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Mato Grosso acelera colheita do milho 2ª safra, mas custos da próxima temporada sobem até 15% e exigem cautela no planejamento
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A colheita do milho segunda safra 2025/26 avança em ritmo acelerado em Mato Grosso, ao mesmo tempo em que o produtor rural já liga o sinal de atenção para o aumento dos custos de produção da próxima temporada. O cenário combina boa evolução no campo com pressão financeira para o ciclo 2026/27, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Colheita do milho avança e se aproxima da média histórica
Na segunda semana de junho, a colheita do milho em Mato Grosso atingiu 11,29% da área estimada, conforme levantamento do Imea. O avanço representa mais de 5 pontos percentuais em relação à semana anterior e supera o desempenho do mesmo período da safra 2024/25, quando os trabalhos estavam em cerca de 7%.
O ritmo atual também se aproxima da média dos últimos cinco anos, indicando um comportamento alinhado ao histórico do estado, maior produtor de milho segunda safra do Brasil.
A área total destinada ao cereal foi mantida em 7,39 milhões de hectares. Com a revisão mais recente, a produtividade média está estimada em 120,28 sacas por hectare, com produção projetada de 53,35 milhões de toneladas.
Segundo a analista de agricultura do Imea, Milena Bezerra, o desempenho em campo pode ganhar ainda mais intensidade nas próximas semanas.
“O ritmo da colheita segue avançando, com desempenho superior ao da safra passada e próximo da média histórica. Caso o clima permaneça favorável, a tendência é de aceleração dos trabalhos e consolidação de um cenário de boa produtividade”, afirma.
Custos da safra 2026/27 sobem até 15% e pressionam planejamento
Enquanto a colheita da safra atual avança, o produtor já observa um cenário de aumento significativo nos custos para o próximo ciclo. De acordo com o Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA), desenvolvido pelo Senar-MT em parceria com o Imea, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare em maio, alta de 14,46% em relação à safra 2025/26.
O Custo Operacional Efetivo (COE) também apresentou avanço relevante, projetado em R$ 5.528,49 por hectare, crescimento de 15,03% na comparação anual. Considerando a produtividade estimada de 120,28 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio para cobrir o COE exige preço mínimo de R$ 45,96 por saca.
Já o Custo Total (CT) foi estimado em R$ 7.418,49 por hectare, aumento de 10,30% frente ao ciclo anterior, reforçando o desafio de rentabilidade no médio prazo.
El Niño entra no radar e pode afetar janela do milho
Além da pressão de custos, o planejamento da safra 2026/27 também exige atenção aos efeitos climáticos, especialmente em relação ao fenômeno El Niño.
Segundo o Imea, o impacto indireto sobre o milho ocorre principalmente via cultura da soja, já que alterações no regime de chuvas podem comprometer o calendário de plantio da oleaginosa e, consequentemente, reduzir a janela ideal para o milho segunda safra.
Para a especialista, o cenário exige estratégia mais cautelosa por parte dos produtores, especialmente no manejo de risco e no planejamento de compra de insumos.
Cenário combina boa safra atual e alerta para o próximo ciclo
O atual ciclo de milho em Mato Grosso confirma boa performance de campo, com produtividade projetada acima da média histórica e colheita em ritmo consistente. No entanto, o aumento dos custos de produção e as incertezas climáticas para 2026/27 reforçam um ambiente de maior atenção no planejamento agrícola.
A combinação entre custos elevados, dependência climática e necessidade de eficiência operacional deve marcar o próximo ciclo do milho no estado, exigindo maior profissionalização na gestão das propriedades rurais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Açúcar fecha em alta no mercado brasileiro após feriado nos EUA; clima na Índia segue no radar do setor
O mercado do açúcar encerrou a sexta-feira (19) com movimentação limitada no cenário internacional devido à paralisação das negociações na Bolsa de Nova York, que permaneceu fechada em razão do feriado de Juneteenth, celebrado nos Estados Unidos. No Brasil, porém, o açúcar cristal registrou recuperação nos preços, interrompendo uma sequência de quedas observada nas últimas sessões.
A ausência das negociações na principal referência global para a commodity reduziu o volume de negócios internacionais, mas investidores e agentes do setor continuaram atentos aos fundamentos que influenciam a oferta e a demanda mundial de açúcar.
Mercado internacional segue atento à oferta global
Antes da interrupção das negociações, os contratos futuros do açúcar bruto haviam encerrado a sessão anterior em queda, pressionados principalmente pela valorização do dólar frente a outras moedas. O fortalecimento da moeda norte-americana tende a reduzir a competitividade das commodities negociadas internacionalmente, impactando o comportamento dos preços.
Mesmo sem a referência de Nova York, o mercado manteve o foco sobre fatores estruturais, como o desempenho produtivo dos principais exportadores mundiais e as condições climáticas nas regiões produtoras.
Entre os pontos de atenção está a evolução da safra na Índia, segundo maior produtor global de açúcar. O país enfrenta irregularidades no regime de monções, situação que gera preocupação quanto ao potencial produtivo da próxima temporada e pode influenciar a disponibilidade global da commodity.
Açúcar cristal volta a subir no mercado interno
No mercado doméstico, o Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco comercializado no estado de São Paulo registrou valorização de 0,78% na sexta-feira.
A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 91,46, revertendo parte das perdas acumuladas recentemente. Apesar da recuperação pontual, os preços ainda apresentam recuo de 1,66% no acumulado de junho.
Segundo analistas, o mercado físico continua operando com cautela diante da maior disponibilidade de produto e da postura mais conservadora de compradores e vendedores.
Petróleo influencia estratégia das usinas
Outro fator que permanece no radar do setor sucroenergético é o comportamento do mercado de petróleo. A recente queda das cotações internacionais da commodity reduz a competitividade do etanol frente à gasolina, o que pode estimular as usinas brasileiras a destinarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar.
Esse movimento tende a elevar a oferta do adoçante no mercado global, aumentando a pressão sobre os preços internacionais nos próximos meses.
Perspectivas para o mercado do açúcar
Para as próximas semanas, o mercado deve continuar monitorando a evolução das condições climáticas na Índia, o ritmo da moagem da cana no Centro-Sul do Brasil e os desdobramentos do mercado energético global.
A combinação entre maior produção brasileira e incertezas sobre a safra indiana deverá seguir determinando o comportamento das cotações, em um cenário marcado por elevada volatilidade e atenção redobrada dos agentes do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

