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Aumento de reprovações em vestimentas protetivas agrícolas mobiliza pesquisas do IAC-Quepia
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O Programa IAC-Quepia de Qualidade de Vestimentas Protetivas Agrícolas (EPI Agrícolas) registrou, recentemente, aumento significativo nas reprovações de qualidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) enviados por fabricantes para certificação. Entre 2020, início da pandemia, e 2025, os índices de reprovação chegaram a 60% em testes laboratoriais, cenário que não se via há anos.
Mudança em hidrorrepelentes é identificada como causa
Segundo Hamilton Ramos, coordenador do programa, a raiz do problema foi a substituição do hidrorrepelente à base de oito carbonos usado no tratamento de tecidos de EPIs. Por questões ambientais, o composto foi trocado por um similar de seis carbonos, que não conferiu a mesma durabilidade e resistência aos tecidos.
“Essa mudança afetou diretamente a longevidade e a eficácia de determinados modelos de vestimentas protetivas, essenciais para a segurança de trabalhadores rurais em aplicações de defensivos agrícolas”, explicou Ramos. Ele reforça que a indústria de EPIs não é responsável pela falha: o problema está no desempenho do novo composto quando submetido a testes de laboratório.
Solução tecnológica em desenvolvimento
Com o apoio de empresas brasileiras dos setores de EPI e químico, o IAC-Quepia iniciou pesquisas para encontrar hidrorrepelentes alternativos que suportem lavagens manuais ou industriais sem perda de eficácia, eliminando a necessidade de passadoria.
“Identificamos tecidos que se adaptam ao novo hidrorrepelente, garantindo a proteção necessária ao aplicador de agroquímicos. Agora estamos na fase de testes finais, os chamados testes de reprodutibilidade, para validar a eficácia do tratamento”, detalhou Ramos.
Histórico de sucesso do IAC-Quepia
O programa contribuiu para reduzir, no Brasil, as reprovações de EPIs de 80% para 20% em dez anos, elevando a indústria nacional a padrões internacionais de confiabilidade. O objetivo atual é auxiliar a indústria a manter baixos índices de reprovação, mesmo diante das mudanças nos insumos químicos utilizados.
Laboratório aberto para a indústria
O laboratório Quepia, um dos mais modernos da América Latina em pesquisas de EPIs agrícolas, está disponível para empresas interessadas em desenvolver ou aprimorar a qualidade de vestimentas protetivas. Interessados podem entrar em contato com a instituição para parcerias e testes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro


