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Preço da mandioca ganha sustentação com menor oferta e recuperação da demanda por fécula
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O mercado da mandioca começa a dar sinais de maior sustentação nos preços diante da redução da oferta disponível e da retomada gradual da demanda por fécula. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que o cenário observado nas últimas semanas tem contribuído para aliviar a pressão baixista que predominou no setor ao longo do primeiro semestre.
Segundo pesquisadores do Cepea, muitos produtores que já conseguiram equilibrar parte de seus compromissos financeiros reduziram o ritmo das vendas, adotando uma postura mais cautelosa diante do mercado. Essa estratégia tem restringido a disponibilidade de matéria-prima para a indústria e contribuído para uma maior estabilidade das cotações.
Outro fator relevante é o impacto das chuvas registradas em grande parte das regiões monitoradas, que limitaram o avanço da colheita e reduziram temporariamente o volume de raízes ofertadas ao mercado.
Oferta de mandioca de segundo ciclo segue em queda
Além das dificuldades climáticas, o Cepea destaca que a disponibilidade de mandioca de segundo ciclo continua diminuindo gradualmente nas principais áreas produtoras do país. A expectativa é de que esse cenário persista pelo menos até meados de julho, mantendo o mercado mais ajustado entre oferta e demanda.
Com a redução da disponibilidade dessas raízes, os produtores passam a ter maior poder de decisão sobre o momento da comercialização, avaliando com mais atenção os preços praticados antes de fechar novos negócios.
Mercado pode ganhar firmeza nas próximas semanas
Especialistas apontam que a dinâmica atual representa uma mudança em relação ao comportamento observado nos primeiros meses de 2026, quando a necessidade de geração de caixa levou muitos agricultores a intensificarem as vendas, aumentando a pressão sobre os preços.
Agora, com menor urgência financeira e uma oferta mais restrita, a comercialização de mandioca com até 12 meses de idade tende a ser cada vez mais influenciada pela evolução das cotações. Esse movimento pode favorecer uma recuperação gradual dos preços da raiz, especialmente se a demanda da indústria de fécula continuar avançando.
O cenário reforça a atenção do setor para os próximos meses, período em que fatores climáticos, disponibilidade de matéria-prima e ritmo de consumo da indústria serão determinantes para a formação dos preços da mandioca no mercado brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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Custos da safra 2026/27 sobem para milho e soja em Mato Grosso, enquanto algodão registra queda, aponta Imea
Os custos de produção das principais culturas agrícolas de Mato Grosso devem apresentar comportamentos distintos na safra 2026/27. Levantamento divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra aumento dos gastos para o cultivo de milho e soja, enquanto o algodão deve registrar redução nos desembolsos por hectare.
O avanço dos custos está relacionado, principalmente, às maiores despesas com fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes, fatores que seguem impactando a rentabilidade das atividades e exigindo maior planejamento financeiro dos produtores.
Custo do milho sobe mais de 14% em Mato Grosso
De acordo com o Imea, o custeio do milho para a safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare, alta de 14,46% em relação ao consolidado da temporada 2025/26.
O aumento foi impulsionado pelos maiores gastos com fertilizantes e defensivos, além da elevação nos custos das sementes, refletindo tanto o encarecimento dos insumos quanto a adoção de materiais genéticos mais tecnológicos.
Como consequência, o Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.528,49 por hectare, avanço de 15,03% na comparação anual.
Já o Custo Total (CT) atingiu R$ 7.418,49 por hectare, crescimento de 10,30% frente à safra anterior.
Preço mínimo para cobrir os custos
Com os custos mais elevados, o produtor precisará de maior eficiência na gestão comercial da safra.
Considerando uma produtividade de referência de 120,28 sacas por hectare, o Imea estima que a saca de milho deverá ser comercializada a pelo menos R$ 45,96 para cobrir o COE da atividade.
O cenário reforça a importância da comercialização antecipada e do travamento de preços em momentos favoráveis do mercado para preservar margens de rentabilidade.
Soja também terá aumento nos custos de produção
Para a soja, as projeções apontam um cenário de cautela para a temporada 2026/27.
Segundo o levantamento elaborado pelo Sistema Famato, Senar-MT e Imea, o custeio da oleaginosa foi estimado em R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21% em relação à safra 2025/26.
Os principais fatores responsáveis pela elevação dos custos foram:
- Fertilizantes e corretivos: aumento de 5,40%;
- Defensivos agrícolas: alta de 10,97%.
Além dos custos mais elevados, o setor continua atento às condições climáticas para a próxima temporada.
As incertezas relacionadas ao clima seguem sendo apontadas como um dos principais riscos para a produtividade das lavouras, podendo impactar diretamente o potencial produtivo e os resultados econômicos da atividade.
Crédito restrito preocupa produtores
Outro fator que preocupa o setor é a maior restrição ao crédito rural.
Segundo o Imea, a limitação dos recursos disponíveis para financiamento pode reduzir a capacidade de investimento dos produtores e provocar ajustes nos pacotes tecnológicos adotados nas propriedades.
Como reflexo desse cenário, o ponto de equilíbrio da soja para cobrir os custos de custeio aumentou 9,13% em relação à temporada passada.
Diante das margens mais apertadas, os produtores acompanham com atenção a compra dos insumos ainda pendentes e as oportunidades de comercialização da safra futura.
Algodão apresenta redução nos custos
Na contramão de milho e soja, o algodão foi a única das principais culturas analisadas a registrar queda no custo de produção.
O custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 10.652,39 por hectare, redução de 1,14% em comparação ao consolidado da temporada anterior.
A diminuição foi influenciada principalmente pela redução das despesas com:
- Manutenção de máquinas e equipamentos;
- Operações mecanizadas;
- Defensivos agrícolas.
Apesar do alívio nos custos, a cultura continua exigindo elevados investimentos por hectare, mantendo-se entre as atividades agrícolas de maior intensidade de capital no país.
Produtores enfrentam cenário de margens mais pressionadas
Os dados do Imea mostram que a safra 2026/27 deverá exigir maior planejamento financeiro dos produtores mato-grossenses.
Com custos mais elevados para milho e soja e um ambiente marcado por incertezas climáticas, restrição de crédito e volatilidade dos mercados, a gestão eficiente dos insumos e a estratégia de comercialização ganham ainda mais relevância.
Nesse contexto, o monitoramento dos custos de produção e das oportunidades de mercado será decisivo para a manutenção da rentabilidade das propriedades rurais na próxima temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

