TECNOLOGIA
Missão internacional na Ásia consolida novas frentes de cooperação em semicondutores e tecnologias avançadas
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A Missão Semicondutores Sudeste Asiático 2026 já começou a gerar desdobramentos concretos para o setor produtivo brasileiro. Uma das negociações em andamento envolve a empresa brasileira Tellescom e parceiros malásios para a instalação de uma fábrica de encapsulamento de semicondutores no Rio Grande do Sul (RS), voltada à indústria automotiva. A iniciativa integra o movimento de aproximação do Brasil às cadeias globais de microeletrônica e às novas rotas internacionais de inovação tecnológica.
Presentes em celulares, equipamentos médicos, carros, satélites e sistemas de inteligência artificial, os semicondutores se tornaram peças centrais da economia global. O desenvolvimento deles impacta diretamente a vida da população em áreas como saúde, mobilidade, telecomunicações, energia, defesa e transformação digital.
A iniciativa também consolidou novas frentes de cooperação internacional em computação quântica, formação de talentos, encapsulamento de chips, design de circuitos integrados e pesquisa aplicada. Entre os encaminhamentos previstos estão a ampliação do programa CI-Inovador no Sudeste Asiático, a divulgação de bolsas internacionais para pesquisadores brasileiros e o acompanhamento dos acordos assinados durante a agenda internacional.
Coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a missão ocorreu de 24 de abril a 9 de maio, em Singapura, Filipinas e Malásia, e reuniu 16 representantes do governo, da academia e da indústria brasileira. O objetivo foi aproximar o ecossistema brasileiro de alguns dos principais polos tecnológicos do sudeste asiático.
Singapura: computação quântica e pesquisa avançada
A primeira etapa da missão ocorreu em Singapura, país responsável por cerca de 11% do mercado global de semicondutores e que concentra parte significativa da fabricação mundial de equipamentos do setor. A delegação brasileira participou de uma imersão técnica no ecossistema local de inovação, com visitas a universidades, centros de pesquisa e empresas da área de microeletrônica.
Na programação, estava a visita ao Centre for Quantum Technologies (CQT), vinculado à National University of Singapore (NUS), onde os representantes brasileiros conheceram um processador quântico supercondutor de 10 qubits operando em temperaturas criogênicas de 13 milikelvin. O grupo também visitou o National Quantum Computing Hub, estrutura voltada ao desenvolvimento de tecnologias quânticas aplicadas à computação, comunicação e segurança digital.
A agenda incluiu reuniões com a Singapore Semiconductor Industry Association (SSIA), além de encontros no Astar, principal agência de pesquisa e inovação do país. Durante as apresentações, os brasileiros tiveram acesso ao plano RIE 2030, estratégia que prevê investimentos de aproximadamente S$ 37 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de 2026 a 2030.
A missão também identificou oportunidades de bolsas de estudo e programas de capacitação para pesquisadores brasileiros em áreas como semicondutores, engenharia, computação quântica e ciências exatas.
Filipinas: diálogo institucional e aproximação industrial
Em Manila, o Brasil promoveu o I Diálogo Brasil–Filipinas sobre Semicondutores e Microeletrônica, encontro que reuniu representantes governamentais, universidades e empresas dos dois países. O evento marcou a assinatura de um memorando de entendimento entre a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi) e a Semiconductor and Electronics Industries in the Philippines Foundation, principal entidade do setor filipino.
A programação contou com sessões técnicas, rodadas de negócios e reuniões institucionais para a ampliação da cooperação em pesquisa e desenvolvimento. Empresas filipinas participaram de encontros com representantes brasileiros para discutir oportunidades de integração produtiva e parcerias comerciais.
A delegação também visitou a Universidade das Filipinas em Diliman (UP Diliman), onde conheceu laboratórios e projetos de pesquisa em eletrônica e semicondutores. Outro ponto da agenda foi a reunião com o Departamento de Ciência e Tecnologia das Filipinas (DOST), ocasião em que o Brasil entregou formalmente uma proposta de cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação.
Como desdobramento da missão, a Embaixada do Brasil em Manila confirmou convite para participação de empresas brasileiras na Philippine Semiconductor and Electronics Convention (PSECE) 2026, uma das principais feiras do setor na região.
Malásia: acordos estratégicos e formação de engenheiros
A etapa final da missão ocorreu na Malásia, país considerado um dos principais polos asiáticos de encapsulamento e testes de semicondutores. O Brasil participou da Semicon Southeast Asia 2026, maior feira do setor no Sudeste Asiático, com um estande próprio de apresentação de iniciativas brasileiras em microeletrônica e inovação tecnológica.
Durante o evento, foram assinados ou encaminhados seis memorandos de entendimento com instituições e empresas malásias. Entre eles, acordos envolvendo o centro de pesquisa Mimos, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, o Instituto Eldorado e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com foco em semicondutores aplicados à mobilidade elétrica, sistemas espaciais e novas tecnologias industriais.
A agenda também marcou o lançamento do ChampionChip eXperience Malaysia, programa baseado em tecnologia desenvolvida pelo Centro Wernher von Braun para capacitação de engenheiros em design de chips. A iniciativa prevê a formação de 300 profissionais malásios na área de circuitos integrados.
TECNOLOGIA
Por que é tão importante registrar e mapear a biodiversidade brasileira? A ciência explica
A biodiversidade brasileira é riquíssima. O Brasil é líder em número de espécies de anfíbios e peixes de água doce, por exemplo, e está no top 5 quando se trata de outros vertebrados, como aves, mamíferos e répteis. Com tamanha variedade e importância mundial, mapear os exemplares é fundamental para o monitoramento científico.
A pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) Thais Condez explica que o monitoramento facilita a identificação de padrões de migração, de reprodução e de ocupação dos habitats; e gera informações para pesquisadores, como dados sobre polinização, essenciais para a produção de frutos. Além disso, esse tipo de conhecimento tem impacto na saúde humana, visto que a perda de habitats naturais e a redução da diversidade biológica podem aumentar o contato das pessoas com animais silvestres, favorecendo a transmissão de vírus e bactérias.
Os registros de espécies são uma parte fundamental da pesquisa e podem ser feitos pelo próprio pesquisador. Fotografias, gravação de sons, registros de pegadas, identificação de fezes e coleta de material, tanto de animais quanto de plantas, são artifícios que podem ajudar. Em alguns casos, porém, as espécies são catalogadas e mapeadas de formas diferentes. Os equipamentos utilizados para registrar peixes, por exemplo, são distintos daqueles utilizados para anfíbios.
O pesquisador do Instituto de Pesquisa do Pantanal (INPP), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Leonardo Moreira explica que algumas espécies, por serem migratórias, são de difícil detecção. “Em muitos casos, os pesquisadores enfrentam dificuldades em dizer se determinada espécie passou ou permanece na região”, diz. Essas informações são fundamentais para a criação de estratégias de conservação que considerem não apenas um território específico, mas toda a rota utilizada pelos animais.
A participação da comunidade também está presente nesse tipo de pesquisa. A chamada ciência cidadã, ou ciência comunitária, ocorre quando a população pode auxiliar de algumas formas na identificação de espécies migratórias. Segundo pesquisa do Instituto Brasilieiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação da população passou a ter um papel central na fornecendo registro, respondendo por 49,83% das ocorrências disponíveis. Pequenos registros, como fotos, ajudam a identificar a passagem de animais. “A imagem é uma informação super importante, que mostra que determinada espécie ocorre naquela área, ou que, pelo menos, passa por ali em determinada época do ano”, explica.
O levantamento tem como base os dados do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), que ajuda na junção dessas informações, como um nó, conectando dados nacionais e internacionais. Isso permite que pesquisadores de diferentes países utilizem esses dados em estudos de escala regional e global.
De acordo com o estudo do IBGE, em 2025, os maiores volumes absolutos de espécies catalogadas no Brasil concentram-se nos grupos de aves (19.011.519 registros), plantas (11.157.476) e artrópodes (3.694.793). Já os maiores incrementos em relação a 2022 foram observados em fungos, com aumento de 176,6%, seguidos por mamíferos (155%) e peixes (139,9%).
Entre outros meios de mapeamento estão os satélites, como o Amazônia-1B que ajuda órgãos de monitoramento ambiental a orientar ações de fiscalização, planejamento e resposta a eventos extremos. Estudar a movimentação na área juntamente com pesquisadores que fazem esses registros de espécies torna possível entender em quais áreas determinadas espécies estão ameaçadas.
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