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Soja oscila em Chicago e mercado global pressiona preços enquanto logística trava avanço no Brasil

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Soja recua em Chicago e mantém cenário de volatilidade

Os preços da soja voltaram a recuar na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (18), devolvendo parte dos ganhos da sessão anterior e reforçando o ambiente de instabilidade no mercado internacional.

Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os principais contratos registravam perdas de pouco mais de 4 pontos. O vencimento maio era cotado a US$ 11,52 por bushel, enquanto o julho operava a US$ 11,67.

O movimento reflete um mercado ainda dividido entre fundamentos e fatores técnicos, com investidores ajustando posições em meio a oscilações frequentes.

Fatores externos e geopolítica limitam direção do mercado

A pressão sobre os preços tem origem, em parte, em um movimento técnico de realização de lucros após a recente recuperação. No entanto, o cenário segue sendo fortemente influenciado por fatores externos.

As tensões no Oriente Médio continuam no radar dos investidores, assim como as incertezas nas relações comerciais entre China e Estados Unidos. O adiamento do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping adiciona cautela ao mercado e amplia a volatilidade, dificultando movimentos mais consistentes de alta.

Derivados apresentam comportamento misto e equilibram cotações

Entre os derivados da soja, o comportamento é divergente. Os futuros do óleo de soja operam em queda, exercendo pressão adicional sobre o grão.

Por outro lado, os contratos de farelo registram alta, oferecendo suporte às cotações e evitando perdas mais intensas no mercado.

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Milho e trigo seguem direções opostas

Nos demais mercados agrícolas, o cenário também é de divergência. O milho acompanha a soja e registra queda, enquanto o trigo apresenta valorização, sustentado por fatores próprios.

Esse comportamento distinto entre os grãos contribui para aumentar a cautela dos investidores e reforça o ambiente de incerteza global.

Mercado reage após queda e encontra suporte técnico

Após um pregão anterior de forte baixa, o mercado da soja registrou recuperação nas cotações internacionais. O movimento foi impulsionado por compras de oportunidade, após os preços atingirem limites de queda.

Os contratos mais negociados encerraram o dia com leves ganhos, apoiados principalmente pela valorização expressiva do óleo de soja, que ajudou a sustentar o mercado.

Além disso, expectativas em torno de anúncios relacionados ao biodiesel nos Estados Unidos contribuíram para o avanço das cotações, embora a ausência de definições concretas nas negociações internacionais tenha limitado ganhos mais robustos.

Safra brasileira avança com dificuldades logísticas e custos elevados

No Brasil, o cenário segue desafiador. O avanço da colheita ocorre de forma desigual entre os estados, impactado por entraves logísticos, custos elevados e condições climáticas.

No Rio Grande do Sul, a colheita praticamente não avançou, com apenas 1% da área colhida. A falta de diesel, com preços próximos a R$ 9,00 por litro, tem paralisado operações e dificultado o escoamento da produção.

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Em Santa Catarina, a volatilidade externa somada ao alto custo de energia pressiona especialmente a cadeia de proteína animal, enquanto o aumento do diesel encarece a distribuição.

Sul e Centro-Oeste enfrentam gargalos no escoamento

No Paraná, a colheita segue abaixo do ritmo histórico, prejudicada pela escassez de combustível, silos próximos da capacidade máxima e fretes elevados, que reduzem a rentabilidade do produtor.

No Mato Grosso do Sul, apesar do avanço da colheita, produtores têm optado por segurar as vendas diante de preços pouco atrativos e custos logísticos mais altos.

Já no Mato Grosso, mesmo com a safra praticamente finalizada, o escoamento enfrenta sérios gargalos. Filas de caminhões chegam a ultrapassar 45 quilômetros, enquanto os custos logísticos acabam consumindo os ganhos obtidos no mercado internacional.

Mercado segue sem direção definida

Diante desse conjunto de fatores — que envolve variáveis técnicas, geopolíticas e logísticas — o mercado da soja permanece sem uma tendência clara.

A combinação de volatilidade externa com desafios internos mantém produtores e investidores em alerta, enquanto os preços seguem alternando entre altas e baixas no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Frio favorece plantio, mas produtores seguem cautelosos com custos e clima

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A chegada da primeira massa de ar polar de 2026 mudou o ambiente das lavouras de inverno no Sul do Brasil e trouxe um cenário diferente para cada fase do trigo no país. Enquanto o frio atual tende a beneficiar áreas recém-plantadas no Paraná, produtores do Rio Grande do Sul seguem cautelosos diante das incertezas climáticas e econômicas para a próxima safra.

O trigo é uma cultura típica de clima frio, mas os efeitos das baixas temperaturas variam conforme o estágio da lavoura. Neste momento, o frio ajuda mais do que atrapalha.

No Paraná, onde o plantio da safra 2025/26 já começou, cerca de 17% da área prevista havia sido semeada até a última semana, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). As áreas implantadas estão principalmente em germinação e crescimento vegetativo inicial.

Nessa fase, temperaturas mais baixas favorecem o desenvolvimento da cultura. O frio ajuda na emergência uniforme das plantas, reduz parte do estresse térmico e cria um ambiente mais adequado para o crescimento vegetativo inicial.

Por isso, a onda de frio que derruba as temperaturas no Centro-Sul neste início de maio tende a ser positiva para o trigo recém-semeado no Paraná e em parte de Santa Catarina. O cenário muda completamente mais adiante, durante o florescimento e o enchimento de grãos. Nessas fases, geadas fortes podem provocar perdas severas de produtividade e qualidade, queimando espigas e comprometendo o potencial industrial do cereal. É justamente esse risco futuro que mantém parte dos produtores cautelosa neste início de safra.

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No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional de trigo, a semeadura ainda não começou. Os produtores seguem em fase de planejamento da temporada, avaliando custos, clima e perspectivas de mercado antes de ampliar os investimentos.

Além da preocupação climática, o setor acompanha um cenário econômico mais apertado. Fertilizantes mais caros, custos elevados com operações mecanizadas, dificuldades no seguro rural e maior cautela no crédito vêm reduzindo o apetite por expansão da área cultivada.

Ao mesmo tempo, o mercado oferece sustentação importante aos preços. A baixa disponibilidade de trigo argentino com qualidade adequada para panificação continua limitando a oferta no Mercosul e fortalecendo as cotações no Brasil.

No Rio Grande do Sul, os preços seguem ao redor de R$ 1.300 por tonelada no interior. No Paraná, as referências se aproximam de R$ 1.400 por tonelada nos moinhos.

A dificuldade de encontrar trigo argentino com teor de proteína acima de 11,5% também vem levando parte da indústria brasileira a buscar produto nos Estados Unidos, operação mais cara e logisticamente mais complexa.

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Esse ambiente ajuda a sustentar os preços internos justamente no momento em que o produtor começa a decidir quanto investir na nova safra.

Mesmo assim, a preocupação com o clima permanece no radar. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS), a previsão de maior frequência de chuvas durante o inverno e a primavera pode elevar riscos nas fases mais sensíveis da cultura, especialmente florescimento e enchimento de grãos.

Por isso, muitos produtores vêm adotando uma postura mais conservadora, reduzindo o pacote tecnológico, diminuindo investimentos em insumos e até substituindo parte da área de trigo por outras culturas de inverno.

O próprio Deral projeta queda de 15% na produção paranaense de trigo na safra 2025/26, reflexo principalmente da redução da área cultivada.

Neste início de maio, porém, o frio ainda joga a favor do trigo brasileiro. O desafio do setor será transformar esse começo climático positivo em uma safra rentável em meio aos altos custos, às incertezas do mercado internacional e aos riscos climáticos que costumam ganhar força ao longo do inverno.

Fonte: Pensar Agro

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