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Força-tarefa coordenada pelo MTE resgata seis trabalhadores indígenas em condições análogas à escravidão em Glorinha (RS)
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Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF), resgatou, nesta terça-feira (30), seis trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma propriedade rural localizada no município de Glorinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
De acordo com informações da Auditoria Fiscal do Trabalho, os trabalhadores resgatados eram migrantes indígenas, provenientes de diferentes aldeias localizadas em municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, além de um trabalhador de nacionalidade argentina. Todos atuavam na colheita de hortaliças, especialmente brócolis.
Durante a fiscalização, segundo os auditores-fiscais do Trabalho, foi constatado que os trabalhadores exerciam suas atividades sem registro formal dos contratos de trabalho e estavam submetidos a condições degradantes. O alojamento apresentava condições precárias de habitabilidade, não havia instalação sanitária com vaso sanitário e os trabalhadores não recebiam equipamentos de proteção individual (EPIs), apesar da natureza da atividade desempenhada.
A fiscalização informou ainda que o empregador providenciou o pagamento das passagens para o retorno dos trabalhadores aos seus locais de origem, além de efetuar o pagamento de parte das verbas rescisórias devidas.
O Ministério Público do Trabalho firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o empregador, garantindo o pagamento das verbas rescisórias e de indenização por dano moral individual.
A Auditoria Fiscal do Trabalho adotará as medidas administrativas cabíveis, incluindo a emissão das guias para habilitação dos trabalhadores ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado.
O empregador foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis na esfera criminal.
Denúncias
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê.
A ferramenta foi desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), e integra as ações permanentes da Auditoria Fiscal do Trabalho no combate ao trabalho escravo contemporâneo.
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Especialistas apresentam dez caminhos para enfrentar o crime organizado
Brasília, 1º/7/2026 — Durante décadas, o enfrentamento ao crime organizado no Brasil avançou sem uma estratégia integrada, sustentada por dados, evidências e avaliação sistemática de políticas públicas. Embora operações policiais, prisões e alterações na legislação penal ocupem espaço central no debate público, especialistas defendem que essas medidas, quando adotadas de forma isolada, têm se mostrado insuficientes para conter a expansão das organizações criminosas, que hoje atuam em redes cada vez mais sofisticadas, diversificadas e adaptáveis.
É a partir dessa constatação que nasce Criminalidade Organizada: Diagnóstico e políticas públicas e legislativas, publicação lançada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria de Assuntos Legislativos (SAL), em parceria com Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF). A obra reúne alguns dos principais pesquisadores brasileiros dedicados ao tema e apresenta um amplo diagnóstico sobre o funcionamento do crime organizado no País, acompanhado de propostas concretas para subsidiar políticas públicas e aperfeiçoamentos legislativos.
Mais do que reunir estudos acadêmicos, a publicação propõe uma mudança de paradigma. Em vez de compreender facções criminosas, milícias, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, circulação ilegal de armas, corrupção policial e sistema prisional como problemas independentes, o livro demonstra que esses fenômenos fazem parte de um mesmo ecossistema criminoso, sustentado por relações econômicas, institucionais, territoriais e internacionais. A partir dessa leitura integrada, os autores defendem respostas igualmente articuladas, baseadas em inteligência, produção de conhecimento, coordenação entre instituições e avaliação permanente de resultados.
Organizada por Daniel Veloso Hirata, Daniel Edler Duarte, Alberto Kopittke e Gabriel Sampaio e Carolina Christoph Grillo, a publicação reúne dez capítulos escritos por especialistas de diferentes áreas do conhecimento. Cada um deles aborda um aspecto específico da criminalidade organizada e apresenta recomendações voltadas ao fortalecimento da capacidade do Estado de enfrentar organizações criminosas de forma mais estratégica e sustentável.
Entre os temas tratados estão a estrutura e o funcionamento das facções criminosas, o controle territorial exercido por facções e milícias, o papel do sistema prisional no fortalecimento dessas organizações, os mercados ilícitos de drogas e armas, a lavagem de dinheiro, a corrupção policial, a cooperação internacional e os desafios da coordenação entre União, estados e municípios. Ao longo da obra, os autores convergem na defesa de políticas públicas orientadas por evidências e por uma atuação integrada entre diferentes órgãos do Estado.
O primeiro capítulo apresenta uma das principais inovações conceituais do livro ao aplicar a chamada criminofísica ao estudo das facções criminosas. Inspirada na teoria das redes e nos sistemas complexos, a abordagem propõe substituir ações repressivas indiscriminadas por intervenções capazes de atingir funções estratégicas das organizações criminosas, potencializando o impacto das políticas de segurança pública.
Os capítulos seguintes analisam o controle territorial exercido por facções e milícias, a influência do sistema prisional na expansão dessas organizações, o funcionamento do tráfico de drogas, a nova cadeia de suprimentos de armas, os mecanismos de lavagem de dinheiro e a utilização crescente de ativos digitais, além dos desafios impostos pela corrupção policial e pela necessidade de ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional.
A publicação também chama atenção para a necessidade de fortalecer mecanismos permanentes de inteligência, integração de bases de dados, coordenação federativa, controle institucional e avaliação de políticas públicas. Segundo os pesquisadores, enfrentar organizações altamente articuladas exige que o próprio Estado desenvolva estruturas igualmente integradas e orientadas por conhecimento científico.
Embora cada capítulo apresente recomendações específicas, a obra converge para uma conclusão comum: o enfrentamento ao crime organizado exige abandonar respostas fragmentadas e construir políticas públicas capazes de atuar sobre as estruturas que sustentam essas organizações. Nesse sentido, o livro oferece um conjunto consistente de propostas voltadas ao aperfeiçoamento da legislação, das instituições e das estratégias de segurança pública, buscando contribuir para um debate cada vez mais baseado em evidências e comprometido com o fortalecimento do Estado Democrático de Direito.
A publicação reúne contribuições de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. Confira os temas de cada capítulo e seus respectivos autores:
Capítulo 1 – Facções criminais: estrutura, energia e neutralização seletiva em sistemas complexos do crime organizado, de Bruno Requião da Cunha;
Capítulo 2 – Controle Territorial Armado e Crime Organizado no Brasil: diagnóstico, impactos e propostas de enfrentamento, de Daniel Hirata, Maria Isabel Couto e Cecília Olliveira;
Capítulo 3 – Facções criminosas em um contexto de declarado Estado de Coisas Inconstitucional nas prisões brasileiras, de Juliana Tonche;
Capítulo 4 – Tráfico de drogas e segurança no Brasil: mecanismos de um ciclo vicioso, de Gabriel Feltran e Deborah Fromm;
Capítulo 5 – A nova cadeia de suprimentos do crime: flexibilização, armas de maior poder de fogo e a “substituição de importações” no mercado ilícito brasileiro, de Bruno Langeani e Carolina de Mattos Ricardo;
Capítulo 6 – Prevenção à lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional: possibilidades e gargalos, de Davi de Paiva Costa Tangerino, Vladimir Barros Aras e Victor Américo Alves de Freitas;
Capítulo 7 – Grupos armados e a produção de territórios populares: mercados em disputa e novas articulações políticas, de Raquel Rolnik e Isadora Guerreiro;
Capítulo 8 – Desafios do enfrentamento ao crime organizado no Brasil: arranjo federativo e integração interinstitucional, de Renato Sérgio de Lima, Samira Bueno e Leonardo Silva;
Capítulo 9 – A corrupção policial e o crime organizado, de Ignacio Cano;
Capítulo 10 – Cooperação internacional no combate à criminalidade transnacional: análise do sistema brasileiro e propostas de aprimoramento normativo e institucional, de Yuri Corrêa Araujo.


