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BNDES libera R$ 148,5 milhões para usina de biometano em Toledo (PR)
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Financiamento do BNDES viabiliza empreendimento estratégico
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou e contratou R$ 148,5 milhões para a Bioo Paraná Holding S.A., destinada à construção de uma usina de biometano em Toledo (PR). O investimento total do projeto está estimado em R$ 196 milhões.
Do montante financiado, R$ 101,5 milhões são oriundos do Fundo Clima, voltado para projetos de mitigação de mudanças climáticas, e R$ 47,1 milhões da linha Finem, destinada a empreendimentos de infraestrutura.
Capacidade de produção e impacto ambiental
A unidade da Bioo Paraná terá capacidade para produzir 11 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, o que representa uma redução aproximada de 80 mil toneladas de CO2 equivalente na atmosfera.
Além do biometano, a usina também gerará fertilizante de matriz orgânica, amplamente utilizado na agricultura regional, e CO2 biogênico, purificado para grau alimentício, podendo ser fornecido à indústria de bebidas, substituindo o CO2 de origem fóssil.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, “o projeto minimiza os impactos negativos dos resíduos orgânicos, convertendo-os em produtos energéticos e de alto valor agregado, como o biometano e o CO2, fortalecendo a economia circular no Brasil”.
Fundo Clima reforça transição energética
O CEO da Bioo, Maurício Cótica, destaca que o apoio do BNDES via Fundo Clima reforça a relevância do projeto para a transição energética nacional, promovendo descarbonização, economia circular e desenvolvimento regional, especialmente no município de Toledo.
Biometano: combustível natural e renovável
O biometano é produzido a partir da digestão anaeróbia de matérias orgânicas em biodigestores, processo que ocorre sem oxigênio. O combustível é equivalente ao gás natural, mas renovável, evitando emissões de gases poluentes e reduzindo a dependência de gás natural fóssil.
A Bioo transforma resíduos orgânicos de grandes geradores, especialmente da cadeia de produção de proteína animal, em bioprodutos, fechando o ciclo da economia circular: resíduos que seriam descartados retornam às operações na forma de biometano e CO2 biogênico.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro


