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Indústria do arroz perde poder de negociação e dependência do varejo desafia competitividade do setor

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A cadeia produtiva do arroz enfrenta um desafio estrutural que vai além das oscilações de oferta e demanda. A crescente dependência da indústria em relação às grandes redes varejistas tem reduzido o poder de negociação das empresas beneficiadoras e comprometido a rentabilidade do setor, mesmo em cenários favoráveis de mercado.

A avaliação é do analista da cadeia do arroz Sergio Cardoso, divulgada pelo canal Pampa Gaúcho. Segundo ele, atribuir às grandes redes supermercadistas a responsabilidade pelo desequilíbrio comercial representa uma leitura superficial do problema. Na prática, o varejo apenas exerce sua função de mercado, comprando quando identifica oportunidades e melhores condições de preço.

Dependência comercial enfraquece a indústria do arroz

De acordo com a análise, o verdadeiro desafio está na própria estrutura da indústria arrozeira, que ao longo dos anos passou a depender excessivamente do varejo como principal canal de comercialização.

Essa situação é resultado de diversos fatores acumulados, entre eles:

  • elevada capacidade ociosa das indústrias;
  • necessidade permanente de geração de caixa;
  • beneficiamento de estoques pertencentes a terceiros;
  • intensa concorrência entre empresas do setor;
  • ambiente tributário complexo e de alto custo operacional.
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Esse conjunto de fatores reduz a capacidade das empresas de sustentarem negociações mais firmes, fazendo com que muitos negócios sejam fechados sob pressão financeira, mesmo quando o mercado apresenta menor disponibilidade do produto.

Caso do Grupo Mateus evidencia fragilidade nas negociações

Um dos exemplos destacados ocorreu antes das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Naquele período, compradores do Grupo Mateus percorreram o Rio Grande do Sul e Santa Catarina em busca de arroz.

Apesar da oferta mais restrita, conseguiram concluir negociações em condições consideradas favoráveis para o comprador, evidenciando que parte da indústria continuava priorizando a necessidade imediata de caixa em detrimento de uma estratégia comercial voltada à valorização do produto.

Segundo Cardoso, o episódio demonstra que muitas empresas ainda vendem pressionadas pela liquidez, limitando sua capacidade de capturar melhores margens em momentos de mercado mais apertado.

Fortalecimento da indústria é caminho para recuperar competitividade

Na avaliação do especialista, o fortalecimento da cadeia produtiva depende menos de mudanças no comportamento do varejo e mais da construção de uma indústria financeiramente mais sólida, organizada e menos dependente das grandes redes.

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A recuperação do poder de negociação passa por maior planejamento estratégico, geração de valor agregado, gestão eficiente dos estoques e maior coordenação entre os diferentes agentes da cadeia produtiva.

Sem mudanças estruturais, a indústria continuará vulnerável às pressões comerciais, reduzindo sua capacidade de aproveitar oportunidades de mercado e comprometendo a competitividade do arroz brasileiro no longo prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MPA oficializa contratos em águas da União em visita ao Nordeste

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O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reforçou as ações de apoio à aquicultura no Nordeste durante agenda que contou com a presença do Secretário Executivo, Lázaro Medeiros, e da Secretária Nacional de Aquicultura, Fernanda de Paula, nos estados de Pernambuco e Bahia. A programação incluiu a oficialização de contratos de cessão de uso de águas da União para empreendimentos aquícolas e visita à Unidade de Beneficiamento da Canyons Pescados, em Xingozinho, no município de Paulo Afonso (BA), destacando o potencial da piscicultura para geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. 

A região do Submédio São Francisco concentra um dos principais polos de produção de tilápia em tanques-rede do país. Os reservatórios das Usinas Hidrelétricas (UHEs) de Moxotó, Itaparica e Xingó, distribuídos entre Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, reúnem condições favoráveis para a atividade e representam uma importante fonte de trabalho e renda para produtores e comunidades locais. 

Durante a agenda, foram assinados contratos de cessão de uso de águas da União para empreendimentos de aquicultura em Glória (BA) e Jatobá (PE). A iniciativa permite a regularização e o ordenamento dos empreendimentos, oferecendo maior segurança para os produtores e contribuindo para a expansão sustentável da atividade. Os contratos de cessão de uso de águas da União são instrumentos importantes para o desenvolvimento ordenado da aquicultura, permitindo que produtores utilizem áreas públicas destinadas à atividade aquícola de forma regularizada, com critérios de ocupação e sustentabilidade. 

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Em Paulo Afonso, o secretario executivo visitou a Unidade de Beneficiamento da Canyons Pescados, localizada na comunidade de Xingozinho. A estrutura integra as diferentes etapas da cadeia produtiva da tilápia, desde a criação e engorda dos peixes até o abate, beneficiamento e comercialização. A unidade de beneficiamento também fornece pescado para a alimentação escolar do estado da Bahia e do município de Paulo Afonso, fortalecendo a participação da produção aquícola regional nas compras públicas e institucionais. 

A integração entre produção, beneficiamento e comercialização permite agregar valor ao pescado, ampliar a renda dos produtores e fortalecer a economia local. Com a expansão da produção de tilápia, a unidade também poderá ampliar o aproveitamento de sua capacidade instalada e alcançar novos mercados. O crescimento da aquicultura nos reservatórios de Moxotó, Itaparica e Xingó também demanda ações permanentes de monitoramento ambiental, ordenamento aquícola e regularização dos empreendimentos. 

Nesse sentido, o MPA, em parceria com instituições de pesquisa e extensão, atua no acompanhamento das condições ambientais dos reservatórios. Em setembro, terá início a primeira campanha de pesquisa de qualidade da água e dos sedimentos nos reservatórios de Moxotó e Itaparica, iniciativa idealizada pelo Ministério por meio da Rede de Pesquisa e Monitoramento Ambiental da Aquicultura em Águas da União. 

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A ação será executada pela Embrapa, Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) e Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), com o objetivo de produzir informações que contribuam para o acompanhamento das condições ambientais e para o desenvolvimento sustentável da atividade aquícola. 

A iniciativa reforça a importância de conciliar o crescimento da produção com a preservação dos recursos naturais, garantindo que a aquicultura continue contribuindo para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável das comunidades que vivem no entorno do rio São Francisco. 

A agenda do secretário executivo, Lázaro Medeiros, nos dois estados evidencia a atuação do MPA na promoção de uma aquicultura regularizada, produtiva e sustentável. A oficialização dos contratos de cessão de uso de águas da União, aliada ao fortalecimento das estruturas de produção e beneficiamento, amplia as oportunidades para produtores e empreendedores e contribui para consolidar o Submédio São Francisco como um dos principais polos da aquicultura continental brasileira.

Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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