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Expoingá tem foco em tecnologia, agroindústria e inovação no campo

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Maringá (cerca de 430 km da capital, Curitiba), no Paraná, abre nesta quinta-feira (0705) a 52ª edição da Expoingá, uma das principais feiras agropecuárias do Sul do país. Promovido pela Sociedade Rural de Maringá, o evento segue até o dia 17 no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro.

A feira deve reunir produtores rurais, cooperativas, pesquisadores, empresas, instituições financeiras e lideranças do agronegócio brasileiro e internacional em um momento de forte transformação tecnológica do setor.

Entre os destaques da programação está a participação do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), que levará ao evento uma série de atividades técnicas, espaços demonstrativos e unidades voltadas à difusão de tecnologias aplicadas ao campo.

A programação organizada pelo instituto começa oficialmente na sexta-feira (8) e inclui seminários, oficinas, simpósios, palestras, degustações e encontros de produtores. As ações abrangem desde sistemas de produção e sustentabilidade até agroindustrialização, energias renováveis e turismo rural.

Um dos espaços centrais da participação do governo estadual será a Fazendinha, formada por 12 unidades didáticas voltadas à demonstração de práticas agrícolas e tecnologias para o meio rural.

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O espaço reunirá experiências ligadas à agroecologia, conservação de solo e água, produção de frutas e hortaliças, piscicultura, cafeicultura, apicultura e floricultura. Também haverá áreas dedicadas à produção de grãos, com exposição de cultivares de feijão, milho, trigo, aveia, girassol, canola e triticale.

A sustentabilidade aparece como eixo transversal desta edição. O Instituto Água e Terra (IAT) apresentará uma Casa Sustentável, enquanto o IDR-Paraná levará orientações sobre gestão de resíduos, biogás, energia solar e preservação ambiental.

Outro destaque será a valorização da agroindústria regional. A Feira Sabores reunirá produtos de diferentes regiões do Paraná, enquanto a cafeicultura contará com estações sensoriais voltadas à degustação de cafés especiais e apresentação de pesquisas desenvolvidas no estado.

O Sistema Estadual da Agricultura também participará da feira com ações integradas. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) levará atividades ligadas à defesa sanitária e fiscalização, enquanto a Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa) apresentará iniciativas voltadas à comercialização e abastecimento.

A Expoingá também deve concentrar forte movimentação financeira. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), a Fomento Paraná, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae-PR) e a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) terão espaços voltados a crédito, financiamento e apoio a produtores e empresários.

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Além do agronegócio, o turismo regional terá espaço próprio. A Secretaria de Estado do Turismo (Setu) apresentará ações ligadas ao “Destino Paraná”, com divulgação de roteiros turísticos, gastronomia e experiências culturais do Noroeste paranaense.

A expectativa da organização é repetir o forte movimento econômico registrado nas últimas edições, consolidando a Expoingá não apenas como feira agropecuária, mas como plataforma de negócios, tecnologia e integração entre produção, indústria e serviços ligados ao campo.

Serviço

52ª Expoingá
📍 Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro — Maringá (PR)
📅 De 7 a 17 de maio de 2026
🎯 Temas: tecnologia, agroindústria, sustentabilidade, crédito rural, inovação, turismo e assistência técnica.

Fonte: Pensar Agro

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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor

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A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.

O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.

Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.

A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.

Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e  obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.

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O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.

Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.

As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.

A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.

O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.

As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.

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Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.

Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.

“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.

O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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