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Comercialização de sementes ganha protagonismo em debate sobre o futuro do agro na Febrasem 2026
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A comercialização de sementes estará entre os principais temas em debate durante a 5ª edição da Feira Brasileira de Sementes (Febrasem), que será realizada nos dias 17 e 18 de junho, em Rondonópolis (MT). O evento reunirá representantes das principais empresas do agronegócio, pesquisadores e especialistas para discutir os rumos da cadeia sementeira e os desafios que devem moldar o setor nos próximos anos.
Promovida pela Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), a feira chega à edição de 2026 com o tema “A semente é o elo”, destacando a importância estratégica das sementes para a produtividade agrícola, a inovação tecnológica e a sustentabilidade da produção brasileira.
Inovação e comercialização estarão no centro das discussões
Um dos pontos altos da programação será o painel “Perspectiva do futuro da comercialização de sementes”, que reunirá executivos das principais empresas de genética e biotecnologia que atuam no país.
O debate abordará as transformações do mercado, os impactos da inovação na agricultura moderna e as novas estratégias para levar tecnologias cada vez mais avançadas ao produtor rural.
Entre os participantes confirmados está Marcelo Batistela, vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil. Segundo o executivo, o desenvolvimento do agronegócio passa diretamente pelo avanço das tecnologias incorporadas às sementes.
Para ele, a busca por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e resiliência das lavouras começa na genética, considerada hoje uma das principais ferramentas para elevar o desempenho da agricultura brasileira.
Batistela destaca ainda que os desafios do setor vão além do desenvolvimento tecnológico, envolvendo também a forma como as inovações chegam ao campo e são incorporadas ao dia a dia do produtor.
Nesse cenário, soluções integradas, conectividade, uso de dados e agricultura digital ganham espaço como fatores determinantes para aumentar a competitividade das propriedades rurais.
Grandes empresas participam do painel
O debate reunirá representantes de algumas das maiores companhias do setor de sementes e genética vegetal.
Além da BASF, participarão do painel executivos da TMG, Syngenta Seeds, Corteva, Stine, Bayer e GDM Seeds, empresas que atuam diretamente no desenvolvimento de cultivares, biotecnologia e soluções voltadas ao aumento da produtividade agrícola.
A expectativa é que a discussão apresente uma visão ampla sobre os desafios e oportunidades da comercialização de sementes diante de um cenário marcado por avanços tecnológicos, mudanças climáticas, exigências de sustentabilidade e crescimento da demanda global por alimentos.
Sementes são base da produtividade no campo
O tema ganha relevância em um momento em que a agricultura brasileira busca produzir mais em áreas já consolidadas, reduzindo impactos ambientais e aumentando a eficiência do uso de recursos.
Nesse contexto, a qualidade genética das sementes tornou-se um dos principais fatores para o sucesso das lavouras, influenciando diretamente características como produtividade, resistência a doenças, tolerância ao estresse hídrico e adaptação a diferentes ambientes de cultivo.
O setor também acompanha uma crescente demanda por soluções capazes de entregar maior previsibilidade produtiva diante das oscilações climáticas observadas nos últimos anos.
Programação reúne especialistas de referência
Além dos debates sobre comercialização e inovação, a Febrasem 2026 contará com uma programação técnica voltada aos principais temas da cadeia sementeira.
Entre os palestrantes confirmados estão pesquisadores, executivos, juristas e especialistas com ampla experiência em áreas como tecnologia de sementes, fitopatologia, mercado agrícola, direito empresarial, gestão e inovação.
A programação inclui nomes como Mauricio Schneider, CEO da StarSe Agro e cofundador da Solubio; Maria de Fátima Zorato, especialista em Fitopatologia e Ciência de Sementes; Geri Meneghello e Jonas Pinto, referências nacionais em tecnologia de sementes; França Neto, pesquisador com doutorado pela Universidade da Flórida; Anderson Galvão, fundador da Céleres; Fernando Wagner, da GDM Seeds; Janaína Martuscello, professora da Universidade Federal de São João del-Rei; e Eduardo Lourenço, especialista em Direito Constitucional, Empresarial e Tributário.
Feira busca fortalecer negócios e conexões no agro
Além do conteúdo técnico, a Febrasem contará com exposição de tecnologias, máquinas, equipamentos e soluções voltadas à produção de sementes e grãos.
A proposta é criar um ambiente favorável à geração de negócios, troca de experiências e fortalecimento de parcerias entre empresas, produtores, pesquisadores e profissionais ligados ao agronegócio.
Com foco em inovação, mercado e desenvolvimento tecnológico, a feira se consolida como um dos principais fóruns de discussão sobre o futuro da cadeia sementeira brasileira, setor considerado estratégico para sustentar o crescimento da produção agrícola nacional nas próximas décadas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro



