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Energia nuclear no Brasil: ciência estratégica a serviço da sociedade

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Quando o tema é energia nuclear, muita gente ainda pensa em grandes armas de destruição em massa. Imaginar isso é até compreensível, mas chega a ser injusto com algo que está tão presente e é tão fundamental para o desenvolvimento de tecnologias importantes. O aprimoramento de diagnóstico de doenças, a preservação de alimentos, tratamento de obras de arte e a inovação industrial são alguns exemplos de onde a tecnologia nuclear é usada. Integrada à estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB), ela é um dos pilares para a soberania, tecnológica e econômica do País.

Mais do que gerar energia, a tecnologia nuclear representa formação de talentos e soluções de alto valor agregado. Nesse cenário, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) coordena políticas públicas para fortalecer o setor, tendo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) como um braço central na pesquisa, na aplicação segura das radiações ionizantes em benefício da sociedade e na capacitação de profissionais de alto nível.

A ciência que move o setor

Primeiro, é importante distinguir a tecnologia da energia nuclear. Existem diversas formas de se beneficiar das tecnologias nucleares, sendo a mais famosa a geração de energia.

A energia nuclear é produzida nas usinas nucleares a partir da quebra do núcleo de átomos pesados, como o urânio. Quando esse núcleo é dividido, ele libera grande quantidade de calor (energia térmica), que aquece a água presente em um sistema fechado e, consequentemente, gera vapor. Assim, a energia térmica é usada no processo que muda a água de fase liquida para gasosa.

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Esse vapor resultante movimenta turbinas, ou seja, gera energia cinética, perde a energia térmica e volta ao estado líquido para seguir no ciclo de geração de energia. As turbinas, conectadas a geradores, transformam a energia cinética em energia elétrica de forma contínua, em um sistema fechado e com baixíssimas emissões de carbono.

Já a tecnologia vai muito além das usinas, nos reatores de potência. Ela envolve pesquisa avançada, engenharia de materiais, física nuclear, química, biotecnologia e aplicações ambientais e industriais. Mais do que uma fonte de energia, o setor nuclear brasileiro é um motor que impulsiona progresso científico, benefício social e crescimento econômico para o País.

O átomo no nosso dia a dia

A tecnologia nuclear está presente em processos que garantem a qualidade de vida da população. Veja alguns exemplos:

  • Na saúde

Reatores nucleares de pesquisa permitem a produção radioisótopos e, na sequência, os radiofármacos utilizados em exames como cintilografia e PET, fundamentais para o diagnóstico precoce de câncer e doenças cardiovasculares, por exemplo. Na terapia, esses compostos atuam de forma direcionada, atingindo células doentes com precisão. A tecnologia das radiações também é empregada na radioesterilização de materiais médico-cirúrgicos e tecidos biológicos, como sangue, peles e ossos.

  • Na alimentação
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A irradiação é utilizada como tratamento fitossanitário de produtos alimentícios, eliminando pragas e microrganismos sem alterar o valor nutricional dos alimentos. Esse processo aumenta a durabilidade dos alimentos, reduz perdas e combate bactérias e microorganismos.

  • Na proteção ambiental

Essa mesma tecnologia nuclear também é ferramenta estratégica para proteção ambiental e monitoramento e gestão de recursos hídricos. Entre as aplicações estão a supervisão da qualidade da água e do solo, o estudo da dinâmica de aquíferos, o controle e tratamento de resíduos e a avaliação de impactos ambientais. Dados químicos, biológicos e isotópicos ajudam a compreender a origem, circulação e contaminação de recursos hídricos, subsidiando políticas públicas baseadas em evidências científicas.

  • Na indústria e infraestrutura

As técnicas nucleares também permitem medição precisa de espessura e densidade de materiais, controle de processos industriais e detecção de falhas estruturais. Com elas, é possível verificar se há fissuras invisíveis em estruturas de aviões ou tubulações de petróleo e gás, por exemplo, sem precisar desmontar ou destruir a peça.

  • Na preservação do patrimônio cultural

A tecnologia nuclear e das radiações também é aplicada na caracterização, conservação e preservação do patrimônio cultural. O processo é feito com irradiação de obras de arte e bens culturais, para eliminar fungos e insetos, analisar de forma não destrutiva pigmentos e materiais históricos e conservar documentos e acervos arqueológicos. Assim, ciência e cultura caminham juntas na proteção da memória nacional.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Tecnova mobiliza R$ 588 milhões para transformar conhecimento em negócios em todo o País

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Soluções que podem melhorar serviços, gerar empregos, fortalecer cadeias produtivas e ampliar a competitividade da economia brasileira começam, muitas vezes, dentro de pequenas empresas. Para ampliar essas oportunidades, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram nesta terça-feira (16) o Tecnova 2026/2027. Considerado o maior programa de subvenção econômica voltado a micro e pequenas empresas inovadoras do País, contará com cerca de R$ 588 milhões, sendo R$ 360 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e aproximadamente R$ 228 milhões em contrapartidas estaduais e distrital. 

O programa apoiará mais de 700 empresas em todas as unidades da Federação. Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica com base científica, além de ações de aceleração e internacionalização. A iniciativa integra a estratégia do Governo do Brasil de ampliar a capacidade nacional de transformar pesquisa em produtos, processos e serviços capazes de chegar ao mercado e à sociedade. 

Durante a cerimônia, Luciana Santos destacou o papel do programa na aproximação das políticas públicas dos empreendedores que desenvolvem novas tecnologias. “O programa tem uma característica que considero muito bonita e poderosa: ele chega perto de onde a inovação nasce. Ele chega às micro e pequenas empresas brasileiras que carregam grandes ideias, mas que muitas vezes não encontram condições financeiras necessárias para assumir o risco de inovar”, afirmou a ministra. 

A ministra também ressaltou a dimensão nacional da iniciativa e o esforço para ampliar o acesso aos recursos em diferentes regiões. “O Tecnova 2026/2027 nasce da convicção de que o Brasil precisa continuar ampliando sua capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento”, disse. Segundo ela, a distribuição dos investimentos busca fortalecer ecossistemas de inovação em todo o território brasileiro e ampliar oportunidades para empresas de diferentes perfis e realidades. 

Nesta quarta edição, o Tecnova incorpora mudanças para simplificar a operação do programa nas unidades federativas. Entre as novidades estão a criação de um novo modelo de convênio para descentralização dos recursos, atualização do manual operacional, adoção de fluxo contínuo para análise de propostas, flexibilização das ações de aceleração e internacionalização e um novo modelo de acompanhamento dos projetos baseado em indicadores de desempenho. 

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Para o presidente da Finep, Luis Antonio Elias, o Tecnova se consolidou como uma das principais iniciativas de apoio à inovação empresarial no País. “O Tecnova aproxima conhecimento, inovação e desenvolvimento. É um programa que cria oportunidades para transformar boas ideias em soluções capazes de gerar empregos, competitividade e crescimento em todas as regiões do Brasil”, destacou.   

Outro destaque da nova edição é a distribuição regional dos recursos. Cerca de 58% dos investimentos federais serão destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com o objetivo de ampliar as oportunidades para empresas inovadoras instaladas fora dos principais centros econômicos do país e fortalecer ecossistemas regionais de ciência, tecnologia e inovação. 

Para a ministra, a medida reforça o compromisso do governo com um desenvolvimento mais equilibrado. “A inovação brasileira não pode ter CEP privilegiado. Há talento, criatividade e capacidade de inovação em todas as regiões do País. O que muitas vezes falta é oportunidade, financiamento e confiança”, destacou. 

Para o diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep, Carlos Aragão, a nova edição representa um marco para o programa. “Pela primeira vez, o Tecnova chega a todas as unidades da Federação com um volume de recursos dessa dimensão. É um passo importante para fortalecer a inovação em todo o País.” 

Projeto Ciência de Dados pelo Brasil 

Durante a cerimônia, a ministra lançou o projeto Ciência de Dados pelo Brasil, iniciativa voltada ao fortalecimento da produção e do uso de dados e indicadores de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) nos estados brasileiros. A ação integra o Pacto Nacional em Favor dos Indicadores Estaduais de CT&I e será executada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), com financiamento do FNDCT, por meio da Finep.   

Com investimento superior a R$ 13 milhões e execução prevista para 36 meses, o projeto apoiará a consolidação da Rede Nacional de Indicadores Estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação, promovendo metodologias comuns para a produção de dados, ampliando a comparabilidade das informações e fortalecendo a tomada de decisão baseada em evidências.   

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A iniciativa prevê ainda a capacitação de cientistas de dados, o fortalecimento da governança de dados e o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica para integração de informações estratégicas. “Estamos investindo R$ 13 milhões para apoiar a implementação de uma rede de pesquisa, de dados e de indicadores nessa área, em articulação com as Fundações de Amparo à Pesquisa e as secretarias estaduais. Queremos formar cientistas de dados nos estados para que possamos ter indicadores confiáveis e metodologias pactuadas por todos”, afirmou a ministra. 

O objetivo é criar um ecossistema capaz de sistematizar os avanços científicos em prol do desenvolvimento do Brasil. “O projeto é uma estratégia para fortalecer a soberania informacional do País sobre o resultado da própria ciência e isso será feito de forma colaborativa entre todos os entes federativos brasileiros, estaduais e federal”, disse o diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Tiago Braga. 

Fortalecimento da ciência de dados no Brasil 

Na ocasião, o MCTI também divulgou o crescimento de 30% do investimento público em ciência e tecnologia (C&T) e de 35% pesquisa e ao desenvolvimento (P&D), de 2021 a 2024. O Dispêndio Nacional em C&T e P&D — Setores Governamental e Empresarial 2014-2024, também revelou que os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) aumentaram 216%. 

A recuperação interrompe uma trajetória de retração observada de 2015 a 2021 e sinaliza a recomposição da capacidade do Estado de financiar atividades científicas, apoiar o desenvolvimento tecnológico e sustentar políticas públicas de longo prazo. Em 2024, os investimentos governamentais alcançaram R$ 88,7 bilhões em ciência e tecnologia e R$ 72,9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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