos imóveis rurais.
Em Mato Grosso, a área total de pasto degradado chegou a 10,1 milhões de hectares, considerando 152,7 mil registros no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em 2022.
Entre os 103,3 mil imóveis com até quatro módulos fiscais e pelo menos um hectare de pastagem, a área degradada soma 2,6 milhões de hectares, equivalente a 25,3% do total.
Já no Pará, a área de pastagens degradadas alcançou 6,6 milhões de hectares em 276,7 mil CARs registrados em 2022.
Entre os 203,8 mil imóveis com até quatro módulos fiscais, o problema é ainda mais representativo: 2,7 milhões de hectares degradados, o que corresponde a 40,7% da área total.
Baixo acesso a crédito e assistência técnica limita recuperação
A análise aponta que um dos principais entraves para a recuperação das pastagens é o acesso limitado a políticas públicas essenciais, como crédito rural e assistência técnica.
No Mato Grosso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Censo Agropecuário 2017) mostram que:
- Apenas 15,9% dos produtores familiares declararam acesso a crédito rural
- 12,5% receberam assistência técnica
- 11,2% adotaram práticas de recuperação de pastagens, como aplicação de calcário e corretivos de solo
Entre os imóveis analisados no estudo, 28,2 mil propriedades (27,3%) contrataram crédito pelo menos uma vez. O pico ocorreu na safra 2022/2023, com 12 mil CARs financiados, o que representa apenas 11,6% do total, seguido de queda nas safras seguintes.
No Pará, o cenário é ainda mais restritivo:
- Apenas 6,1% dos produtores tiveram acesso a crédito rural
- 4,7% receberam orientação técnica
- 4% adotaram práticas de recuperação de pastagens
Entre os imóveis analisados, 30,7 mil propriedades (15,1%) contrataram crédito ao menos uma vez, com pico na safra 2021/2022, quando 11 mil CARs acessaram financiamento, equivalente a 5,4% do total.
Problema vai além do manejo e envolve vulnerabilidade social
Segundo os pesquisadores da Agroicone, a degradação das pastagens não pode ser explicada apenas por falhas no manejo.
Pastagens degradadas reduzem a produtividade, diminuem a renda dos produtores e aumentam a vulnerabilidade econômica das famílias rurais. Em muitos casos, esse cenário também pressiona a abertura de novas áreas, ampliando impactos ambientais.
“A degradação não pode ser explicada apenas por manejo inadequado. Existem limitações estruturais, como as condições socioeconômicas do produtor, que influenciam sua capacidade de adotar boas práticas agropecuárias”, afirma Lauro Vicari.
Crédito rural é peça-chave para recuperação de pastagens
O acesso ao crédito aparece como um dos fatores mais decisivos para viabilizar a recuperação das áreas degradadas. Apesar disso, grande parte dos pequenos produtores ainda enfrenta dificuldades para acessar financiamento.
Segundo Gustavo Lobo, as tecnologias necessárias para recuperar pastagens já existem, mas sua adoção depende de condições que vão além da disponibilidade técnica.
“Existe um conjunto de soluções já consolidadas para a recuperação de pastagens. O desafio é que elas não chegam de forma igual a todos os produtores, porque as condições de partida são muito diferentes”, explica.
Integração de políticas públicas pode acelerar recuperação
O estudo reforça que a leitura territorial detalhada pode ajudar a direcionar políticas públicas e investimentos de forma mais eficiente, priorizando regiões e produtores com maior vulnerabilidade.
Essa abordagem está alinhada às metas ambientais brasileiras previstas no Plano ABC+, que reconhece a recuperação de pastagens como uma das principais estratégias para reduzir emissões e aumentar a eficiência produtiva.
A estratégia também dialoga com o Caminho Verde Brasil, iniciativa voltada à estruturação de financiamento e priorização de áreas para conversão de pastagens degradadas em sistemas produtivos sustentáveis.
Diagnóstico territorial ajuda a transformar políticas em soluções
Com a integração entre dados ambientais e sociais, especialistas apontam que será possível transformar diagnósticos amplos em estratégias mais concretas para o campo.
Segundo Leila Harfuch, compreender as causas da degradação é fundamental para superá-la de forma sustentável.
“Não se trata apenas de mapear onde está a degradação, mas de entender por que ela acontece e o que precisa ser considerado para superá-la de forma inclusiva e sustentável”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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El Niño pode ganhar força em 2026 e elevar risco climático para o café no Brasil e no mundo
O mercado global de café já começa a monitorar com atenção o possível fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo de 2026. Projeções de centros climáticos internacionais indicam aumento relevante na probabilidade de ocorrência do evento, o que pode elevar os riscos climáticos para a produção agrícola em diversas regiões do mundo.
De acordo com a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há cerca de 60% de chance de formação do El Niño entre maio e julho. Já modelos do IRI (International Research Institute for Climate and Society), ligado à Universidade de Columbia, indicam cenário semelhante no curto prazo e sugerem que o fenômeno pode se estender até o fim de 2026 e início de 2027.
Oceano Pacífico mais quente pode intensificar evento climático
As projeções não apontam necessariamente aumento da temperatura média global, mas indicam aquecimento acima da média da superfície do Oceano Pacífico equatorial — característica típica de um El Niño mais intenso.
Esse padrão tende a influenciar o regime de chuvas e temperaturas em várias regiões produtoras, ampliando riscos para culturas agrícolas sensíveis ao clima, como o café.
Segundo análises de mercado, o cenário reforça atenção especial para o desenvolvimento da safra 2026/27 em regiões como América Central, América do Sul, Sudeste Asiático e África Oriental.
Café entra no radar de risco climático global
Especialistas alertam que um El Niño ativo e prolongado pode trazer temperaturas acima da média, além de períodos de seca ou chuvas excessivas, afetando diretamente o ciclo produtivo do café.
A avaliação de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets destaca que o fenômeno pode representar desafios relevantes para o setor. A principal preocupação está no impacto sobre o florescimento, enchimento dos grãos e desenvolvimento das lavouras.
Na América Central, países como Guatemala, Honduras e El Salvador podem enfrentar redução de chuvas e temperaturas mais elevadas durante fases críticas da produção.
Na Colômbia, o risco envolve impactos na safra principal de 2026/27 e possível prejuízo à chamada safra “mitaca”, caso o evento se prolongue.
África, Ásia e Brasil também podem ser afetados
Na África Oriental, o El Niño costuma provocar efeitos climáticos variados. Na Etiópia, pode haver redução de chuvas em períodos importantes e excesso hídrico na colheita, enquanto em Uganda aumenta o risco de enchentes e deslizamentos.
No Sudeste Asiático e na Índia, o fenômeno tende a favorecer condições mais secas e quentes, com possível enfraquecimento das monções e ondas de calor mais frequentes. Indonésia e Vietnã também podem ser impactados no ciclo das próximas safras.
No Brasil, o efeito inicial pode reduzir o risco de geadas durante o inverno de 2026. No entanto, especialistas alertam para possíveis impactos no regime de chuvas durante a florada e desenvolvimento da safra 2027/28, especialmente se o fenômeno se prolongar.
Mercado do café pode sentir reflexos nos preços
Mesmo com expectativa de uma safra brasileira volumosa em 2026/27, que tende a pressionar cotações no curto prazo, o risco climático pode atuar como fator de sustentação dos preços.
Projeções indicam que o comportamento das temperaturas no Pacífico será determinante para o grau de impacto do fenômeno. Em alguns modelos, a anomalia pode superar 1,5°C entre outubro e novembro de 2026, caracterizando um evento mais intenso.
Nesse contexto, analistas destacam que o clima passa a ser variável central de atenção para o mercado global de café, podendo limitar movimentos mais acentuados de queda nas cotações ao longo do período.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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