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Análise do Mercado de Açúcar: Desafios de Oferta e Perspectivas para a Produção Global

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O mercado de açúcar internacional enfrentou uma estabilização nos preços ao final de fevereiro, com o contrato de março de 2025 registrando um aumento modesto de 0,8%, encerrando o mês a US$ 19,51 por libra-peso. Contudo, após a expiração do contrato de futuros, os preços caíram devido ao grande volume de entregas, especialmente no Brasil. A perspectiva de safra na Índia e Tailândia também contribuiu para essa tendência, com estimativas de produção de açúcar na Índia para a safra 2024/25 sendo ajustadas entre 26 a 28 milhões de toneladas. No entanto, a produção futura na Índia é vista com otimismo, podendo chegar a 32 milhões de toneladas, dependendo das condições climáticas.

O evento Dubai Week, realizado nos Emirados Árabes Unidos, trouxe esclarecimentos sobre o cenário do mercado global de açúcar, especialmente no que tange à safra indiana e as perspectivas de comércio internacional. O evento consolidou previsões de que a oferta de açúcar continuará restrita no curto prazo, mas que, para a safra de 2025/26, a produção global pode superar a demanda, gerando um superávit no mercado.

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Preocupações com a demanda global e os impactos no Brasil

O Brasil, maior exportador de açúcar do mundo, enfrenta desafios próprios, com um déficit de 4,1 milhões de toneladas projetado para a safra 2024/25. A grande entrega de contratos no final de fevereiro, que somaram um recorde de 34,4 mil contratos (equivalentes a 1,7 milhão de toneladas), gerou apreensão sobre a demanda global, visto que muitos traders entregaram açúcar sem um destino final, o que indicaria um enfraquecimento da procura.

As projeções para a safra brasileira de açúcar de 2025/26, por sua vez, apresentam um cenário mais otimista, com expectativa de superávit de 4,4 milhões de toneladas. No entanto, este otimismo é temperado pela incerteza sobre as condições climáticas e os custos de produção. A produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, que terá início em abril, enfrenta incertezas, especialmente em relação à área disponível para colheita, devido às dificuldades enfrentadas por usinas após incêndios no ano passado e um clima inconsistente.

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Riscos para o crescimento da produção e os preços do açúcar

O crescimento da produção mundial de açúcar na safra de 2025/26 dependerá de vários fatores, como a recuperação das condições climáticas e a continuidade de uma demanda global forte. No Brasil, uma queda nos preços do açúcar no mercado internacional pode reduzir a alocação de cana para a produção de açúcar, favorecendo a produção de etanol. Historicamente, as usinas brasileiras aumentam a produção de açúcar quando os preços do açúcar bruto ultrapassam os US$ 3,0/lb para o hidratado. Contudo, se os preços se mantiverem abaixo de US$ 18,5/lb, a produção de etanol tende a ser mais atraente, o que impactaria diretamente a oferta de açúcar no mercado global.

A atual previsão da produção de açúcar no Brasil pode ser ajustada caso as condições climáticas e os preços do mercado internacional não atendam às expectativas. A incerteza sobre o clima e os preços do açúcar coloca em risco as projeções de produção e equilíbrio no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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