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Câmara Árabe promove missão comercial para empresas brasileiras no Sudeste Asiático
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A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira está organizando uma missão comercial para empresas brasileiras do setor de alimentos e bebidas interessadas em expandir suas exportações para os mercados da Malásia e de Cingapura.
Requisitos para participação
Para participar da missão, as empresas devem possuir experiência em exportações e estar integradas ao Projeto Halal do Brasil, iniciativa da Câmara que visa incentivar a venda de produtos certificados para mercados muçulmanos.
Programação da missão
A ação ocorrerá entre os dias 14 e 20 de setembro e inclui:
- Rodadas de negócios com importadores locais
- Visitas a centros comerciais e empresas do setor
- Participação na feira MIHAS, principal evento malaio focado em produtos para o público muçulmano
As empresas terão ainda a oportunidade de expor seus produtos durante a feira MIHAS.
Oportunidades de mercado
A Malásia e Cingapura importam grandes volumes de alimentos, tanto para consumo interno quanto para reexportação. Em 2023, a Malásia adquiriu do Brasil US$ 1,09 bilhão em alimentos, enquanto Cingapura importou US$ 653,89 milhões.
A expectativa é que as empresas brasileiras possam fechar parcerias e concretizar embarques já durante a missão, além de conhecer melhor as oportunidades nesses mercados estratégicos.
Importância da certificação halal
Fernanda Dantas, gerente do Projeto Halal do Brasil na Câmara Árabe, destaca que o sucesso das exportações depende não só da qualidade e preço competitivo, mas principalmente do atendimento às exigências específicas do mercado muçulmano.
No caso de produtos como carnes, lácteos e alimentos industrializados, a certificação halal é obrigatória. Esse selo garante que a produção segue as tradições culturais islâmicas, como o abate conforme o rito religioso e a prevenção contra contaminação por derivados suínos e álcool — proibidos na alimentação muçulmana.
“A certificação halal é fundamental para a aceitação do produto pelo consumidor local e permite uma exposição privilegiada nos pontos de venda, viabilizando exportações com valor agregado”, explica Dantas.
Cenário das exportações brasileiras para mercados islâmicos
O Brasil lidera o fornecimento de alimentos para os 57 países membros da Organização para Cooperação Islâmica, com exportações que ultrapassaram US$ 23 bilhões em 2024. Porém, ainda há concentração nas vendas de produtos básicos, como carnes, açúcar, grãos, café e chás.
Segundo Dantas, o avanço brasileiro nesses mercados é limitado pela oferta restrita de alimentos e bebidas com certificação halal, especialmente fora dos segmentos tradicionais de proteínas bovina e de aves, que já são exportadas desde os anos 1970.
O Projeto Halal do Brasil
Com o objetivo de ampliar essa oferta, o Projeto Halal do Brasil promove a certificação de novos produtos e ações de promoção comercial. Atualmente, o projeto reúne 131 empresas, das quais 59 já realizam exportações de itens certificados halal.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista
A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.
Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.
Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais
O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.
Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.
Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.
Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado
O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.
Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.
Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.
Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.
Risco de base pode comprometer confiança do produtor
Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.
Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.
Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.
Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil
Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.
A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.
Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.
Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados
Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.
O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.
O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.
Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto
Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.
No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.
A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

