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Café em outubro: preços firmes e volatilidade marcam mercado entre clima e tarifas
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Volatilidade domina o mercado internacional
Em outubro, os preços do café nas bolsas internacionais apresentaram altos e baixos. O arábica em Nova York e o robusta em Londres registraram flutuações, enquanto o mercado físico brasileiro acompanhou essa tendência.
O balanço do mês foi positivo para as cotações, impulsionado por apreensões com a oferta global, atenção às condições climáticas no Brasil e impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações brasileiras, além de movimentos semelhantes envolvendo outros países produtores.
Clima no Brasil: atenção à safra 2026
O mercado segue atento ao clima no Brasil, com foco na safra de 2026. Outubro marcou o início das floradas, assim como indicações para o pegamento, etapa essencial para a próxima colheita. A umidade e a regularidade das chuvas são determinantes para esse processo.
Durante o mês, as precipitações foram irregulares, escassas em diversas regiões do cinturão cafeeiro brasileiro. No entanto, ao final de outubro, as condições melhoraram, e novembro deve apresentar chuvas mais constantes, influenciando tanto as cotações quanto as expectativas do mercado.
Tarifas dos EUA: fator de pressão para o café brasileiro
O imposto de 50% sobre o café brasileiro, imposto pelo governo Trump, continuou sendo monitorado ao longo de outubro, principalmente devido às negociações entre os dois países.
Essas tarifas dificultam as importações americanas — o maior consumidor individual de café — elevando o preço do produto no curto prazo. Por outro lado, qualquer expectativa de redução ou eliminação das tarifas tende a pressionar as cotações para baixo.
Além do Brasil, as relações comerciais dos EUA com outros países produtores também influenciaram o mercado: houve tensão com a Colômbia, que gerou temores de aumento de tarifas, enquanto notícias sobre possível redução das tarifas para o café vietnamita impactaram as expectativas.
Estoques e fatores técnicos impulsionam cotações
O volume limitado de estoques certificados de café nos Estados Unidos contribuiu para o aumento das cotações em outubro. Aspectos técnicos, como o vencimento de opções e a rolagem de contratos futuros, também desempenharam papel no movimento dos preços, especialmente na Bolsa de Nova York.
Desempenho das bolsas em outubro
No fechamento do mês:
- Café arábica (Nova York, contrato dezembro): alta de 4,6%, passando de 374,85 centavos de dólar por libra-peso no fim de setembro para 392,00 centavos de dólar em 30 de outubro.
- Café robusta (Londres, contrato janeiro/2026): alta acumulada de 10,9% no mesmo período.
Mercado físico brasileiro acompanha, mas com menor intensidade
No Brasil, os preços seguiram a tendência das bolsas, mas com avanços mais moderados, refletindo a maior oferta com a entrada da safra 2025. Produtores permanecem capitalizados e mais seletivos nas negociações durante quedas da bolsa, enquanto compradores adotam postura cautelosa.
- Arábica bebida boa (Sul de Minas Gerais): alta de 2,2%, de R$ 2.210,00 para R$ 2.260,00 a saca.
- Conilon tipo 7 (Vitória/ES): alta de 6,5%, de R$ 1.305,00 para R$ 1.390,00 a saca.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne
O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.
O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.
Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil
Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.
De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.
“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.
A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.
“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.
MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.
A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.
No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.
Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate
Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.
As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.
Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.
“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.
Competitividade da carne brasileira pode ser impactada
O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.
No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.
Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.
Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta
O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.
A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.
Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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