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Boi gordo deve enfrentar volatilidade após fim da cota chinesa, aponta Itaú BBA

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O mercado do boi gordo brasileiro vive um momento de transição. Embora as exportações de carne bovina continuem em forte ritmo e sustentem a demanda pela produção nacional, a possível interrupção das compras chinesas a partir de agosto traz incertezas para o setor e deve aumentar a volatilidade dos preços nos próximos meses.

A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário de fundamentos positivos para a pecuária de corte no longo prazo, mas com desafios importantes no curto prazo.

Exportações seguem sustentando o mercado

Mesmo com a retração observada nos preços do boi gordo durante maio, a demanda internacional continuou robusta. A cotação média do indicador Cepea registrou queda de 3,9% em relação ao mês anterior, encerrando maio em R$ 349 por arroba. Já no início de junho, o mercado voltou a apresentar recuperação, alcançando R$ 354 por arroba.

O principal fator de sustentação continua sendo o desempenho das exportações. Em maio, os embarques de carne bovina in natura atingiram 262 mil toneladas, volume 20% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e 16% acima da média anual.

A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por 51% das exportações totais no acumulado do ano. Entre janeiro e maio, os embarques para o mercado chinês cresceram 24% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Além do aumento dos volumes, houve valorização dos preços pagos pelo produto brasileiro. O valor médio da tonelada exportada para a China passou de US$ 5.400 em janeiro para US$ 6.800 em maio, fortalecendo a rentabilidade das exportações.

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Retenção de fêmeas reforça ciclo de valorização

Outro ponto destacado pelo Itaú BBA é a continuidade do movimento de retenção de fêmeas no rebanho nacional, característica típica de uma fase de reconstrução pecuária.

Dados do IBGE mostram que os abates no primeiro trimestre de 2026 cresceram 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. Entretanto, a participação menor de fêmeas nos frigoríficos e o aumento do peso médio das carcaças elevaram a produção de carne em 5,1%.

Ao mesmo tempo, o mercado de reposição segue aquecido. O preço do bezerro avançou 2% em maio, refletindo a maior demanda dos criadores e a expectativa de continuidade da retenção de matrizes.

Segundo os analistas, esse movimento fortalece os fundamentos de longo prazo para a valorização da pecuária brasileira, ao reduzir gradualmente a disponibilidade futura de animais para abate.

Fim da cota chinesa preocupa setor

Apesar dos sinais positivos, o mercado monitora com atenção a possível conclusão da cota chinesa entre o final de julho e o início de agosto.

Caso o limite de compras seja atingido, o setor poderá enfrentar um período de ajuste na demanda externa, justamente durante o terceiro trimestre, fase em que tradicionalmente ocorre redução da oferta de animais terminados a pasto.

A preocupação se reflete nos contratos futuros negociados na B3, que já incorporam um desconto próximo de R$ 10 por arroba entre os vencimentos de junho e julho.

Para o Itaú BBA, a principal dúvida é como o mercado irá absorver a redução temporária das compras chinesas. Embora a demanda externa possa enfraquecer, as margens ainda favoráveis da engorda intensiva indicam que a oferta de animais confinados pode permanecer elevada.

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Mercado deve voltar a reagir no último trimestre

Os analistas avaliam que a fase de adaptação sem a China tende a gerar oscilações relevantes nos preços ao longo do terceiro trimestre. No entanto, os fundamentos estruturais permanecem positivos.

Entre os fatores de sustentação estão a menor disponibilidade global de carne bovina, o avanço do ciclo de retenção de fêmeas no Brasil e a expectativa de retomada das compras chinesas para atendimento da cota de 2027.

Dessa forma, a tendência é que, após um período de maior volatilidade, o mercado volte a refletir os fundamentos de oferta e demanda, favorecendo uma recuperação mais consistente dos preços a partir do último trimestre do ano.

Gestão de risco será fundamental

Diante desse cenário, o Itaú BBA recomenda atenção especial à gestão de risco por parte dos pecuaristas.

Produtores com animais prontos para venda nos próximos meses e sem proteção de preços podem ser os mais impactados pelas oscilações do mercado. Frigoríficos de menor porte também deverão enfrentar desafios adicionais caso ocorra redução temporária das exportações para a China.

Enquanto isso, a forte demanda internacional e o processo de reconstrução do rebanho brasileiro seguem formando uma base sólida para a pecuária de corte, reforçando perspectivas positivas para o setor no médio e longo prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estoques globais de algodão caem e sustentam preços na Bolsa de Nova York com demanda asiática aquecida

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Mercado internacional de algodão opera com fundamentos mais apertados

A revisão mais recente dos dados globais de oferta e demanda de algodão para a safra 2026/27 indica um cenário de maior restrição de estoques e consumo aquecido no mercado internacional. O movimento foi detalhado em análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária na última segunda-feira (15).

O ambiente mais ajustado de oferta ajudou a sustentar as cotações da fibra na Bolsa de Nova York no dia da divulgação dos números.

Exportações fortes reduzem estoques iniciais da próxima safra

Segundo o IMEA, a queda nos estoques finais da safra 2025/26 está diretamente ligada ao ritmo intenso de exportações registrado pelo Brasil e pelos Estados Unidos.

Esse movimento reduziu os estoques iniciais projetados para a temporada 2026/27 em comparação com os dados divulgados em maio, contribuindo para um balanço global mais apertado.

Produção global estável limita recomposição da oferta

No lado da oferta, a estimativa de produção mundial de algodão para a nova safra permaneceu estável no comparativo mensal, totalizando 25,27 milhões de toneladas.

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A ausência de crescimento na produção impede uma recomposição mais forte dos estoques globais, em um momento em que a demanda segue firme.

Consumo global é revisado para cima pelo USDA

Do lado da demanda, o United States Department of Agriculture revisou para cima sua projeção de consumo mundial de algodão, agora estimado em 26,51 milhões de toneladas, alta de 0,06%.

O ajuste reflete principalmente a expectativa de manutenção da demanda nos países asiáticos, com destaque para a Índia, que prorrogou a suspensão de tarifas de importação até 31 de outubro. A medida busca ampliar a oferta interna e garantir o abastecimento da indústria têxtil local.

Estoques finais caem ao menor nível desde 2018/19

Com consumo elevado e oferta limitada, os estoques finais projetados para a safra 2026/27 foram reduzidos em 1% frente à estimativa anterior.

De acordo com o IMEA, o volume esperado é o menor desde a safra 2018/19, reforçando um cenário de aperto estrutural no balanço global da fibra.

Perspectiva: mercado tende a seguir sustentado por fundamentos mais apertados

Na avaliação do IMEA, o desequilíbrio entre oferta limitada e demanda firme tende a manter o mercado internacional de algodão sustentado no curto prazo.

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O cenário reforça a percepção de escassez relativa da fibra, fator que segue dando suporte às cotações na Bolsa de Nova York, especialmente diante da continuidade da demanda asiática aquecida.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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