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Câmbio e oferta global pressionam preços do trigo no Brasil e no exterior
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O mercado de trigo apresentou variações significativas entre os estados do Sul do Brasil nesta semana, influenciado pela valorização do real frente ao dólar, pelo avanço da colheita e pelas diferenças nas estimativas de produção. Segundo a TF Agroeconômica, o destaque foi o Rio Grande do Sul, onde uma venda FOB foi registrada a US$ 221 por tonelada no porto de Rio Grande.
A Conab projeta uma safra praticamente duas vezes maior que a apontada pela Emater-RS, o que pode estar estimulando a comercialização. O volume vendido já soma 440 mil toneladas, considerando exportações e entregas a moinhos — resultado semelhante ao mesmo período de 2024. Com o real mais valorizado, os preços caíram para R$ 1.165,00 sobre rodas no porto, o que equivale a R$ 1.010,00 a R$ 1.015,00 no interior.
Os moinhos permanecem fora das compras, aguardando o avanço da colheita, enquanto o preço “da pedra” recua de forma lenta, entre R$ 59,00 e R$ 60,00 por saca.
Produtores catarinenses aguardam início da colheita
Em Santa Catarina, o mercado segue praticamente parado, já que a colheita ainda não começou. Alguns produtores pedem R$ 1.250,00 FOB pelo trigo novo, mas não há registro de negócios fechados. O último lote reportado foi de trigo branqueador do Cerrado, vendido a R$ 1.600 CIF.
No mercado interno, os preços pagos aos agricultores catarinenses variam entre R$ 61,00 e R$ 66,00 por saca, dependendo da região.
No Paraná, preços seguem pressionados pelo trigo argentino
No Paraná, a combinação de dólar mais fraco e queda no preço do trigo argentino intensificou a pressão sobre as cotações locais. Atualmente, o trigo é negociado em torno de R$ 1.250,00 CIF para entrega em novembro e R$ 1.200,00 à vista.
De acordo com o Deral, a média recebida pelos produtores caiu 0,95%, para R$ 64,32 por saca, acumulando uma queda anual de 13,8%. Apesar disso, a TF Agroeconômica ressalta que o mercado futuro ainda oferece margens positivas de até 32%, reforçando a importância de vendas antecipadas para garantir melhores preços.
Cenário internacional: dólar forte e oferta abundante derrubam Chicago
No exterior, o mercado de trigo também encerrou em queda. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos recuaram nesta terça-feira (21), pressionados pela ampla oferta global e pela força do dólar frente a outras moedas. As expectativas de colheitas abundantes em grandes exportadores, como Argentina e Austrália, intensificaram o movimento de baixa.
A percepção de maior disponibilidade de trigo na região do Mar Negro — especialmente na Rússia — também contribuiu para as perdas. Durante o pregão, a consultoria IKAR elevou novamente sua estimativa de produção russa, enquanto uma pesquisa da Reuters apontou rendimentos acima do esperado no oeste da Austrália, apesar de perdas pontuais no sul devido à seca.
Os contratos para dezembro de 2025 fecharam a US$ 5,00¼ por bushel, queda de 4,50 centavos (–0,89%), enquanto os contratos para março de 2026 encerraram a US$ 5,16½ por bushel, recuo de 5,00 centavos (–0,95%) em relação ao fechamento anterior.
Perspectivas
Com a valorização do real e a pressão externa vinda de uma oferta global abundante, o mercado de trigo segue em um cenário de preços em queda, especialmente nas praças do Sul do Brasil. Enquanto produtores aguardam melhores oportunidades de venda, analistas apontam que o mercado futuro pode ser uma alternativa estratégica para reduzir perdas e garantir margens positivas diante da volatilidade cambial e das incertezas internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançam US$ 5,8 bilhões e mantêm estado entre líderes nacionais
As exportações do agronegócio de Minas Gerais somaram US$ 5,8 bilhões entre janeiro e abril de 2026, consolidando o estado entre os três maiores exportadores do setor no Brasil. No período, foram embarcadas 4,8 milhões de toneladas de produtos agropecuários para mais de 160 países.
Apesar da retração de 11,9% no valor exportado e de 9,3% no volume em comparação ao mesmo período de 2025, Minas Gerais respondeu por 10,6% das exportações do agronegócio brasileiro, mantendo posição de destaque no comércio exterior nacional.
Segundo análise da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a redução está concentrada em segmentos específicos de grande representatividade, especialmente café e complexo sucroalcooleiro, enquanto diversas outras cadeias produtivas apresentaram crescimento.
Diversificação fortalece desempenho do agro mineiro
De acordo com a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, o resultado evidencia o avanço da diversificação das exportações do estado.
Segmentos como carnes, sementes, algodão, papel, animais vivos, couros, frutas e bebidas registraram desempenho positivo, contribuindo para ampliar a presença de Minas Gerais em diferentes mercados internacionais.
O estado também mantém liderança em importantes cadeias exportadoras. No primeiro quadrimestre, Minas respondeu por:
- 71% das exportações brasileiras de café;
- 30,5% dos produtos apícolas;
- 20,4% dos lácteos;
- 12,8% das rações para animais;
- 11,9% dos produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos.
Ao todo, mais de 500 produtos diferentes foram comercializados no mercado internacional durante o período.
Café continua liderando exportações
O café permaneceu como principal produto da pauta exportadora mineira, gerando receita de US$ 3,2 bilhões.
Foram embarcadas aproximadamente 7,4 milhões de sacas ao exterior, porém o segmento registrou retração de 17,5% em valor e de 26% em volume na comparação com o primeiro quadrimestre do ano anterior.
Mesmo com a queda, o produto continua sendo o principal responsável pelo desempenho do agronegócio estadual e pela forte presença mineira no comércio internacional.
Complexo soja mantém segunda posição
O complexo soja, formado por grãos, farelo e óleo, ocupou a segunda colocação entre os produtos mais exportados pelo estado.
As vendas externas totalizaram US$ 1,14 bilhão, com embarques de 2,71 milhões de toneladas.
Em relação ao mesmo período de 2025, houve redução de 2,8% na receita e de 8,9% no volume exportado.
Carnes lideram crescimento entre os principais setores
O grande destaque positivo do quadrimestre foi o segmento de carnes bovina, suína e de frango.
As exportações do setor alcançaram US$ 576,7 milhões e 160 mil toneladas, representando crescimento de 8,2% em valor e de 0,7% em volume.
A valorização da carne bovina no mercado internacional foi um dos principais fatores responsáveis pelo avanço da receita, reforçando a importância do segmento na pauta exportadora mineira.
Complexo sucroalcooleiro registra retração
As exportações do complexo sucroalcooleiro somaram US$ 268,7 milhões entre janeiro e abril.
O resultado representa queda de 22,9% na receita e recuo de 2,7% no volume embarcado em comparação ao mesmo período do ano passado.
A redução do valor médio da tonelada exportada foi um dos fatores que mais contribuíram para o desempenho negativo do setor.
União Europeia permanece principal destino
A União Europeia consolidou-se como o principal mercado para os produtos do agronegócio mineiro.
O bloco econômico importou US$ 1,7 bilhão em produtos do estado no primeiro quadrimestre, equivalente a 29,6% de toda a pauta exportadora do agro mineiro.
Na comparação anual, houve queda moderada de 2,9% no valor e de 2,5% no volume embarcado.
O café continua dominando as vendas para o mercado europeu, representando 94,4% do valor exportado ao bloco.
Por outro lado, alguns segmentos vêm ampliando sua participação. Os produtos florestais registraram crescimento de 42,8% na receita, enquanto as exportações de carnes mais que dobraram, indicando oportunidades de diversificação e agregação de valor.
Mercosul amplia volume importado
Os países do Mercosul — Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia — adquiriram US$ 82 milhões em produtos do agronegócio mineiro no período.
Embora a receita tenha recuado 2,1%, o volume exportado cresceu 10,1%, refletindo ajustes nos preços médios dos produtos comercializados.
A Argentina respondeu por 63,2% das compras do bloco, seguida por Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Diferentemente da União Europeia, a pauta exportadora para o Mercosul apresenta maior diversidade. O café representa 38,3% das vendas, seguido por cacau e derivados, carnes, produtos vegetais, hortaliças, tubérculos, produtos florestais e alimentos processados.
Essa característica amplia as oportunidades para a indústria agroalimentar mineira, especialmente em segmentos de maior valor agregado, como bebidas, chocolates, lácteos e cafés especiais.
Perspectiva
Mesmo diante da retração observada no primeiro quadrimestre, Minas Gerais mantém posição estratégica no comércio exterior do agronegócio brasileiro. A força do café, o avanço das exportações de carnes e a crescente diversificação da pauta exportadora reforçam a competitividade do estado e ampliam as oportunidades de crescimento em mercados internacionais cada vez mais exigentes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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