CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Antônio José dos Santos, o “Zé da baga”: a memória viva da pesca em Balneário Camboriú (SC)

Publicados

AGRONEGOCIOS

A cidade mudou com o tempo. As ruas ganharam novos prédios, o comércio se expandiu e o litoral passou a viver uma rotina intensa, de sol, movimento e turismo. Balneário Camboriú em meio às transformações mantém uma linha que não se rompe: a pesca como tradição, trabalho e identidade.  

No vai e vem da praia, há um nome que atravessa décadas, Antônio José dos Santos, conhecido por muitos como “Zé da baga, apelido herdado de seu pai. Nascido em 17 de novembro de 1952, ele carrega no corpo e na voz a marca de quem viveu mais de 60 anos de pesca. Para ele, o mar não é paisagem, é sustento, é história, é energia. “A pesca é a fonte de energia na vida. É a riqueza dos pescadores, a vida de quem sobrevive da pesca.”  

A narrativa do Zé da baga começa antes de Balneário Camboriú virar cidade do jeito que se vê hoje. Na sua época, não havia o cenário de fartura que muita gente imagina quando ouve “pesca”. Havia dificuldade, mas também havia esforço.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

Da “roça” na praia ao aprendizado ensinado na comunidade  

Zé da baga, tataraneto de pescador, lembra que, na juventude, em torno da praia era roça e mato”. Para buscar os peixes, vinham de carroça e de carro antigo no caminho até o ponto onde a pesca começava. Era um tempo em que a sobrevivência dependia do que o mar entregava.  

E foi assim que ele aprendeu, não só na família, mas na comunidade. Com 14 anos, um primo ensinou o ofício onde viviam, no litoral norte catarinense. Desde então, a pesca passou a ser mais do que trabalho, virou herança. “Desde meus pais e meus avôs eu segui com a pesca. Toda a vida foi isso”, conta Zé com a voz embargada.  

As gerações anteriores, segundo ele, também eram todas de Balneário Camboriú, no bairro, Antônio diz que a história da pesca se confundia com a história das famílias. E é nesse ponto que o rancho e as redes ganham importância não como equipamentos, mas como memória viva. 

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

O rancho da Selma e as redes de origem familiar  

Quando se fala em pesca tradicional em Balneário Camboriú, muitos citam lugares e famílias. Um dos símbolos é o Rancho da Selma, onde a estrutura e as redes guardam histórias que atravessam gerações.   

Zé da baga explica que a rede que existe no rancho tem ligação com famílias tradicionais da cidade. A rede é de origem da família Damasceno, e lembra que, por último, a rede era do Fernando, mas antes pertencia ao pai dele, José Fernandes Damasceno, conhecido como Zé da Bilica 

Assim, o rancho não é só um ponto físico, mas um arquivo de relações, parentesco e continuidade.  

Leia Também:  Programa Caminho Verde Brasil destina R$ 3 bilhões para a Caatinga

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

Tecnologia para enxergar: a arte de ler vento, lua e cardume  

Com o passar dos anos, algumas coisas mudaram. Zé da baga reconhece que hoje existe tecnologia e que ela pode ajudar a entender movimentos no mar: “Tecnologia ajuda um pouco pra ter noção do movimento dos cardumes, conseguimos ver o ponto certo onde eles estão para cercar com a rede.”  

Mesmo com instrumentos modernos, ele defende que a pesca continua sendo sobretudo interpretação do ambiente. O melhor momento, para ele, varia conforme lua, vento e cardume, o peixe “responde” ao encontro entre mar, céu e condições do dia.  

Ele aponta padrões que aprendeu na prática, como pescar no início da manhã ou início da tarde, pescar durante a lua nova e lua cheia, verificar os ventos específicos norte, nordeste e sudeste, “esses três ventos puxam mais o peixe pra praia.”  

E existe ainda outro ingrediente, quando o mar muda o comportamento, a pesca se adapta. Zé da baga relata que, apesar de ter usado diferentes técnicas ao longo da vida, como rede de arrasto, malha e espinhel, nem sempre era sobre “estar ideal”, mas sobre sair quando o mar “deixava” e quando o conjunto de condições fazia sentido.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

A pescaria de 3 mil peixes que ficou como marco  

No repertório de histórias do Zé da baga, uma se destaca, em Balneário Camboriú, durante um cerco que virou referência, “a pescaria mais marcante da vida foi há uns 10 anos quando pegamos 3 mil peixes.”  

A cena, descrita sem exagero e sem romantizar o esforço, representa o ápice do trabalho coletivo e da precisão. Não era apenas sorte, era rede no tempo certo, mar adequado e equipe sabendo o que estava fazendo.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

Perigo no mar e a persistência depois da doença  

A pesca também traz risco. Zé já passou por momentos em alto-mar em que o mar parecia maior do que ele, chamado, na linguagem dos pescadores, de “mar ruim”, com ondas gigantes e ventos muito fortes. Ele também guarda uma memória dura, no tempo dele, não havia socorro como existe hoje, nem estrutura semelhante.  

Mesmo assim, a vida cobrou outra parte, dois AVCs e agravamento de outras doenças o afastaram da pesca por dois anos. Hoje, ele vai à praia com mais cautela, pescando às vezes e vendendo apenas para ajudar a família, mas sem abandonar totalmente o contato com o mar. “Eu fiquei doente e tive que parar um pouco, mas a pesca é tudo. Não tem nada na minha vida que represente mais do que a pesca.” ressalta Zé que agora exerce a função de olheiro do cardume e em algumas vezes sobe na canoa para guiar.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

Quando a safra chega, a convivência fica tensa  

Leia Também:  Simples Nacional registra crescimento expressivo de empresas no agronegócio, aponta estudo do IBPT

O calendário do Zé da baga também tem começo e fim. Para ele, o outono é quando a tainha começa a aparecer na praia, indo até o final do inverno.  

Mas a safra é também o momento em que aumentam os conflitos. Salienta que, para ele, o que mais atrapalha são jetski, lancha e stand up, além da presença de banhistas fora do limite. Na sua visão, o problema não é apenas o número de pessoas, é o impacto no mar, o barulho e a desorganização do espaço tradicional de pesca. “Toda esta interferência espanta os peixes.”, salienta Zé.  

Ele defende, com firmeza, três medidas principais, conscientizar os motoristas de jetski a respeitar o espaço de pesca na época da tainha, manter barcos pesqueiros e camaroeiros em alto mar, sem interferir na pesca da costa e ter fiscalização eficaz para impedir que banhistas e embarcações desrespeitem a área dos pescadores, durante o período.  

Zedabaga
Divulgação Rancho da Selma

A cidade e a nova geração: o pedido de ensino, apoio e futuro  

Zé da baga acredita que o problema da nova geração não é que a juventude “não presta”, mas que a pesca perdeu interesse porque falta incentivo e oportunidade de aprender, “deveriam colocar uma escola de aprendiz, uma bateira (um tipo de pequena embarcação) com remo pequeno, ensinar a remar, ensinar a jogar a rede”.  

Ele defende projetos com políticas públicas que cheguem a adolescentes de 13 e 14 anos, com aulas práticas diárias, tempo suficiente para ensinar o básico com acompanhamento, porque, “só se aprende tendo um professor direcionado, aulas de 2h por dia já atingiria a nova geração”.  

Mesmo preocupado, Antônio não desanima, para ele, a pesca precisa continuar “seja velho, seja novo”, e a continuidade, segundo o próprio pescador, já existe dentro das famílias.  

WhatsApp Image 2026-06-23 at 12.57.00 (1).jpeg
Divulgação Rancho da Selma

A tradição que não pode “morrer na praia”  

Mesmo quando muitos deixam a pesca, Zé diz que ainda há quem siga. Ele relata que tem filhos pescando e que hoje exerce papel de monitor, ajudando a transmitir o que sabe.  

Ele também cita famílias que, em Balneário, sustentaram e sustentam essa cultura, as famílias Correia, Damasceno e a sua família Venâncio. Zé demonstra certa preocupação quando diz que nem todo mundo manteve o caminho, “há famílias em que netos e bisnetos já não querem seguir”. Ainda assim, ele deixa uma mensagem que soa como alerta e compromisso com a memória coletiva da cidade: “Essa tradição não pode ‘morrer na praia’.”  

Ao final, ao falar do mar e da vida, Zé da baga não descreve apenas uma profissão, ele narra uma forma de pertencimento. Em Balneário Camboriú, onde o litoral cresce e muda, a pesca permanece, porque ainda existe quem a defenda com histórias, com técnica e com a insistência de quem sabe que o futuro precisa ouvir o passado

ÉLEN GORSKI
Ministério da Pesca e Aquicultura 

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

Propaganda

AGRONEGOCIOS

Milho: preços recuam em Chicago e na B3 enquanto mercado aguarda relatório do USDA e negociações seguem travadas no Brasil

Publicados

em

Os preços do milho iniciaram esta terça-feira (30) em queda nos mercados futuros de Chicago e da B3, refletindo a expectativa dos investidores pela divulgação dos relatórios de área plantada e estoques trimestrais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), considerados decisivos para a formação dos preços internacionais dos grãos.

Além da cautela no cenário externo, o mercado brasileiro continua marcado pela baixa liquidez, com negociações pontuais e compradores abastecidos no curto prazo, enquanto o avanço da colheita da segunda safra mantém pressão sobre as cotações em diversas regiões produtoras.

Mercado internacional acompanha expectativa pelo USDA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho operavam em baixa durante a manhã desta terça-feira.

Por volta das 9h05 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em julho/2026 era negociado a US$ 4,01 por bushel, com queda de 0,25 ponto. O vencimento setembro/2026 recuava para US$ 4,08, enquanto dezembro/2026 era cotado a US$ 4,28 e março/2027 a US$ 4,43, ambos também registrando perdas.

Segundo analistas internacionais, o mercado permanece praticamente paralisado enquanto aguarda os números oficiais do USDA, que poderão redefinir as perspectivas de oferta para a safra norte-americana.

Mesmo após o órgão norte-americano reduzir inesperadamente as avaliações das lavouras na atualização semanal, os investidores mantiveram postura defensiva.

De acordo com a consultoria Farm Futures, as chuvas registradas recentemente em boa parte do Meio-Oeste dos Estados Unidos aliviaram parte das preocupações climáticas, enquanto a onda de calor prevista para esta semana tende a perder intensidade após o feriado de 4 de julho.

Outro fator que chama atenção é o forte posicionamento vendido dos fundos de investimento.

Nas últimas semanas, os investidores ampliaram significativamente suas apostas na queda dos preços, inclusive com vendas líquidas estimadas em cerca de 20 mil contratos apenas na sessão anterior. Esse cenário pode aumentar a volatilidade caso os números do USDA surpreendam positivamente o mercado.

Leia Também:  Setor avícola busca retomada das exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul à China
B3 acompanha Chicago e opera no campo negativo

No mercado brasileiro de futuros, a Bolsa Brasileira (B3) também iniciou o dia em baixa, acompanhando o movimento internacional.

Durante a manhã, o contrato julho/2026 era negociado a R$ 64,51 por saca, com recuo de 0,15%. O vencimento setembro/2026 girava em torno de R$ 67,60, enquanto janeiro/2027 permanecia próximo de R$ 73,65, praticamente estável.

Apesar do suporte oferecido pelo dólar, a pressão exercida pela Bolsa de Chicago e a expectativa pelos dados norte-americanos limitaram qualquer reação mais consistente dos preços domésticos.

Mercado físico segue travado com baixa liquidez

No encerramento da segunda-feira (29), o mercado físico apresentou comportamento misto e volume reduzido de negócios.

Segundo a TF Agroeconômica, a combinação entre demanda enfraquecida, compradores abastecidos e expectativa em relação ao comportamento da segunda safra manteve o ritmo lento das negociações em praticamente todas as regiões produtoras.

Na B3, o contrato julho encerrou cotado a R$ 64,61, com leve valorização diária. Setembro fechou a R$ 67,64, enquanto novembro terminou em R$ 70,87, refletindo um mercado sem direção definida.

Embora o avanço da colheita da segunda safra continue ampliando a oferta, o fator perdeu parte da força como elemento de pressão sobre os preços em algumas regiões. Ao mesmo tempo, as baixas temperaturas registradas recentemente passaram a preocupar produtores quanto ao desenvolvimento das lavouras remanescentes.

Cotações variam entre os principais estados produtores

No Rio Grande do Sul, as indicações oscilaram entre R$ 56 e R$ 65 por saca, com média próxima de R$ 59,11.

Leia Também:  Dólar opera em alta e mercados acompanham inflação e dados dos EUA

Em Santa Catarina, vendedores mantiveram ofertas ao redor de R$ 65, enquanto compradores indicavam valores próximos de R$ 60 por saca.

No Paraná, o mercado permaneceu praticamente parado, com referências de R$ 65 para vendedores e cerca de R$ 60 CIF para compradores. A colheita da segunda safra alcançou aproximadamente 3% da área, com produção estimada em 17,6 milhões de toneladas.

Já em Mato Grosso do Sul, as cotações oscilaram entre R$ 49 e R$ 52 por saca. A colheita atingiu cerca de 2% da área cultivada, e a elevada oferta, somada aos estoques disponíveis e à postura cautelosa dos compradores, continuou limitando a recuperação dos preços, mesmo diante da demanda crescente da indústria de etanol de milho.

Mercado deve ganhar volatilidade após divulgação dos relatórios

A expectativa agora está concentrada na divulgação dos relatórios de área plantada e estoques trimestrais do USDA, considerados alguns dos principais indicadores para o mercado mundial de milho.

Caso os números apontem redução na área cultivada ou estoques menores que os projetados, os preços poderão encontrar espaço para recuperação tanto em Chicago quanto na B3. Por outro lado, dados que confirmem uma oferta mais robusta tendem a manter a pressão sobre as cotações nos próximos dias.

Enquanto isso, o mercado brasileiro segue monitorando o avanço da colheita da safrinha, o comportamento do câmbio, a demanda doméstica e o cenário internacional para definir a tendência dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA