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Alta internacional e oferta restrita pressionam preços do trigo no Sul do Brasil

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O mercado do trigo no Brasil e no exterior segue influenciado por fatores climáticos, oferta limitada e ajustes nas bolsas internacionais, impactando preços e negociações em diferentes praças do país. Dados do Cepea e análises da TF Agroeconômica indicam que o cenário é marcado por altas pontuais, estabilidade em derivados e oscilações nos mercados futuros.

Seca nos EUA impulsiona alta internacional do trigo

As cotações internacionais do trigo vêm registrando forte valorização, impulsionadas pela seca que atinge áreas de cultivo de inverno nos Estados Unidos. Segundo levantamento do Cepea, esse movimento tem reflexos diretos no mercado do Rio Grande do Sul, onde a oferta de trigo de melhor qualidade está mais restrita, resultando em elevação dos preços.

No mercado de farelo de trigo, tanto o produto ensacado quanto o a granel seguem em desvalorização, reflexo da maior competitividade de outros insumos de ração, como o farelo de soja, que também apresenta retração, além do avanço da colheita do milho de verão. Já as farinhas mantêm estabilidade nos preços, sustentadas por uma demanda que ainda se recupera de forma gradual.

Oferta ajustada mantém ritmo moderado de negócios no Sul

No Rio Grande do Sul, a comercialização de trigo avança em ritmo moderado, com estoques mais enxutos e expectativa de manutenção das cotações. Durante a semana, poucas negociações foram registradas até a quarta-feira, com compradores ofertando entre R$ 1.070 e R$ 1.080 e vendedores pedindo em torno de R$ 1.100 por tonelada.

Conforme a TF Agroeconômica, cerca de 80% da safra já foi comercializada, com boa parte destinada à exportação. Até 19 de fevereiro, 1.477.046 toneladas haviam sido embarcadas pelo porto de Rio Grande, com outras 412.096 toneladas no line-up, superando a projeção inicial de 1,7 milhão de toneladas. O preço FOB do trigo com 12,5% de proteína gira em torno de US$ 232 por tonelada, enquanto o produto importado é cotado a US$ 240 posto Rio Grande e US$ 257 desembaraçado em Canoas. Em Panambi, o preço ao produtor subiu para R$ 55 por saca.

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Em Santa Catarina, a pressão por armazenagem levou à oferta de trigo de menor qualidade a preços mais baixos, com valores de balcão entre R$ 59 e R$ 64 por saca, conforme a região. Para a próxima safra, há expectativa de redução na área plantada, com parte dos produtores migrando para o milho.

No Paraná, os moinhos retomaram as compras, mas de forma seletiva, atentos à qualidade e aos preços. As referências variam entre R$ 1.200 e R$ 1.300 CIF, dependendo do prazo e da qualidade do produto. O trigo argentino é cotado a US$ 258 CIF Paranaguá, enquanto o paraguaio chega a US$ 250 CIF Ponta Grossa.

Mercado internacional alterna entre altas e correções

O mercado futuro do trigo iniciou o pregão desta terça-feira na Bolsa de Chicago com valorização, refletindo ajustes técnicos e recomposição de posições. Às 9h48 (horário de Brasília), o contrato de março era cotado a US$ 5,70/bu (+10 pontos), o de maio a US$ 5,75/bu (+14 pontos) e o de junho a US$ 5,83/bu (+12 pontos). O movimento indica manutenção da estrutura invertida, com vencimentos mais longos negociados acima do março.

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Apesar disso, na sessão anterior, o trigo encerrou em baixa após três dias consecutivos de alta. O contrato de março do trigo SRW recuou 0,70%, para US$ 569,50/bu, enquanto o vencimento de maio caiu 1,12%, a US$ 573,75/bu. Em Kansas, o trigo duro HRW teve queda de 2,14%, fechando a US$ 560,00/bu, e em Minneapolis, o HRS recuou 0,85%, a US$ 582,25/bu. Na Europa, o contrato de março para moagem na Euronext de Paris caiu 0,51%, cotado a 196 euros por tonelada.

Segundo a TF Agroeconômica, o movimento de baixa foi resultado da realização de lucros e das novas projeções meteorológicas que apontam chuvas acima da média nas Grandes Planícies do Sul dos EUA nos próximos 14 dias. Além disso, a Ucrânia elevou sua estimativa de exportação de trigo para 17,6 milhões de toneladas, superando os números do USDA. As inspeções de embarque dos Estados Unidos, que somaram 535.113 toneladas e superaram as expectativas do mercado, foram o único fator de suporte no dia.

Perspectivas para o mercado brasileiro

Analistas indicam que o mercado brasileiro deve manter atenção redobrada nas próximas semanas. A oferta restrita, combinada ao cenário internacional de alta e às exportações robustas, tende a sustentar as cotações, especialmente no Sul do país.

Entretanto, o consumo interno segue em recuperação lenta, o que limita um avanço mais expressivo dos preços no curto prazo. As condições climáticas nos Estados Unidos e o comportamento das exportações globais continuam sendo fatores decisivos para o direcionamento do mercado do trigo nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MPA e MMA regulamentam a coleta embarcada de ova de peixe-voador

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O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicam a Portaria Interministerial MPA/MMA Nº 62, de 03 de Junho de 2026, que estabelece medidas de ordenamento, registro, monitoramento e controle da coleta embarcada de ovas de peixe-voador (Hirundichthys affinis e Cheilopogon cyanopterus) no Mar Territorial e na Zona Econômica Exclusiva da Região Nordeste do Brasil.

A norma representa importante avanço no processo de reconhecimento e organização de uma atividade pesqueira tradicional exercida há décadas por comunidades artesanais do litoral do Rio Grande do Norte e da Paraíba, que até então não possuía instrumento específico de ordenamento pesqueiro.

Para o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, a iniciativa reforça o compromisso do Governo Federal com a valorização da pesca artesanal. “O processo se deu por meio de muita escuta, reforçando a participação social nos processos de gestão pesqueira e a construção de soluções compatíveis com a realidade das comunidades pesqueiras tradicionais”.

A regulamentação cria mecanismos para monitoramento da atividade, controle da frota e rastreabilidade da produção. Isso vai permitir maior capacidade de acompanhamento pelos órgãos gestores. Também vai contribuir para a construção progressiva de informações técnicas sobre a pescaria.

Importância na economia

A coleta embarcada de ovas de peixe-voador possui relevante importância socioeconômica para comunidades pesqueiras artesanais da Região Nordeste, especialmente no litoral potiguar. Além da geração de renda direta para pescadores, pescadoras e suas famílias, a atividade movimenta cadeias produtivas relacionadas ao beneficiamento, comercialização e exportação do produto.

O processo de construção da regulamentação teve início após o recebimento, pelo MPA e MMA, de demandas apresentadas pelo próprio setor pesqueiro relacionadas, principalmente, às dificuldades enfrentadas na comercialização e exportação das ovas, em razão da ausência de regras específicas para a atividade. A partir disso, as equipes técnicas do MPA iniciaram processo de diálogo com pescadores e pescadoras artesanais, representantes do setor produtivo, pesquisadores e órgãos ambientais. O processo de escuta teve como objetivo compreender a dinâmica operacional da pescaria, sua cadeia produtiva e os principais desafios relacionados ao ordenamento da atividade.

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Foram realizadas reuniões presenciais com pescadores artesanais no litoral do Rio Grande do Norte, consultas técnicas junto ao setor produtivo e reuniões no âmbito da Rede Pesca Brasil, incluindo discussões no Comitê Permanente de Gestão e do Uso Sustentável dos Recursos Pelágicos Norte e Nordeste (CPG Pelágicos N/NE) e em seu Grupo Técnico-Científico, coordenado pelo pesquisador Dr. Guelson Batista da Silva.

As discussões envolveram ainda equipes do MMA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Segundo a coordenadora-geral de Gestão Participativa Costeira e Marinha da SNPA/MPA, Adayse Bossolani, a proposta busca compatibilizar o reconhecimento de uma atividade tradicional já existente com mecanismos de monitoramento e controle da frota e da produção. “A regulamentação busca organizar uma atividade que já ocorre historicamente na região, permitindo ampliar a capacidade de monitoramento, rastreabilidade e acompanhamento da produção, ao mesmo tempo em que reconhece a importância socioeconômica da pescaria para as comunidades artesanais envolvidas”, afirmou.

Principais medidas da regulamentação

A nova portaria estabelece critérios específicos para o exercício da coleta embarcada de ovas de peixe-voador por pescadores profissionais artesanais. Busca estruturar mecanismos iniciais de monitoramento e gestão da atividade.

A norma cria duas modalidades para a coleta embarcada de ovas de peixe-voador:

– 6.13: coleta embarcada de ovas de peixe-voador (Hirundichthys affinis e Cheilopogon cyanopterus), com utilização de atratores biodegradáveis e autorização complementar para rede de emalhe costeiro de superfície;

– 6.14: coleta embarcada de ovas de peixe-voador (Hirundichthys affinis e Cheilopogon cyanopterus), com utilização de atratores biodegradáveis e autorização complementar para covos ou manzuás.

A portaria autoriza a atividade exclusivamente para embarcações artesanais devidamente registradas no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), com arqueação bruta de até 20 AB e regularizadas perante a Autoridade Marítima para a área de navegação compatível com a atividade exercida.

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A coleta deverá ser realizada por meio de atratores biodegradáveis, com recolhimento manual das ovas aderidas aos substratos utilizados durante a pescaria.

A norma também estabelece que o interessado em obter autorização de pesca para as modalidades de permissionamento deverá protocolar requerimento no site do MPA, por meio de peticionamento eletrônico, no prazo de até 15 dias corridos, contados da data de publicação desta Portaria. Acesse aqui o site com o requerimento.

No âmbito do permissionamento, a regulamentação institui modalidades específicas para embarcações que já atuam em pescarias relacionadas ao emalhe costeiro de superfície e ao uso de covos e manzuás, permitindo maior adequação do registro pesqueiro à realidade operacional atualmente observada na atividade.

Como medida inicial de controle e monitoramento da pescaria, a norma estabelece número limitado de autorizações para atuação na atividade, permitindo maior capacidade de acompanhamento da frota, da produção e do esforço pesqueiro pelos órgãos gestores. Ela cria mecanismos de rastreabilidade da produção, incluindo obrigações relacionadas à comercialização e ao registro da entrada do produto nas empresas adquirentes, contribuindo para maior formalização e controle da cadeia produtiva.

A norma prevê ainda o monitoramento contínuo da atividade e revisão das medidas de ordenamento até o final de 2027, a partir dos dados gerados durante o período inicial de implementação da pescaria monitorada.

Com a publicação da portaria, o MPA avança na estruturação de instrumentos voltados ao reconhecimento e à gestão de uma atividade tradicional da pesca artesanal nordestina, ampliando a capacidade de monitoramento da atividade, fortalecendo a rastreabilidade da produção e produzindo informações técnicas para o aperfeiçoamento futuro das medidas de ordenamento pesqueiro.

Confira a portaria na íntegra.

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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