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Madeira da Amazônia sob suspeita chega à Europa e expõe falhas na certificação florestal, aponta relatório
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Uma investigação conduzida pela ONG britânica Earthsight aponta que madeira originária da Amazônia brasileira, associada a uma empresa com histórico de autuações e condenações no Pará, chegou ao mercado europeu e foi utilizada em obras de infraestrutura e paisagismo na Netherlands.
Segundo o relatório “Cuidado onde você pisa! O deck holandês construído com madeira suspeita da Amazônia”, o material teria sido fornecido pela Samise Indústria, Comércio e Exportação Ltda., que acumula multas, suspensões operacionais e condenação criminal no Brasil.
A investigação, realizada com apoio do Center for Climate Crime Analysis, levanta questionamentos sobre a eficácia dos sistemas de certificação florestal e da rastreabilidade na cadeia global da madeira.
Madeira da Amazônia teria chegado a grandes importadoras europeias
De acordo com o relatório, milhares de metros cúbicos de madeira extraída da Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no estado do Pará, teriam sido exportados para a Europa.
A área é uma concessão florestal onde a empresa Samise operaria sob licença, mas que, segundo a investigação, acumula episódios de irregularidades, incluindo suspeitas de fraude na identificação de toras e transporte de madeira durante períodos de suspensão.
Entre as espécies citadas está o angelim-vermelho, amplamente utilizado em decks e estruturas externas.
Importadoras holandesas são citadas no relatório
O documento aponta que parte da madeira teria sido adquirida por grandes importadoras europeias, como:
- Hoogendoorn Hout
- Van den Berg Houtgroep
Segundo a Earthsight, essas companhias teriam comprado volumes expressivos de madeira processada oriunda da cadeia ligada à Samise, posteriormente direcionada a projetos de infraestrutura e paisagismo na Europa.
Certificação FSC sob questionamento
A empresa investigada possuía certificação do Forest Stewardship Council desde 2016.
O relatório afirma que, mesmo com suspensões entre 2023 e 2025, o certificado só foi cancelado definitivamente em março de 2026, período em que a empresa já enfrentava investigações e sanções no Brasil.
Entre os pontos destacados pela investigação estão:
- Suspeita de adulteração na identificação de mais de 600 toras
- Transporte de madeira durante suspensão operacional
- Encaminhamento de produtos à serraria Greenex
- Comercialização no mercado interno e internacional
- Falhas na rastreabilidade e críticas ao sistema europeu
A investigação também cita limitações do antigo Regulamento da União Europeia sobre Madeira (EUTR), mecanismo que exige diligência dos importadores para evitar entrada de madeira ilegal no bloco.
Segundo a Earthsight, muitas empresas ainda dependem excessivamente de certificações ambientais como principal garantia de legalidade, sem auditorias independentes mais robustas.
O relatório reforça críticas ao fato de que certificações podem permanecer ativas mesmo diante de sinais de irregularidades ao longo da cadeia produtiva.
Nova regulamentação europeia entra no radar do setor
O caso é usado como exemplo pela ONG para defender a aplicação rigorosa do novo European Union Deforestation Regulation (EUDR), que deve entrar em vigor em dezembro de 2026.
A nova regra exigirá rastreabilidade mais detalhada e comprovação de origem livre de desmatamento para produtos agrícolas e florestais exportados ao mercado europeu.
Impactos também alcançam a política florestal brasileira
Além das implicações internacionais, o relatório chama atenção para a política de concessões florestais no Brasil, que prevê expansão da área explorada em florestas federais.
A análise aponta que a ampliação pode aumentar desafios de fiscalização, especialmente diante da complexidade de monitorar contratos já existentes em áreas da Amazônia.
A investigação destaca ainda que, mesmo sob regimes legais, a exploração florestal pode gerar impactos ambientais persistentes ao bioma amazônico.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Hambúrguer e pescado de Ribeirão Preto podem ser comercializados em todo o Brasil
Duas agroindústrias de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, passaram a ter autorização para comercializar seus produtos em todo o território nacional após o reconhecimento do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) do município pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). A equivalência foi reconhecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio de portaria publicada no dia 8 de setembro.
As empresas produzem pescado pronto para preparo em fritadeiras elétricas e hambúrgueres. Para os empreendimentos, a mudança permite buscar clientes fora do mercado atendido anteriormente pelo serviço municipal.
Uma das empresas produz tilápia, surubim, tilápia recheada com provolone, croquete de tilápia e camarão. Os produtos são comercializados por meio de delivery, empórios, lojas de conveniência, boutiques de carne, bares e restaurantes, além de vendas entre empresas.
Com a ampliação da área de comercialização, a empresa pretende desenvolver novos canais de distribuição e, conforme a formalização de contratos, aumentar a produção e o número de funcionários.
Na indústria de hambúrgueres, a integração ao Sisbi-POA também abre a possibilidade de comercialização para estabelecimentos de outros estados. A empresa já atende clientes e recebe demanda de hamburguerias de São Paulo, Minas Gerais e outros estados próximos. A produção é automatizada, e novos investimentos estão previstos para 2027.
As duas empresas autorizadas a utilizar o selo deverão incluir nas embalagens a inscrição Sisbi, do Mapa, indicando que a inspeção foi feita pelo município, mas equivalente àquela feita pelo Mapa.
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