CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Alta do óleo de soja sustenta preços em Chicago, mas mercado interno sente impacto de prêmios e câmbio

Publicados

AGRONEGOCIOS

Desempenho da soja em Chicago é impulsionado pelo óleo

De acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os preços da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram a segunda alta consecutiva em maio, com continuidade do movimento positivo nos primeiros dias de junho. O principal fator de suporte foi a valorização do óleo de soja, que apresentou forte avanço em função de expectativas ligadas ao setor de biocombustíveis.

Entre 1º e 16 de junho, a soja acumulou alta de 0,5%, chegando a US$ 10,51 por bushel. A valorização do óleo decorre da possibilidade de aumento no percentual obrigatório de biodiesel nos Estados Unidos, com metas superiores ao esperado para os próximos dois anos. Essa mudança pode elevar significativamente a demanda por óleo de soja no país.

Geopolítica e petróleo impulsionam derivados

Outro fator que contribuiu para o fortalecimento do óleo de soja foi o aumento das tensões geopolíticas entre Israel e Irã, o que influenciou a alta do petróleo. Essa elevação do petróleo refletiu diretamente nos preços do óleo vegetal, ampliando seu impacto positivo sobre a soja em grão.

Preços internos em queda em maio, mas voltam a subir em junho

Apesar da recuperação em Chicago, o mercado interno brasileiro registrou queda nos preços da soja em maio, pressionado pela valorização do real frente ao dólar e pela redução dos prêmios de exportação. Em Paranaguá (PR), o valor da saca caiu 1,4%, encerrando o mês em R$ 133.

Leia Também:  Agronegócio emprega 28,4 milhões em 2025 e responde por 26,3% dos postos de trabalho no Brasil

Entretanto, na primeira quinzena de junho, o avanço em Chicago e a retomada nos prêmios reverteram parcialmente o cenário, elevando o preço em Paranaguá para R$ 134/saca, uma alta de 1%.

Exportações desaceleram, mas seguem firmes rumo a recorde

Em maio, o Brasil exportou 14,1 milhões de toneladas de soja em grão, volume 8% inferior ao de abril, mas ainda 5% superior ao registrado no mesmo mês de 2023. Essa desaceleração é considerada normal para o período, uma vez que os embarques tendem a atingir o pico em abril e recuar nos meses seguintes.

Mesmo com a queda mensal, o acumulado entre janeiro e maio alcançou 51,5 milhões de toneladas, um recorde para o período, superando em 2,7% o volume exportado no mesmo intervalo do ano anterior.

Mercado atento aos biocombustíveis, clima e área plantada nos EUA

O mercado internacional da soja segue sensível às políticas americanas de biocombustíveis, às condições climáticas nas lavouras e aos dados de área plantada nos Estados Unidos.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) manteve inalterada, no relatório de junho, a estimativa de produção da safra 2025/26 em 118,1 milhões de toneladas. Apesar disso, a expectativa é de redução nos estoques finais, o que pode tornar o balanço americano mais apertado e reduzir a margem para perdas de produtividade.

A produtividade média estimada pelo USDA permanece em 3,5 toneladas por hectare (equivalente a 58,8 sacas/ha). Contudo, as condições das lavouras estão abaixo do observado no mesmo período do ano passado, e qualquer revisão negativa na produção pode impactar os preços futuros.

Leia Também:  Recorde nos portos pressiona armazenagem no Brasil e acelera demanda por infraestrutura logística no agro
Impacto positivo de novas metas para biocombustíveis nos EUA

A elevação das metas de mistura obrigatória de biocombustíveis para 2025, 2026 e 2027 nos EUA, aliada à intenção de limitar o uso de matérias-primas importadas como óleo de cozinha usado da China e sebo do Brasil, deve aumentar a demanda por óleo de soja doméstico. Isso tende a estimular o esmagamento do grão e pode gerar pressão altista sobre os preços, tanto do óleo quanto da soja em grão.

Expectativas para o relatório de área plantada

Até o final de junho, o USDA deve divulgar o relatório trimestral com os números atualizados da área plantada nos Estados Unidos. Esse dado será crucial para o mercado, pois uma área menor pode acentuar a pressão sobre os estoques americanos, mesmo com o plantio ocorrendo em ritmo adequado e clima até agora favorável.

O relatório Agro Mensal do Itaú BBA destaca que, apesar da valorização do grão na Bolsa de Chicago, os preços internos da soja seguem impactados por fatores como câmbio e prêmios de exportação. A demanda por óleo de soja, impulsionada por mudanças no programa de biocombustíveis dos EUA, tem sido o principal suporte do mercado internacional, enquanto as atenções se voltam para o clima e os dados de área plantada no país norte-americano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGOCIOS

Frio favorece plantio, mas produtores seguem cautelosos com custos e clima

Publicados

em

A chegada da primeira massa de ar polar de 2026 mudou o ambiente das lavouras de inverno no Sul do Brasil e trouxe um cenário diferente para cada fase do trigo no país. Enquanto o frio atual tende a beneficiar áreas recém-plantadas no Paraná, produtores do Rio Grande do Sul seguem cautelosos diante das incertezas climáticas e econômicas para a próxima safra.

O trigo é uma cultura típica de clima frio, mas os efeitos das baixas temperaturas variam conforme o estágio da lavoura. Neste momento, o frio ajuda mais do que atrapalha.

No Paraná, onde o plantio da safra 2025/26 já começou, cerca de 17% da área prevista havia sido semeada até a última semana, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). As áreas implantadas estão principalmente em germinação e crescimento vegetativo inicial.

Nessa fase, temperaturas mais baixas favorecem o desenvolvimento da cultura. O frio ajuda na emergência uniforme das plantas, reduz parte do estresse térmico e cria um ambiente mais adequado para o crescimento vegetativo inicial.

Por isso, a onda de frio que derruba as temperaturas no Centro-Sul neste início de maio tende a ser positiva para o trigo recém-semeado no Paraná e em parte de Santa Catarina. O cenário muda completamente mais adiante, durante o florescimento e o enchimento de grãos. Nessas fases, geadas fortes podem provocar perdas severas de produtividade e qualidade, queimando espigas e comprometendo o potencial industrial do cereal. É justamente esse risco futuro que mantém parte dos produtores cautelosa neste início de safra.

Leia Também:  Recorde nos portos pressiona armazenagem no Brasil e acelera demanda por infraestrutura logística no agro

No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional de trigo, a semeadura ainda não começou. Os produtores seguem em fase de planejamento da temporada, avaliando custos, clima e perspectivas de mercado antes de ampliar os investimentos.

Além da preocupação climática, o setor acompanha um cenário econômico mais apertado. Fertilizantes mais caros, custos elevados com operações mecanizadas, dificuldades no seguro rural e maior cautela no crédito vêm reduzindo o apetite por expansão da área cultivada.

Ao mesmo tempo, o mercado oferece sustentação importante aos preços. A baixa disponibilidade de trigo argentino com qualidade adequada para panificação continua limitando a oferta no Mercosul e fortalecendo as cotações no Brasil.

No Rio Grande do Sul, os preços seguem ao redor de R$ 1.300 por tonelada no interior. No Paraná, as referências se aproximam de R$ 1.400 por tonelada nos moinhos.

A dificuldade de encontrar trigo argentino com teor de proteína acima de 11,5% também vem levando parte da indústria brasileira a buscar produto nos Estados Unidos, operação mais cara e logisticamente mais complexa.

Leia Também:  Agronegócio emprega 28,4 milhões em 2025 e responde por 26,3% dos postos de trabalho no Brasil

Esse ambiente ajuda a sustentar os preços internos justamente no momento em que o produtor começa a decidir quanto investir na nova safra.

Mesmo assim, a preocupação com o clima permanece no radar. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS), a previsão de maior frequência de chuvas durante o inverno e a primavera pode elevar riscos nas fases mais sensíveis da cultura, especialmente florescimento e enchimento de grãos.

Por isso, muitos produtores vêm adotando uma postura mais conservadora, reduzindo o pacote tecnológico, diminuindo investimentos em insumos e até substituindo parte da área de trigo por outras culturas de inverno.

O próprio Deral projeta queda de 15% na produção paranaense de trigo na safra 2025/26, reflexo principalmente da redução da área cultivada.

Neste início de maio, porém, o frio ainda joga a favor do trigo brasileiro. O desafio do setor será transformar esse começo climático positivo em uma safra rentável em meio aos altos custos, às incertezas do mercado internacional e aos riscos climáticos que costumam ganhar força ao longo do inverno.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA