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Banco Central Revisa Projeções de Inflação para 2025 e 2026 no Relatório de Política Monetária
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O Banco Central (BC) revisou para cima suas projeções de inflação para 2025, elevando a estimativa em 0,6 ponto percentual, para 5,6%, em comparação com as previsões divulgadas em dezembro. A atualização foi apresentada na edição de março do Relatório de Política Monetária (RPM), anteriormente denominado Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Para 2026, a previsão também foi ajustada, passando de 4,2% para 4,3%, com a projeção para 2027 mantida em 3,4%.
As metas de inflação estipuladas pelo BC são de 3%, com limites mínimo de 1,5% e máximo de 4,5%. O Banco Central destaca que as projeções de inflação permanecem acima da meta, tornando a convergência para esse objetivo mais desafiadora. Para o terceiro trimestre de 2026, considerado o horizonte relevante da política monetária, a previsão foi elevada em 0,1 ponto percentual, alcançando 3,9%.
De acordo com o relatório, as revisões nas projeções de inflação refletem tanto o aumento das expectativas de inflação de preços livres quanto a redução das projeções de preços administrados. “Os efeitos das revisões das expectativas de inflação, junto com a inércia gerada pelas surpresas inflacionárias e a revisão das projeções de curto prazo, pressionaram as estimativas para cima. Em contrapartida, o aumento da taxa de juros real, a apreciação cambial e a queda no preço do petróleo contribuíram para reduzir as expectativas”, explica o Banco Central.
O impacto das flutuações cambiais e dos preços do petróleo foi particularmente significativo nas projeções de preços administrados, que apresentaram comportamento distinto das projeções de preços livres. A elevação nas expectativas de inflação também resultou no aumento da probabilidade de a inflação ultrapassar o limite superior da faixa de tolerância. Para 2025, essa probabilidade subiu de 50% para 70%, enquanto para 2026, a estimativa passou de 26% para 28%.
Embora essas probabilidades não indiquem uma violação automática da meta de inflação, elas servem como referência para a avaliação dos riscos envolvidos nas projeções, com ênfase nos riscos de descumprimento da meta superior, conforme esclarece o relatório do BC.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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