BRASIL
Exposição inédita do MTE dá rosto às vítimas de acidentes de trabalho e reforça urgência da prevenção
BRASIL
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), realizou, no dia 28 de abril — data que marca o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho e o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho —, a abertura de uma exposição fotográfica inédita, em cartaz no hall de entrada do edifício-sede do Ministério, em Brasília (DF).
A exposição “Linha de Risco – A Realidade dos Acidentes de Trabalho no Brasil” apresenta ao público 18 imagens que revelam, com profundidade e respeito, as marcas deixadas por esses acidentes na vida de trabalhadores e de suas famílias. Cada fotografia é acompanhada por histórias reais, registradas em diferentes regiões do país. Elas mostram como um instante pode transformar trajetórias, interromper sonhos e impor novos desafios à sobrevivência e à dignidade.
O visitante encontrará relatos de trabalhadores que sofreram mutilações graves durante o exercício de suas atividades, como Adaltina Pereira, que perdeu a mão em uma máquina de moer carne; João Batista, que teve dedos amputados em uma despolpadeira de coco; e Jucier Florêncio, vaqueiro que teve a mão decepada em uma forrageira. Histórias como a de Francisco “Alexandre” Gomes, que começou a trabalhar ainda criança e perdeu as pernas em um acidente envolvendo um caminhão, evidenciam a dureza de realidades marcadas pela exposição precoce ao trabalho e pela falta de proteção. Também estão presentes trabalhadores como Hélio Lira, Josenilson Pereira, Pedro Fidélis e José Nilson Medeiros, cujos corpos carregam, de forma permanente, as consequências de ambientes inseguros.
Os registros foram realizados por Sérgio Carvalho, auditor-fiscal do Trabalho e fotógrafo, que une a experiência da fiscalização a um olhar sensível e comprometido com a realidade dos trabalhadores brasileiros. Ao longo de sua atuação em campo, ele testemunhou de perto as consequências dos acidentes de trabalho, o que o levou a transformar essas vivências em registros documentais. Seu trabalho busca dar visibilidade a histórias frequentemente invisibilizadas, retratando, com respeito e humanidade, trabalhadores e familiares impactados por acidentes e contribuindo para ampliar o debate sobre prevenção, segurança e dignidade no trabalho.
A mostra também dá voz às famílias que convivem com a ausência causada por acidentes fatais. São mães, viúvas e filhos que preservam memórias e enfrentam o cotidiano marcado pela perda, como Tereza Raimundo Gabriel, mãe de uma vítima de atropelamento no trabalho, e Angélica Duarte Freire, viúva de um jovem trabalhador morto em uma esteira industrial. Ao reunir essas histórias, a exposição convida o público à reflexão sobre a urgência da prevenção e da promoção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis, reforçando que cada imagem é um alerta: proteger a vida é uma prioridade permanente.
“Cada história que encontrei carrega uma dor profunda, mas também uma força silenciosa — e fotografá-las foi, ao mesmo tempo, um privilégio e um peso que não posso ignorar”, conclui Sérgio Carvalho.
BRASIL
Brasil gera 228 mil empregos formais em março e supera 613 mil vagas no trimestre
O país gerou, em março deste ano, um total de 228.208 postos de trabalho com carteira assinada, acumulando, de janeiro a março, 613.373 vagas formais. Nos últimos 12 meses (mar/2025 a mar/2026), o total de postos gerados chega a 1.211.455. Desde 2023, já foram criadas mais de 5 milhões de vagas formais no país.
Os dados são do Novo Caged de março, divulgados nesta quarta-feira (29) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Do total de postos gerados no mês, 83,25% são considerados típicos e 16,75% não típicos — majoritariamente jornadas de até 30 horas semanais (+34.925) e contratos de aprendizagem (+12.264).
Com isso, o estoque de empregos com carteira assinada chega a 49.082.634 vínculos, o que representa crescimento de 2,6% em relação ao estoque de empregados no país.
O saldo, resultante de 2.526.660 admissões e 2.298.452 desligamentos, foi positivo em 24 unidades federativas. Os maiores resultados absolutos foram registrados em São Paulo, com 67.876 postos (0,46%); Minas Gerais, com 38.845 (0,77%); e Rio de Janeiro, com 23.914 (0,60%). Em termos relativos, destacaram-se Acre (0,92%), Roraima (0,88%) e Piauí (0,86%).
Entre os setores, o maior crescimento ocorreu em Serviços, com geração de 152.391 postos no mês. Na sequência, aparecem Construção (38.316), Indústria (28.336) e Comércio (27.267). Apenas a Agropecuária registrou retração, com queda de 18.096 postos, influenciada principalmente pela finalização de safras de maçã, soja e uva.
Acumulado do ano
De janeiro a março, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos. O maior crescimento ocorreu em Serviços, com 382.229 postos (+1,6%), com ênfase nas atividades de informação, comunicação e nos serviços financeiros, imobiliários, profissionais e administrativos (146.068), além de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais (142.038).
A Construção gerou 120.547 postos, com destaque para a construção de edifícios (49.582) e obras de infraestrutura (38.447). A Indústria apresentou saldo de 115.310 vagas, impulsionada principalmente pelo processamento industrial do fumo (10.370), fabricação de produtos alimentícios (10.126) e fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (8.690).
A Agropecuária também registrou saldo positivo de 14.752 postos, com destaque para o cultivo de maçã (7.967), soja (5.441) e alho (3.818). O Comércio foi o único setor com resultado negativo no período, com redução de 19.525 postos.
Entre os estados, o maior saldo no acumulado foi registrado em São Paulo (183.054), seguido por Minas Gerais (70.625) e Santa Catarina (59.396). Em termos relativos, os maiores avanços ocorreram em Goiás (2,33%), Mato Grosso (2,27%) e Santa Catarina (2,26%).
Perfil dos trabalhadores
Em março, o saldo foi positivo tanto para mulheres (132.477) quanto para homens (95.731). Destaca-se a geração de 165.785 postos para pessoas de até 24 anos, o equivalente a 72,6% do total do mês. Também foram criadas 183.037 vagas para trabalhadores com ensino médio completo e 23.265 para aqueles com nível superior completo.
Confira a íntegra dos dados aqui.
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