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Agronegócio pode liderar expansão das florestas no Brasil e fortalecer agenda climática global, aponta estudo
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O agronegócio brasileiro pode se tornar um dos principais protagonistas da expansão das florestas no país nas próximas décadas. A conclusão faz parte da segunda edição do estudo O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global, que será apresentado ao longo de 2026 nas três Conferências das Partes da Organização das Nações Unidas (ONU): a COP do Clima, a COP da Biodiversidade e a COP da Desertificação.
O levantamento reforça que produção agropecuária, conservação ambiental e expansão florestal não são agendas concorrentes, mas complementares e fundamentais para o desenvolvimento sustentável do Brasil. A publicação reúne análises sobre conservação, restauração florestal, silvicultura, financiamento climático e políticas públicas, além de apontar oportunidades para o setor produtivo rural.
Florestas e agronegócio caminham lado a lado
Segundo o estudo, uma parcela significativa da conservação ambiental brasileira já está localizada dentro das propriedades rurais, por meio das Reservas Legais e das Áreas de Preservação Permanente (APPs) exigidas pelo Código Florestal.
Além disso, milhões de hectares de áreas privadas com baixa aptidão agrícola ou pecuária apresentam potencial para projetos de restauração florestal, criando oportunidades econômicas ligadas à geração de créditos de carbono, produção de biomassa, bioenergia e valorização ambiental das propriedades.
Os pesquisadores destacam que o Brasil já demonstrou ser possível ampliar a produção agropecuária ao mesmo tempo em que reduz o desmatamento. Entre 2004 e 2012, a taxa de desmatamento da Amazônia caiu cerca de 80%, enquanto a produção agropecuária da região praticamente dobrou.
Brasil pode ampliar cobertura florestal até 2035
A primeira edição do relatório revelou que o Brasil tem potencial para inverter definitivamente a curva de perda de vegetação nativa e ampliar sua cobertura florestal nos próximos anos.
A projeção indica que o país poderá passar de 517 milhões para 525 milhões de hectares de florestas até 2035, representando um crescimento de aproximadamente 8 milhões de hectares. O avanço teria impacto direto sobre os estoques de carbono, a biodiversidade e a segurança hídrica nacional.
Para os autores, a expansão das florestas dependerá da integração entre conservação, recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento da silvicultura comercial.
Todos os biomas entram na estratégia nacional
Diferentemente da edição anterior, focada principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica, a nova publicação amplia a análise para todos os biomas terrestres brasileiros.
O estudo contempla Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Zona Costeira, destacando a importância dessas regiões para a captura de carbono, conservação da biodiversidade, proteção dos recursos hídricos e manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais para a produção agropecuária.
A abordagem utiliza o conceito de “contínuo florestal”, reconhecido internacionalmente, que considera diferentes formas de conservação e uso econômico sustentável das florestas, incluindo áreas protegidas, restauração ecológica, manejo sustentável e florestas plantadas.
Florestas sustentam a produtividade agrícola
O relatório ressalta que as florestas exercem papel fundamental na manutenção das condições climáticas necessárias para a agricultura brasileira.
Um dos exemplos citados são os chamados “rios voadores”, correntes atmosféricas que transportam umidade da Amazônia para regiões produtoras do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, contribuindo para o regime de chuvas que sustenta grande parte da produção agrícola nacional.
De acordo com estudos mencionados na publicação, os serviços climáticos prestados pela Amazônia geram benefícios econômicos estimados em cerca de US$ 20 bilhões por ano para a agricultura brasileira.
Restauração florestal abre novas oportunidades de renda
A recuperação de áreas degradadas surge como uma das principais oportunidades para conectar produção rural e agenda ambiental.
Além de auxiliar na regularização ambiental das propriedades, a restauração pode gerar novas fontes de receita por meio de créditos de carbono, biomateriais, bioenergia e produtos florestais.
Projeções internacionais indicam que o mercado ligado à restauração florestal poderá movimentar aproximadamente US$ 141 bilhões no Brasil até 2050, considerando atividades relacionadas ao carbono, alimentos, biomassa e energia renovável.
Levantamentos preliminares identificaram cerca de 2,6 milhões de hectares com potencial para restauração em aproximadamente 8 mil propriedades rurais, especialmente em áreas de pastagens degradadas.
Etanol de milho impulsiona demanda por florestas plantadas
O crescimento acelerado da produção de etanol de milho também fortalece a conexão entre agronegócio e silvicultura.
Em diversas regiões produtoras, aumenta a demanda por biomassa florestal, especialmente de eucalipto e pinus, utilizada na geração de energia térmica para abastecimento das usinas.
Na safra 2024/25, o etanol de milho respondeu por 22% da produção nacional de etanol, totalizando 8,2 milhões de metros cúbicos. As projeções apontam que esse volume poderá alcançar 22,55 milhões de metros cúbicos até 2034/35, ampliando a necessidade de matéria-prima florestal para fins energéticos.
Florestas ganham importância na adaptação climática
O estudo destaca uma mudança relevante na agenda climática global. Se anteriormente o foco estava concentrado na captura de carbono, atualmente cresce a percepção de que as florestas são fundamentais para a adaptação às mudanças climáticas.
Secas severas, incêndios, eventos climáticos extremos e crises hídricas têm elevado os riscos para a produção agrícola, infraestrutura e economia. Nesse contexto, as florestas passam a ser vistas como uma infraestrutura natural capaz de proteger solos, regular o regime de chuvas, reduzir impactos climáticos e garantir maior estabilidade produtiva.
Segundo os autores, o valor econômico das florestas ultrapassa a questão do carbono e passa a estar diretamente associado à resiliência dos sistemas produtivos e à segurança alimentar global.
Financiamento será decisivo para acelerar a agenda florestal
Apesar do reconhecimento crescente da importância das florestas, o estudo alerta que os recursos financeiros disponíveis ainda são insuficientes para atender à demanda de conservação e restauração em larga escala.
Por isso, os especialistas defendem mecanismos inovadores de financiamento, combinando capital público e privado, garantias financeiras e instrumentos capazes de reduzir riscos para investidores.
A expectativa é que o fortalecimento desses modelos permita transformar as florestas brasileiras em ativos estratégicos para o mercado global, gerando benefícios relacionados ao carbono, à água, à biodiversidade, à produção de alimentos e à adaptação climática.
Com uma das maiores extensões de florestas nativas do planeta, o Brasil reúne condições únicas para liderar a agenda mundial de soluções baseadas na natureza, consolidando uma estratégia que integra produção agropecuária, conservação ambiental e desenvolvimento econômico sustentável.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e abre caminho para expansão das exportações de carne suína
O agronegócio brasileiro conquistou uma importante vitória no mercado internacional. A China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, medida que deverá impulsionar as exportações de carne suína, ampliar oportunidades comerciais e fortalecer ainda mais as relações sanitárias entre os dois países.
O anúncio foi celebrado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que destacou o trabalho conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a ApexBrasil, os serviços estaduais de defesa agropecuária e o setor produtivo nacional.
A decisão representa um marco para a suinocultura brasileira e reforça o reconhecimento internacional da qualidade e da robustez do sistema de defesa sanitária do país.
Reconhecimento amplia oportunidades para a suinocultura brasileira
Segundo a ABPA, o novo status sanitário deverá gerar benefícios imediatos para estados que possuem frigoríficos habilitados a exportar para a China.
Até então, apenas Santa Catarina possuía o reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação perante as autoridades chinesas, condição que permitia o embarque de produtos com maior valor agregado, como carnes com osso e miúdos externos.
Com a ampliação do reconhecimento para todo o território nacional, estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso passam a ter acesso às mesmas condições comerciais, ampliando a competitividade da carne suína brasileira no principal mercado consumidor do mundo.
Atualmente, Santa Catarina conta com sete plantas habilitadas para exportação ao mercado chinês, enquanto o Rio Grande do Sul possui oito unidades autorizadas e Mato Grosso uma planta exportadora apta a atender o país asiático.
Exportações podem crescer mais de 40 mil toneladas por ano
As projeções da ABPA indicam que o reconhecimento sanitário poderá gerar um incremento superior a 40 mil toneladas anuais nas exportações brasileiras de carne suína destinadas à China.
O aumento dos embarques deve contribuir para fortalecer a renda dos produtores, estimular investimentos na cadeia produtiva, gerar novos empregos e ampliar a entrada de divisas na economia brasileira.
Além do crescimento das exportações, a medida cria condições para futuras habilitações de frigoríficos em outras regiões do país, ampliando ainda mais o potencial de expansão do setor.
Confiança sanitária fortalece posição do Brasil no mercado global
Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a decisão chinesa é resultado de décadas de trabalho voltado ao fortalecimento da sanidade animal brasileira e à construção de credibilidade internacional.
Segundo ele, o reconhecimento demonstra a confiança das autoridades chinesas na qualidade dos sistemas brasileiros de vigilância, controle sanitário e defesa agropecuária.
A medida também reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor estratégico de proteína animal para mercados exigentes, em um momento em que a segurança alimentar e os padrões sanitários ganham importância crescente no comércio internacional.
Brasil amplia protagonismo no comércio mundial de proteínas
O reconhecimento da China ocorre em um cenário de aumento da demanda global por alimentos seguros, rastreáveis e produzidos sob elevados padrões sanitários.
Nesse contexto, a certificação de todo o território nacional como livre de febre aftosa fortalece a competitividade da proteína animal brasileira e amplia as perspectivas de crescimento das exportações nos próximos anos.
Além de consolidar a liderança brasileira na produção de carnes, a decisão cria um ambiente mais favorável para o aprofundamento das relações comerciais entre Brasil e China, principal destino das exportações do agronegócio nacional.
Sanidade animal segue como diferencial estratégico
A conquista reforça a importância dos investimentos contínuos em defesa agropecuária, vigilância sanitária e rastreabilidade da produção.
Especialistas do setor avaliam que a manutenção de elevados padrões sanitários continuará sendo um dos principais diferenciais competitivos do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Com o novo reconhecimento, a suinocultura nacional ganha fôlego para ampliar sua presença no mercado chinês e consolidar o Brasil entre os maiores fornecedores globais de proteína animal.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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